Economia

Tendências de consumo e digitalização dos negócios marcam primeiro dia de seminário

Primeiro dia do Seminário Retomando a Economia - O Ceará é mais forte foi marcado por debates sobre novos rumos do consumo e estratégias digitais nas empresas. Encontro continua na próxima terça (29), totalmente online e gratuito

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Com a crise econômica trazida pela pandemia, a necessidade de pensar alternativas aos modelos de negócio e serviço se fez imperativa. A pausa das atividades comerciais e industriais para a contenção do avanço do coronavírus levou diversos setores da economia a repensar estratégias e para conhecer algumas das saídas encontradas pelas empresas, o Seminário “Retomando a Economia: O Ceará é Mais Forte” reúne grandes nomes em encontros virtuais.
Ontem (22), nos dois primeiros painéis do evento, foram explanadas estratégias de inserção das empresas no mundo digital e as mudanças percebidas por elas no comportamento do consumidor. Gratuito, o Seminário Online é realizado pelo Instituto Future e O Otimista, com patrocínio da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.
Os próximos encontros, na manhã e tarde da próxima terça-feira (29), irão abranger discussões sobre as mudanças na Indústria do Turismo e alternativas de financiamento para que negócios de diferentes setores e portes possam alcançar estabilidade e voltar a crescer.

Painéis
No painel “Tendências de Consumo”, foram debatidas estratégias para empresas de varejo a partir de novos comportamentos dos consumidores, percebidos durante a pandemia e a retomada das atividades.
Cláudia Brilhante, diretora Institucional da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), detalha que o momento tem sido de priorização de bem-estar, sustentabilidade e funcionalidade. “A pandemia acelerou essas mudanças. O consumidor quer compromisso social e sustentável das empresas”.
Severino Ramalho Neto, diretor-presidente dos Mercadinhos São Luiz, testemunha que o cliente passou a preferir produtos de valor agregado maior, como alimentos e bebidas de mais qualidade. “Tivemos muitas surpresas e estamos ligados, prestando atenção às mudanças de comportamento do consumidor para acompanhá-las e dar sequência às boas vendas e relação mais próxima com nossos clientes”, completa, exemplificando a disparada nas compras via delivery.
O painel “Digitalização dos Negócios” mostrou também as migrações de instituições, indústrias, varejistas e até governos para alternativas virtuais, com flexibilização de processos.
A essencialidade da tecnologia foi revelada, conforme o painelista Michel Madeira, COO do Fitbank. “O confinamento e a queda nas receitas colocaram como eminente a necessidade de reorganização. Os processos precisaram ficar mais flexíveis; a gestão de documentos precisou ser digital, porque muita coisa não dava para ser feita fisicamente; o armazenamento de arquivos e dados, sobretudo; o teletrabalho; dentre outros”, elenca Michel.
Já Edgy Paiva, diretor de Negócios da IVIA Inovação e Tecnologia, exemplifica a aceleração digital de grandes clientes em curto espaço de tempo. “Inclusive na nossa empresa, tivemos que criar uma estrutura homeoffice para 750 colaboradores e tivemos grande comprometimento deles. Por sermos uma empresa de tecnologia, já usávamos ferramentas de videoconferência e armazenamento em nuvem, por exemplo. Mas muitos outros processos previstos para até dois anos tiveram de ser feitos em uma semana”.
O diretor da IVIA lembra ainda que outro processo concomitante nas empresas é a adequação à nova Lei Geral de Proteção de Dados e preocupações internas com a cibersegurança e controle de dados.
Wally Menezes, pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), diz ainda que a produção de resultados remota “veio para ficar”.

O home office como legado da pandemia

As preocupações em manter ou superar os níveis de produtividade devem ser considerados pelos gestores, com relação ao home office, conforme alerta Caio Camargo, sócio e diretor-executivo da Gouvêa Tech (SP).
De acordo com ele, a adaptação ao mundo digital levou as pessoas a trabalharem mais para chegarem ao mesmo resultado. “Para muitos, não há mais fronteiras entre casa e trabalho; entre dia útil e feriado. Muitos chegaram aos limites emocionais e físicos para atingir a produtividade, principalmente em cenário de alto desemprego. Todo mundo queria se mostrar ativo. A conta vai chegar e essa produtividade tende a cair”, pontua Caio.
A tendência do teletrabalho já se revela pelos anúncios de grandes empresas na revisão de contratos de trabalho, readequação de sedes e manutenção de parte dos empregados em formato híbrido de jornada: dias ou turnos revezados entre atividades presenciais
e home office.
A flexibilização pode ser alternativa agradável a patrões e empregados, conforme a pesquisa USP/FIA. Para 71%, o trabalho em casa é percebido como uma possibilidade de aumentar a produtividade, precisão e qualidade; e 76% disseram concordar que o trabalho em home office é compatível com a convivência familiar. Cláudia Brilhante, diretora Institucional da Fecomércio-CE, acrescenta ainda que o formato de trabalho é ainda oportunidade. “As pessoas descobriram que podem economizar tempo com o home office. O tempo extra pode virar renda com artesania, marketing, gastronomia. É um novo momento, ainda incerto, mas estamos aprendendo a ser empreendedores. E o cearense é criativo, inovador”, completa Cláudia.

Serviço
Seminário Online Retomando a Economia: O Ceará é Mais Forte
Inscrições gratuitas pelo site: institutofuture.com.br/cearamaisforte

 

 

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