Economia

Reaquecimento do consumo anima indústria da moda no Ceará

Apesar das dificuldades com insumos - uma boa parte vindos da China, setor tem usado da criatividade para continuar a retomada

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Com criatividade e persistência, a indústria da moda tem se reinventado para continuar mantendo a produção no Estado. Apesar da escassez de insumos – uma das principais dificuldades em 2020 -, o setor tem trabalhado para abastecer os pontos de venda e atender a demanda reaquecida.
“Vivemos uma situação de consumo elevado, pois a moda está ligada diretamente ao bem-estar das pessoas. Isso anima muito as indústrias, porém há desabastecimento de muitos insumos. Estamos usando de toda nossa criatividade para encontrar alternativas e manter uma produção mínima até que tudo volte à normalidade”, conta Elano Guilherme, presidente do Sindicato da Indústria de Confecção do Ceará (Sindconfecções).
As fabricantes têm sentido dificuldade de abastecimento desde embalagens, como sacos plásticos e caixas de papelão, até aviamentos e tecidos base, como algodão, tricoline, malha, microfibra e lycra. A redução das importações de tecidos, botões e elásticos, a indisponibilidade de fornecedores estrangeiros e a alta do dólar também impactam a precificação e os processos produtivos.
Parte dos insumos é produzida na China e, de acordo com Elano, parte da matéria-prima que é encontrada no Brasil também sofreu aumento nos preços. Assim, os custos aumentaram até 35%, mas o consumo continua a reaquecer, considerando o aumento já esperado no fim de ano, nas compras de Natal e Ano Novo. “A moda é dinâmica. A palavra-chave tem sido criatividade, que é bem própria do setor, para desenvolver nossas coleções e colocar produtos nos pontos de venda. Às vezes, a gente não tem o tecido na estampa ou cor que a gente gostaria e usa alternativas”, completa Elano.

Digitalização
Enfrentando dificuldade de acesso a crédito e questões trabalhistas, o setor também se viu em corrida contra o tempo para acelerar a migração digital, em 2020. Seja na criação, modelagem, pilotagem, costura, beneficiamento, estamparia ou logística, as indústrias de moda no Ceará perceberam muitas mudanças em curto espaço de tempo.
Para 2021, a recuperação esperada acompanha o sonho de retomar destaque no cenário nacional. Para isso, o Sindconfecções tem buscado políticas públicas de fomento à exportação e competitividade dos produtos cearenses, além de capacitação e profissionalização de mão de obra. “Que nossa moda possa ser levada novamente a outros estados e outros países. A moda faz parte da cultura de um povo e aqui tem também ligação com artesanato, renda e bordados”, pontua Elano.

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