Economia

Setor da Construção civil monitora alta nos preços de insumos

Com o auxílio emergencial, o segmento de Construção Civil teve alta nacional nas vendas de 3,6% e 2,6% em agosto e setembro, respectivamente, conforme dados do IBGE

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

Dentre os setores que cresceram desde o início da pandemia estão os materiais de construção. Com o auxílio emergencial, o segmento teve alta nacional nas vendas de 3,6% e 2,6% em agosto e setembro, respectivamente, conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e varejo ampliado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E com a alta nas vendas de imóveis e novos lançamentos das construtoras e incorporadoras, esses insumos continuam com preços elevados. Dúvidas quanto à melhora nos preços e prazos de entrega de insumos como aço e PVC são alguns dos fatores apontados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para a hesitação em colocar novos investimentos no mercado apesar dos resultados positivos das vendas.
O presidente da CBIC, José Carlos Martins, diz que o investimento feito pelo setor no lançamento de um novo empreendimento depende do que ele chama de “visão futura”. Com isso, a imprevisibilidade quanto aos prazos de entrega de insumos e os preços dessas matérias-primas, que têm sido pressionadas tanto pela redução na oferta quanto por preços em dólar, dificultam ou atrasam as tomadas de decisão.
“Não tenho dúvida de que não recuperamos o volume de lançamentos por conta desses motivos. Muita gente segurou os lançamentos para ver como ficaria o mercado dos insumos, para ele colocar preço”, diz. A expectativa do setor é de que o início do ano aponte condições mais favoráveis à retomada dos lançamentos.

Variação
José Carlos detalha que a cadeia do aço garante a regularização da entrega entre dezembro e o começo de 2021. Entre os distribuidores de PVC, outro produto que os construtores relatam ter identificado muita variação de preço, a promessa é de estabilização dos preços a partir de janeiro e cerca de quatro meses para melhorar o ritmo de entrega. Os lançamentos de imóveis residenciais verticais na Grande Fortaleza totalizaram o dobro de empreendimentos, se comparado a 2019. Foram oito lançamentos até outubro, com 651 unidades de médio e alto padrão (+165%), sem contar os empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
“E o setor vai lançar mais ainda até o fim do ano. Tem construtoras com projetos aprovados, mas a demora dos cartórios em liberar os registros de incorporação atrasam alguns lançamentos”, explica Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE).
Dessa forma, o setor se mostra mais aquecido do que a média nacional: entre os lançamentos no País, há queda de 27,9% entre janeiro e setembro. De 118.886 novas unidades colocadas no mercado de janeiro a setembro de 2019, o balanço deste ano é de 85.755. (com agências)

Menos lançamentos e oferta em queda podem aumentar preço

Com a redução dos lançamentos, a oferta final em 12 meses caiu 13% em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Comissão de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, diz que a queda na oferta não chega a ser uma preocupação para o setor, mas quem está buscando imóvel não deve esperar muito. Com menos lançamentos e oferta em queda e o preço sobe.
O aumento real no preço dos imóveis está em 3,5%, segundo a Câmara. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma espécie de inflação da construção, está com alta acumulada de 6,64% nos 12 meses até outubro. “O INCC subiu em função do aumento dos insumos e deve continuar assim até o primeiro trimestre do ano que vem”, afirma Petrucci.
Com a redução da Selic, a taxa básica de juros, além da demanda reprimida e volume recorde na concessão de financiamentos, houve corrida para adquirir imóveis novos. E a tendência de valorização entre lançamento e entrega também atraiu investidores que migraram da renda fixa e mercado de capitais. “Entre lançamento e entrega, leva-se até quatro anos. Então, como os estoques têm caído sensivelmente, pode faltar imóveis na Grande Fortaleza”, analisa Patriolino.

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