Economia

Telefonia móvel e banda larga alcançam índices históricos de cumprimento de metas

Apesar da pandemia e aumento da demanda por serviços de internet, as operadoras melhoraram os indicadores de qualidade. Os índices de 2020 mostram que as metas de cumprimento foram as mais altas em oito anos

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

O ano de 2020 é mesmo o das telecomunicações. Nunca os serviços foram tão demandados por usuários comuns, que se viram obrigados a, durante os últimos cinco meses, adaptar trabalho, estudos e lazer ao tráfego de dados oferecidos pelas operadoras de banda larga fixa e móvel. Se por um lado utilizar a internet para se comunicar passou a ser tarefa obrigatória para manter em circulação produtos e serviços, por outro as operadoras, com a demanda crescente, alcançaram índices jamais antes registrados de cumprimento de metas. Segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), neste ano, no Ceará, em telefonia móvel o alcance dos objetivos foi de 86,9% e, em banda larga fixa, 76,1%. Desde 2012, esses foram os indicadores mais altos, comportamento que se assemelha aos índices nacionais.

A agência acompanha a qualidade da telefonia móvel, banda larga fixa, telefonia fixa e da TV por assinatura no Brasil, através de monitoramento de indicadores de desempenho das prestadoras. Cada indicador possui uma meta a ser alcançada mensalmente, em cada área geográfica definida na regulamentação. A prestadora que não alcançar as metas fica sujeita a sanções, sob o devido processo legal, com ampla defesa e direito ao contraditório, segundo reza a legislação.

Segundo o último levantamento feito pela agência reguladora sobre o percentual de cumprimento das metas dos indicadores que avaliam a qualidade do serviço, a banda larga fixa alcançou o índice de 74,8% de alcance dos objetivos em 2020. Desde 2012, esse foi o melhor índice alcançado, sendo que o mais baixo foi em 2015 (55%). Em relação à telefonia móvel, o índice de alcance das metas em 2020 foi de 82,7%, também o melhor desde 2012. Nesse intervalo de tempo, o ano de 2015 registrou o menor indicador – 74%.

Em telefonia móvel, o ranking de cumprimentos de meta neste ano coloca a Claro como primeira na classificação, com indicador de 84,7%, seguida por Vivo (83,8%), Tim (82,5%) e Oi (79,9%). No caso da banda larga fixa, Claro também lidera com 91,6% das metas atingidas. Em seguida surgem Sky (74,1%), Vivo (73,7%), Oi (69,3%) e Tim (55,7%).

No caso do Ceará, o cumprimento de metas em 2020, por parte da telefonia móvel, foi de 86,9%, enquanto o de banda larga fixa foi de 76,1%. Entre 2012 e 2019, o serviço móvel obteve, a cada ano, uma média de 79% dos indicadores atingidos, sendo que neste ano foi registrado o maior índice dos últimos anos. Quando se trata de banda larga, o intervalo de tempo no Ceará sofreu maior variação. Os anos de 2015 (47,4%) e 2016 (56,6%) foram os de metas mais distantes das vislumbradas. Em compensação, desde 2018 os índices só crescem: 74,6% (2018), 74,7% (2019) e 76,1% (2020).

Segundo o gerente regional da Anatel no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, Gilberto Studart Gurgel Neto, o órgão regulador acompanha a prestação dos serviços de maneira contínua, nacional, regional e localmente. Essa é uma maneira, de acordo com o gerente, de garantir que o consumidor está recebendo pelo que foi apresentado a ele e vendido.

De acordo com Studart, a busca maior do público tem sido por banda larga, que é o serviço que mais tem crescido nos últimos anos, especialmente em 2020, após a pandemia. “Telefonia móvel vem baixando um pouco”, sinaliza. De acordo com ele, o Brasil já chegou a registrar 300 milhões de acessos. Hoje são 221 milhões, para uma população de 210 milhões de habitantes. No Ceará, essa proporção entre número de acessos e pessoas também já foi maior, passando de 10 milhões de celulares. Hoje, segundo a Anatel, são 7,9 milhões, para uma população de mais de 8 milhões de pessoas. “Já tivemos mais celulares do que pessoas aqui, mas esses serviços vêm caindo, assim como de telefonia fixa e de TV por assinatura. Em contrapartida, a banda larga fixa cresce assustadoramente”, compara Studart.

Em junho desde ano, o Brasil somava 34 milhões de usuários de banda larga fixa. No mesmo mês de 2019, eram 32 milhões, o que representa crescimento médio de 5%. “Isso tem a ver com a pandemia, que acelerou o crescimento da banda larga fixa”, afirma. Em relação às maiores operadoras do Brasil (Claro, Tim, Oi, Vivo e Sky AT&T), Gilberto Studart informa que não há um “grande interesse” de atender a localidades distantes das grandes cidades. Com essa lacuna, as pequenas operadoras foram tomando essa fatia de mercado e passaram a atender a população não com internet via rádio, mas com fibra ótica. “As grandes têm interesse, mas são mais lentas para fazer essa execução. Por isso fazem parcerias com as pequenas. É uma adaptação para as regras de mercado”, analisa o gerente da Anatel.

Operadoras expandem serviços na pandemia e ampliam projetos de expansão

Durante a pandemia, operadoras de banda larga fixa e telefonia móvel registram vendas recordes, especialmente em tecnologia de fibra ótica. Com aumento de até 50% na quantidade de assinantes e expansão das redes em cidades de todo o país, a necessidade de um serviço mais ágil e completo motivou as operadoras a acompanharem a demanda potencializada com o isolamento social.

