Economia

Startups deverão ter foco na rentabilidade

Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef), Eliardo Vieira, os negócios precisam ir além da moda. “Mais importante do que o nome é entender do negócio, ter escalabilidade e rentabilidade”, afirma

Marta Bruno

martabruno@ootimista.com.br

 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

De empresas em estágio inicial à presença na Bolsa de Valores de Nova Iorque, as startups cearenses não seguem regra, mas ganham cada vez mais evidência e projeção. Porém, a tentativa de alçar voo deve seguir um princípio básico nos negócios: rentabilidade. A diferença entre ser eternamente uma iniciante no setor e atingir a valoração máxima de mercado depende não apenas da ideia, mas da trajetória, investimento captado e, principalmente, do alcance junto ao consumidor.

Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef),Eliardo Vieira, os negócios precisam ir além da moda. “Nem todos vão ser uma Arco. Há startups e empresas de tecnologia que estão tentando esse voo há muito tempo. Mais importante do que o nome é entender do negócio, ter escalabilidade e rentabilidade”, indica, referindo-se à Arco Educação, startup cearense que em 2018 estreou na Nasdaq, atingiu o valor de US$ 1,2 bilhão e fechou 2019 avaliada em US 2,3 bilhões. Só no ano passado, a empresa originariamente cearense valorizou 101,6%.

De acordo com Eliardo Vieira, neste ano, por conta da pandemia, houve retração nos investimentos. Porém, ele explica que esse movimento é dinâmico. “Tudo depende do risco e do capital a ser aplicado. Normalmente o investidor anjo aplica em várias startups. Se uma der certo, todos os outros investimentos compensam. Por mais que exista um pouco de retração, quando o risco diminui, o investimento volta também”, explica.

Vieira afirma que, no cenário regional e local, a maioria dos investimentos é voltado para fintechs (tecnologia em finanças), logística, healthtch (saúde) e edtech (educação). Porém, ele acredita que o Nordeste, no contexto nacional, é mais consumidor do que produtor dos produtos de base digital. “Algumas iniciativas se destacam isoladamente. Aqui somos mais voltados à inovação propriamente dita do que a fomentar novos negócios. Isso que precisa se reverter”, analisa.

Para o representante do Ibef, a pandemia trouxe mudanças importantes na estratégia das empresas. A tecnologia já se potencializaria por natureza, mas foi acelerada devido à necessidade de trabalho, estudo, lazer e compras a partir do ambiente doméstico digital. “De fato há impactos. Alguns permanecerão, outros voltarão ao estado de antes da pandemia. Mas há pessoas que eram reticentes à tecnologia tiveram que passar a usar para fazer supermercado, comprar remédio, resolver a vida de outra forma. Isso, definitivamente, veio para ficar. É aí que está a oportunidade”, aponta.

Um exemplo é o aplicativo de videoconferência Zoom, que devido à explosão de usuários na pandemia hoje tem valor de mercado avaliado em cerca de US$ 49 bilhões e é mais valorizado do que a Vale, Petrobras, Ambev e as sete maiores empresas aéreas internacionais juntas. “É com esse tipo de mudança que a gente tá aprendendo a conviver. Resolvemos muitas questões à distância, em reuniões virtuais, mas isso não quer dizer que o contato físico e presencial seja dispensável. Jamais. É preciso romper o estágio de encanto e fantasia do negócio. No final das contas, é custo. Se o custo não fizer sentido, nenhum tipo de mudança fará sentido”, frisa.

Vieira afirma que essa movimentação depende de oportunidade de mercado e cenário econômico, o que inclui a taxação de juros. “Na época em que o Brasil tinha taxa de juros de 20%, 27,5%, 10%, se comprava títulos do governo e esperava dobrar. Hoje o cenário é outro. Em alguns países a taxa de juros está negativa e, aqui, está mais baixa. Com isso, há uma complexidade e diversidade maior de investimentos”, diz. Para o vice-presidente, o Ceará ainda sofrerá as consequências da paralisação na economia ao longo deste ano. Mudanças com tendência positiva, para Eliardo Vieira, só a partir do primeiro trimestre de 2021. “Voltar ao nível pré-pandemia só no segundo trimestre, principalmente para setores como turismo, aviação civil, educação. Já outros, a exemplo de alimentos, agricultura e energia, estão em certo nível mais confortáveis”, compara.

Investidores anjos são pessoas físcias que aplicam em tíquetes que custam pelo menos R$ 50 mil, podendo chegar a R$ 300 mil. Já o acelerador é uma empresa que injeta recursos organizar o negócio, potencializá-lo e, ao final do processo, ficar com um percentual da empresa. Isso porque o objetivo da startup é ganhar valor de mercado e ser vendida. Já os fundos de venture capital podem começar com cerca de R$ 400 mil e podem chegar a R$ 1,5 milhão por investimento.

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