Economia

Safra de grãos no Ceará em 2020 tem aumento de 40,71% em comparação a 2019

Em 2020, o Estado produziu 794.480 toneladas, graças aos bons volumes de chuva e às políticas governamentais. Milho sequeiro, feijão-de-corda e arroz irrigado representaram 96% da produção total. Os dados são do IBGE

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Dirceu Portugal /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1938863

Graças ao bom volume de chuvas e às políticas de estímulo ao agronegócio, o estado do Ceará alcançou, em 2020, uma safra de grãos 40,71% maior que no ano anterior. No total, foram produzidas 794.480 toneladas no ano que passou, ante 564.616 toneladas em 2019. As informações são do 12º Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – LSPA de 2020, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Três produtos se destacaram e representaram 96% da produção cearense de grãos: o milho sequeiro, o feijão-de-corda 1ª safra e o arroz irrigado.
“A safra de 2020 foi muito boa, principalmente devido ao bom volume de chuvas. As ações de incentivo do governo estadual aos produtores também contribuíram, como o incentivo à agricultura irrigada e ao armazenamento de água, além de linhas de financiamento para o pequeno empreendedor rural”, avalia Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).
De acordo com o economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Corecon-CE, a safra expressiva deve trazer repercussões positivas para o mercado. “A maior produção pode ajudar a conter a inflação, principalmente porque o grupo de alimentação foi o que mais pesou para a alta dos preços em 2020”, observa. “Além disso, o mercado nacional e exterior passa a olhar o Ceará como um grande produtor, o que abre a possibilidade de novas negociações e parcerias dos produtores, com um ganho para a nossa balança comercial”, explica.
No grupo Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, composto de 17 produtos, 14 apresentaram crescimento na produção em relação a 2019, entre eles o arroz de sequeiro, a fava, o feijão-de-corda 1ª safra, o milho sequeiro e irrigado, a soja de sequeiro primeira safra, o sorgo granífero, o trigo em grão irrigado, o algodão herbáceo, o algodão semente sequeiro e o amendoim.
Com uma ampla variedade de produtos, o Ceará se revela com capacidade de atender a diversos mercados, porém a questão logística não pode ser esquecida, de acordo com Wandermberg Almeida. “Existe a necessidade de melhorarmos cada vez mais, através de políticas públicas, os meios de escoamento da produção, pois o Ceará e o País são predominantemente cobertos por meio rodoviário”, observa o economista.
No grupo Frutas Frescas também houve crescimento, com 30 itens tendo aumento na produção, entre os quais se destacam o abacate de sequeiro, a acerola de sequeiro, a banana de sequeiro e irrigada, o caju (mesa), a goiaba de sequeiro e irrigada, a graviola de sequeiro e irrigada, a laranja de sequeiro e irrigada, entre outros.

Brasil
O IBGE também divulgou ontem que o Brasil deve alcançar em 2021 uma safra recorde de grãos, pelo terceiro ano consecutivo. A estimativa é que serão produzidas 260,5 milhões de toneladas, um aumento de 2,5% em relação a 2020. A soja continua em destaque: a projeção de 129,7 milhões de toneladas indica um aumento de produção de 6,8% (8,2 milhões de toneladas) comparado com o ano que passou.
“A elevação do preço das commodities no mercado internacional e a alta do câmbio são variáveis que estimularam de forma decisiva a produção no ano passado e podem também gerar um crescimento do plantio neste ano, resultado em uma safra muito boa em 2021”, projeta Ricardo Coimbra, Presidente do Corecon-CE.
A safra de grãos no Brasil em 2020 somou 254,1 milhões de toneladas e também foi recorde, 5,2% (12,6 milhões de toneladas) acima da colheita de 2019 (241,5 milhões de toneladas).

Especialistas recomendam atenção com o câmbio

Os especialistas avaliam que a variação do câmbio será decisiva para o nível da produção agrícola no país este ano. Afinal, boa parte da produção brasileira é destinada ao mercado externo. “O câmbio serve como indutor do crescimento da produção e a análise dos setores e dos itens que estão com maior demanda em determinado momento. Isso ocasiona um direcionamento para certos produtos”, observa Ricardo Coimbra.
Por essa razão, ao longo de 2020, o arroz, o milho e a soja – produtos de alta demanda no mercado global – tiveram tanto destaque na safra brasileira, somando 92,7% da estimativa da produção e 87,1% da área colhida, de acordo com o IBGE.
A variação do dólar no país – cotado nos últimos dias em torno de R$ 5,30 –, é um risco para a oferta desses produtos no mercado interno, observa o economista Wandemberg Almeida, o que pode influenciar no custo para os consumidores. “Se olharmos apenas pelo lado do produtor, ele vai preferir negociar com compradores internacionais, diante de uma taxa de câmbio tão elevada. Precisamos estar atentos a essa variação cambial, que pode influenciar nos preços dos produtos”, pondera.
Segundo o IBGE, o Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com participação de 28,7%, seguido pelo Paraná (15,9%) e Rio Grande do Sul (10,3%).

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