A Oi está investindo na expansão da fibra ótica e na democratização da transmissão de dados. Em quatro meses, a quantidade de assinantes do serviço Oi Fibra aumentou em 50%, passando de 1 milhão de clientes em abril para 1,5 milhão em julho. Por mês, no período, a média de adições líquidas foi de 125 mil, sendo que, em julho, alcançou 150 mil novos assinantes. A expectativa da companhia é que, em agosto, a projeção registrada em julho se mantenha.

Segundo a Oi, o rápido crescimento é registrado em todos os estados, com exceção de São Paulo, onde não há operação do serviço. Entre os destaques estão Alagoas, Espírito Santo, Paraíba e Sergipe, onde a base de clientes cresceu mais de 30% em julho. No Ceará, o crescimento foi de 8,4%, com oferta disponível nas cidades de Fortaleza e Juazeiro do Norte. Para que isso ocorra, a Oi conta com uma rede de fibra ótica de transporte que soma 400 mil quilômetros. Além disso, suas ofertas disponibilizam internet de até 400 Mega de velocidade, além de TV por assinatura, telefonia fixa e acesso ao serviço de streaming.

Embora tenha se tornado a principal estratégia de negócio da operadora mesmo antes da pandemia, a Oi Fibra foi impulsionada com as medidas de distanciamento social, que obrigaram as famílias a reunir trabalho, lazer e estudo no mesmo ambiente, aumentando a demanda por internet rápida, segura e estável. No mercado corporativo, há registro de crescimento em alguns serviços fundamentais nesse momento de avanço da digitalização. Somente nos serviços de segurança, houve aumento de 132% em vendas entre abril e maio, em relação à média dos primeiros três meses do ano, antes de instalada da pandemia do novo coronavírus.

No que se refere ao atendimento, a companhia atuou para garantir e melhorar o acesso aos canais digitais com maior agilidade e com conexão durante 24 horas. A operadora acredita que, após o fim do isolamento social, o consumidor perceberá que o atendimento digital é muito mais simples do que antes imaginado, o que deve gerar mudança nas relações entre empresas e usuários de bens e serviços.

Desde que começou o isolamento, a Oi registrou aumento no uso dos seus canais digitais. Hoje, 8 entre 10 clientes se utilizam esses mecanismos para se relacionar com a companhia. Com a Joice, inteligência artificial da Oi, a operadora registrou aumento de mais de 120% no volume diário de transações em menos de 6 meses. Durante o isolamento social mais rígido, a Oi registrou aumento de 40% no volume de tráfego de rede.

Na quarentena, especialmente a mais rigorosa, a Vivo registrou altas históricas nas plataformas de atendimento e em seu comércio eletrônico, com crescimento de vendas de serviços móveis e fibra, inclusive com picos superiores aos de datas como Black Friday. Além disso, a operadora buscou se aproximar do cliente em isolamento social através do atendimento por Whatsapp e do serviço de retirada.

Segundo a Vivo, o segundo trimestre foi marcado pela retração econômica, impactando segmentos da companhia, mas evidenciando a importância de outros, como a oferta de internet de ultravelocidade. Com a conectividade de qualidade tornando-se essencial, entre abril e junho a demanda refletiu diretamente nas vendas de fibra. No trimestre, a Vivo atingiu recorde ao adicionar mais de 210 mil novos clientes no serviço, chegando a 2,9 milhões de acessos, o que representa crescimento de 32%, quando comparado com igual período do ano anterior. As receitas de fibra já representam 47,8% da receita de banda larga, que teve alta de 6,7% no período.

Para ampliar a cobertura de banda larga, a empresa está em processo de expansão. No Ceará, a Vivo está presente em 162 municípios, oferece conexão 4G em 86 cidades e 4,5G em oito municípios. Fortaleza conta com rede de fibra de última geração. No Ceará, a Vivo é líder em Internet banda larga, com 19,6% de market share.

Mesmo com a pandemia, a operadora manteve cronograma de expansão em fibra e levou a conexão de ultravelocidade para 52 novas cidades no país, entre janeiro e julho, cobrindo mais de 1,7 milhão de domicílios. O semestre se encerrou com cerca de 2.9 milhões de acessos em 216 cidades. Além da fibra, os investimentos no trimestre, de R$ 1.9 bilhão, também ajudaram a promover a expansão da rede 4,5G.

Com o fim de algumas barreiras culturais em relação às tarefas remotas, a digitalização passou por aceleração nos processos. A expectativa atual da Vivo, após esses meses de digitalização do trabalho, estudos e lazer, é equilibrar hábitos novos e antigos. Acreditando na tendência de equalizar   físico e o digital, compras em lojas e e-commerce, a companhia a companhia defende que a troca de ideias gera estímulos construtivos. O caminho, para a Vivo, é avançar em infraestrutura, levando acesso a quem ainda não tem, e atuar como um hub de parcerias com outras empresas para gerar inovações e ampliar serviços.

Nos últimos meses, a Vivo contratou remotamente mais de 530 novos colaboradores, a maior parte nas áreas das tecnologias da informação, cyber security e comercial. As etapas do processo seletivo foram feitas por meio de ferramentas digitais, com assinatura do contrato digital e integração com a equipe feita virtualmente. Além de adotar protocolos de biossegurança junto aos 33 mil funcionários diretos, cerca de 20 mil pessoas está em home office, inclusive no call center.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS