Economia

Turismo está confiante com a alta estação

Apesar da pandemia ainda não estar controlada, empresários da hotelaria e de bares e restaurantes garantem que estarão prontos para receber os turistas. Hotéis estão com ocupação entre 35% e 40%

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

Para o turismo nacional e internacional, Fortaleza é sinônimo de férias. Afinal, há muitos anos a capital do Ceará é uma das cidades mais procuradas por visitantes de dentro e fora do Brasil. As belezas naturais, a gastronomia e a cultura são atrativos mais do que convincentes na hora de escolher o destino do final do ano. No entanto, diante da pandemia, fica a dúvida de como será a alta estação para o turismo local, que também não terá as tradicionais festas públicas de Réveillon, capazes de reunir milhões de pessoas.

Mesmo assim, representantes do setor garantem que o calor e as praias cearenses ainda serão capazes de movimentar o segmento em dezembro. “Com certeza, essa alta estação será diferente, mas estamos otimistas, já temos tido boa movimentação nos feriados e fins de semana. Se não tivermos aumento nos casos de covid, teremos bons resultados”, projeta Arialdo Pinho, secretário de Turismo do Ceará.

Ocupação

Apesar de estar longe da procura habitual, o setor hoteleiro dá mostras de recuperação. Régis Medeiros, Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Ceará (ABIH-CE), estima que a ocupação em Fortaleza esteja entre 35% e 40%. “Quando reabrimos, no começo de agosto, era de apenas 7%”, compara. “Esperamos chegar em dezembro com 50% e podermos ter um Réveillon na casa dos 80%, caso haja a liberação pelo governo do estado. Já solicitamos esse aumento da capacidade porque o setor está preparado, com os protocolos de higiene sendo seguidos”, observa.

A mesma linha é adotada por bares, restaurantes e barracas de praia, que são um dos termômetros do turismo em Fortaleza. De acordo com Fátima Queiroz, Presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, as barracas estão se preparando, respeitando as orientações das autoridades de saúde. “Apesar dessa crise ímpar, estamos aprendendo e criando alternativas, elaborando novos pratos e ambientes atrativos, preparando novas pessoas para as demandas da alta estação, com novas técnicas de atendimento”, diz a Presidente da Associação, formada por 65 barracas, responsáveis por 3 mil empregos diretos.

Taiene Righetto, diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE) garante que Fortaleza, no quesito segurança sanitária, é um destino altamente indicado. “Estive em outros estados e posso afirmar que Fortaleza é uma das cidades mais bem preparadas para receber turistas. Reabrimos as portas há três meses, e os casos de covid diminuíram, mesmo com as operações de mesa dos restaurantes. Isso prova que a gente consegue trabalhar com segurança”, ressalta.

Fluxo interno

Antes da pandemia, o turismo representava em torno de 12% do Produto Interno Bruto do Ceará. Para minimizar as perdas, as autoridades têm apostado no fluxo interno. “O governo vem incentivando o cearense a viajar pelo Estado. Isso tem funcionado bem. A Setur tem buscado também a promoção do Ceará nos mercados nacionais e a retomada dos voos, na medida do possível”, esclarece Arialdo Pinho.

Régis Medeiros observa que alguns destinos estão, de certa forma, se beneficiando desse momento da pandemia. “Os balneários turísticos, como Guaramiranga, estão vivendo um momento positivo, porque a procura está maior do que em tempos normais. Já que as pessoas não podem viajar para outros países e há poucos voos para outros estados, estão circulando mais regionalmente”, explica.

 

Setor imobiliário também aposta no potencial turístico

Na visão de empresários do setor imobiliário, o litoral cearense está preparado para receber o movimento da alta estação. Mesmo diante das incertezas quanto à saúde pública, as empresas seguem com o planejamento de altos investimentos em produtos voltados para o setor. É o caso da VCI SA, incorporadora no Brasil da rede de hotelaria americana Hard Rock e da espanhola Eurostars, que trabalha com multipropriedade, em que o usuário paga apenas o período que usufrui. “O Estado fez o dever de casa ao conseguir o Selo de ‘Safe Destination’. Temos espaço para oito ou 10 produtos de grande porte e primeira linha internacional, na minha visão, e isso consolida o Estado. Temos locais excelentes e hospedagem de charme”, comenta Samuel Sicchierolli, presidente da VCI SA.

A visão é compartilhada por Martônio Rodrigues, diretor comercial da Construtora Manhattan, que tem feito lançamentos de imóveis de segunda residência no Estado. “A infraestrutura de estradas no nosso litoral, tanto do lado Leste como pelo lado Oeste propicia deslocamentos mais rápidos. Além disso, a variedade hoteleira no Ceará é muito interessante, porque privilegia praias com características bem nativas”, comenta. “O Ceará é uma Califórnia brasileira. Temos vida longa no turismo e na segunda residência”, projeta.

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