Economia

Suspensão da produção de motos em Manaus faz aumentar fila de espera no CE

Com estoques vazios e procura continuamente alta, a projeção é de atender o público com o restabelecimento da produção e distribuição. Cenário de pandemia resultou em uma demanda reprimida nas lojas de motos da Capital

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Com as limitações que compõem os protocolos sanitários no Amazonas, a maior parte da produção de motocicletas no País parou. A pandemia de covid impactou a produção industrial da Honda e Yamaha em Manaus, por exemplo, e a distribuição dos produtos das marcas, consequentemente.
A suspensão temporária da produção foi justificada pelas montadoras pela limitação de mão de obra, indisponibilidade de insumos e os impactos gerais nas cadeias de suprimento. A retomada da montagem, contudo, é prevista para esta semana, com o fim das férias coletivas.

Demanda
Em Fortaleza, concessionárias das marcas lamentam a falta de produtos nos pátios, uma vez a procura continua aquecida. A intensidade da busca por motos tem sido percebida tanto para uso comercial, considerando o boom dos deliveries, quanto para uso pessoal, dada a velocidade de locomoção e o receio de contaminação nos transportes coletivo e compartilhado.
As vendas de motocicletas novas, em 2020, aliás, totalizaram cerca de 52 mil unidades no Ceará, conforme dados da Fenabrave. Só em dezembro, foram aproximadamente 7 mil unidades. A queda de 18% na comparação com o ano anterior foi considerada plausível, no ano atípico.
A demanda está reprimida desde o início do isolamento social rígido, em março do ano passado. Agora, com a manutenção dos juros baixos para financiamento e a projeção de restabelecimento das atividades com a imunização contra o coronavírus, o comércio especializado perde oportunidades de negócio.

Normalização
Diretor da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) no Ceará, Wellington Holanda projeta que em maio estarão sendo entregues os veículos comprados no fim de 2020, com normalização da oferta ao longo do semestre.
“O aquecimento da demanda provavelmente se manterá ao longo do semestre, porque a demanda reprimida é grande. Há clientes que nunca pensaram em pilotar uma moto antes, mas agora consideram essa opção com receio da aglomeração dos ônibus”, exemplifica ele, que também é diretor da Fort Motos, concessionária Honda na Capital.
Com a falta de produto na loja, os vendedores têm ofertado mais os consórcios de motocicletas, para tentar manter comissões e satisfazer, ainda que parcialmente, a clientela.
Já as unidades seminovas podem parecer desvantajosas a parte dos clientes, considerando o preço praticado acima da tabela Fipe, já que a oferta geral está limitada.
A falta de produto e a perspectiva de normalização superior a 90 dias também são avaliações do diretor da Crasa Motos, Lucas Rolim. A concessionária Yamaha registra uma alta lista de espera. “No momento, estamos com 50% da oferta em comparação a situação normal. E ninguém sabe como vai ficar a situação de Manaus, mas a demanda continua alta para as motos de média e baixa cilindrada”, completa Lucas, lembrando que as baixas nos estoques são registradas desde 2019, antes mesmo da pandemia.

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