Economia

Setor automotivo do Ceará se reinventa e diminui perdas de 2020

Projeção de queda nas vendas é de 20% a 24% este ano. Utilização de ferramentas digitais ajudou na gestão das empresas. Preocupação para 2021 é com a falta de peças e veículos no mercado

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


A solidez na gestão das empresas e a utilização das ferramentas digitais fizeram o setor automotivo do Ceará atravessar relativamente bem o ano de 2020. Mesmo com todos os desafios da pandemia, representantes do segmento consideram que parte das perdas sofridas no primeiro semestre foram recuperadas e mantêm o otimismo para 2021. “O ano foi muito desafiador, principalmente nos primeiros meses da pandemia, quando fomos impedidos de atender presencialmente. Mas, no Ceará, temos empresas tradicionais e responsáveis. Com isso, não tivemos nenhuma concessionária (carros novos) fechando as portas”, avalia Lewton Monteiro Júnior, vice-presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores no Ceará (Fenabrave-CE). “Teremos um déficit em relação a 2019, mas fecharemos o ano com queda de apenas 24%”, estima.
“O ano acelerou alguns processos. Já utilizávamos ferramentas eletrônicas, mas elas foram ainda mais incorporadas, mesmo com o retorno às atividades presenciais”, comenta José Everton Fernandes, presidente do Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Ceará (Sindivel-CE). “Hoje, as ferramentas digitais são utilizadas fortemente pelas empresas (de carros seminovos e usados), não só para anunciar e vender, mas para a gestão de negócios e avaliação dos veículos, inclusive para busca e reposição de estoques. Isso contribuiu para encerrarmos o ano com uma estimativa de somente 20% de baixa nas vendas, comparadas a 2019”, ressalta.

Atendimento
As ferramentas digitais também ajudaram as concessionárias de veículos 0km. “O principal desafio foi reinventar o negócio. O atendimento, a comunicação com o cliente e a negociação por meio virtual já eram projetos das concessionárias e montadoras, mas avançaram rapidamente na pandemia”, explica Lewton Monteiro Júnior, que identifica mudanças no comportamento do consumidor. “Hoje, o cliente faz a primeira jornada de compra pela internet, seleciona as melhores opções e vai na concessionária apenas para fazer o test drive e fechar o negócio”, relata.
Para José Everton Fernandes, em 2021 a qualidade do atendimento será um diferencial maior, “porque a venda eletrônica de um carro usado ou seminovo exige confiança. Para aumentar a credibilidade, as empresas estão usando o sistema de vistoria online, que fornece o certificado de procedência e de estado do veículo – antes usado apenas por seguradoras”, informa.
Os representantes do setor automotivo apostam no reaquecimento da economia nacional para voltar a crescer em 2021, especialmente em razão da oferta de crédito pelas instituições financeiras e a baixa dos juros. Porém, a falta de veículos e de autopeças pode ser um entrave. “A pandemia obrigou o fechamento de pequenos e médios fornecedores de autopeças. A tendência é que os fabricantes só regularizem o fornecimento a partir de abril. Isso deve beneficiar, primeiro o setor de carros novos, e só depois, o de seminovos e usados. Ainda deveremos ter, no primeiro semestre de 2021, um desequilíbrio entre oferta e demanda, o que também deve provocar aumento nos preços”, analisa José Everton Fernandes, do Sindivel-CE. “Toda a indústria está sofrendo na questão do abastecimento e da logística, pois a crise foi mundial. Acreditamos em um crescimento, mas inferior a 25%, insuficiente para repor as perdas deste ano”, projeta Lewton Monteiro Júnior, da Fenabrave-CE.

 

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