Economia

Safra de grãos em setembro cresceu 42,48% no Ceará

Em comparação a setembro de 2019, o aumento da safra de frutas frescas foi superior a 10% no Estado. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Com melhor quadra chuvosa e expansão da área de plantio, a colheita em setembro no Ceará superou os prognósticos. Os números preliminares apontam que a produção de grãos foi de 804.444 toneladas, 1,73% a mais em relação ao mês anterior (790.747 t) e 42,48%, a mais em relação à safra efetivamente obtida em 2019 (564.616 t).
Os números são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, feito mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No início do ano, ainda com as incertezas sobre a chuva em 2020, o prognóstico do órgão para setembro havia sido 73,8% menor.
No grupo de Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, composto por 16 produtos, a produção de nove deles foi maior, em relação a agosto. São eles: fava, feijão-de-corda 2ª safra, milho sequeiro, trigo em grão irrigado, algodão herbáceo sequeiro e amendoim. Já arroz de sequeiro, arroz irrigado e feijão-de-corda 1ª safra variaram negativamente na produção. Os dados são preliminares e podem sofrer ajustes.
Regina Dias, Supervisora de Pesquisas Agropecuárias do IBGE no Ceará aponta que o trigo em grão irrigado e amendoim apresentaram crescimento na área e na expectativa de rendimento. “Os números do milho, por exemplo, só podem ser confirmados ao fim da colheita. Antes disso, divulga-se a produção esperada e a área plantada. Os cálculos da LSPA oportunizam ao poder público e agricultores acompanharem o desempenho local”, explica ela, sobre a metodologia.

Produção
A produção esperada de frutas frescas é de 1,02 milhões de toneladas, crescendo 3,45% em relação ao mês anterior (987,5 t). Comparando-se à safra de frutas efetivamente obtida em 2019 (928.582 t), houve aumento de 10%. Dentre 31 produtos analisados, a expectativa de produção de 18 variaram positivamente. Além de caju e pitaya, os produtos de sequeiro abacate, graviola, laranja, limão, mamão, melancia; e os irrigados: acerola, banana, goiaba, graviola, limão, mamão, manga, maracujá, melancia e melão.
Já a estimativa de produção caiu em relação a agosto para abacate irrigado, banana de sequeiro e manga de sequeiro. “As chuvas foram boas, principalmente na parte noroeste do Estado, o que favoreceu maior rendimento. Além disso, a área de vários cultivos aumentou, enquanto outros passaram a produzir em 2020, como tangerina e uva, que levam até três anos até a colheita. Ou seja, ainda do plantio de 2017”, analisa Regina.
A pitaya é novidade no levantamento, por ter “muita adaptação no Ceará e tendência de crescimento”, como explica Regina. Fruta originalmente cultivada em regiões áridas da América Central e México, tem alto valor de mercado, com preço que pode ir de R$ 5 mil a R$ 10 mil por tonelada. Em setembro, foram identificados cultivos (com área a partir de 1 hectare) em Reriutaba, Aquiraz, Limoeiro do Norte, Quixeré, Russas e Jati, totalizando 103 hectares, sendo 38 em formação e 65 em produção. A expectativa de produção é de 1.360 toneladas.

Safra nacional subiu 4,4% em setembro, estima IBGE

A estimativa de setembro de 2020 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas alcançou 252 milhões de toneladas, 4,4% superior à de 2019 (241,5 milhões de toneladas).
A área a ser colhida foi de 65,2 milhões de hectares, crescimento de 3,1% (2 milhões de hectares) frente à área colhida em 2019.
O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos do grupo, somam 92,5% da estimativa da produção e 87,2% da área a ser colhida.
Em relação ao mês anterior, houve aumentos nas estimativas da produção do tomate (2,8% ou 108,5 mil toneladas), do café arábica (2,4% ou 65,8 mil toneladas), do algodão herbáceo (2,4% ou 163,3 mil toneladas), da batata-inglesa 3ª safra (1,3% ou 8,8 mil toneladas), da soja (0,3% ou 417,5 mil toneladas) e do milho 2ª safra (0,4% ou 272,7 mil toneladas).

Queda
Por outro lado, são previstos declínios da produção da laranja (-7,5% ou 1,4 milhão de toneladas), do trigo (-5,4% ou 388,2 mil toneladas), da batata-inglesa 2ª safra (-5,4% ou 61,1 mil toneladas), da aveia (-4,3% ou 47,4 mil toneladas) e da cevada (-1,5% ou 6,1 mil toneladas.

Altas
No Brasil, as altas nas estimativas da produção, em relação a agosto, ocorreram no Mato Grosso (838,3 mil toneladas), em Minas Gerais (374,7 mil toneladas), na Bahia (254,3 mil toneladas), em Goiás (35,3 mil toneladas), no Ceará (13,2 mil toneladas) e no Acre (7,4 mil toneladas).

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