Economia

Readaptação e necessidade de interação social na volta às aulas

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

Três fatores motivaram a psicóloga clínica Alynne Pinheiro a levar os dois filhos para a escola ontem, primeiro dia de retorno às aulas na educação infantil: a segurança em relação à menor incidência e gravidade da covid-19 em crianças, cuidado com as emoções das crianças e a relação de confiança e segurança que desenvolveu com a Creche Escola Caminho do Sol, onde as crianças estudam desde bebês.

Para a psicóloga, seu sentimento é que, de alguma maneira, as crianças têm sido mais preservadas em relação aos casos do novo coronavírus. Além disso, ela acredita que há mares tão perigosos para os pequenos quanto a pandemia. “Há crianças com seis anos de idade com início de depressão, abatidas, tristes, sem energia e com medo. Moro em apartamento. Ficamos em casa desde o dia 17 de março, as crianças tendo contato apenas virtual com os amigos que conhecem desde o berçário. Há um vínculo forte de relações”, explica. Em meio às questões, Alynne conta que, após reunião na escola, em julho, reforçou a segurança de que toda a logística estava sendo ajustada para garantir segurança para crianças e funcionários. “Quando eu penso nesse conjunto, queria que as aulas tivessem voltado em julho”, testemunha.

Ontem, na hora de deixar e buscar os filhos – Benjamin, de dois anos e cinco meses, e Melissa, de seis anos -, Alynne Pinheiro foi surpreendida pela reação das crianças. “Eles não queriam voltar para casa”, diz. Mesmo ainda com medo desse momento de retomada da rotina, a psicóloga clínica acredita que é importante passar por esse processo de readaptação e desapego. “Foi um misto de sentimentos. Ainda não estou feliz, são outros sentimentos. Ainda tem medo. A gente se adaptou a uma rotina de dentro de casa, de muita intensidade, com as crianças sob nossa segurança e nosso olhar. Novamente vamos entrar nessa logística de readaptação”, avalia.

Para ela, o fato de as crianças aproveitarem ao máximo a escola nesse primeiro dia é uma resposta às suas dúvidas. “Eles chegaram, entraram, não recuaram. Foi supertranquilo. E nós, pais, fomos respeitados em relação aos nossos sentimentos, principalmente em uma situação dessa”, afirma. Alynne reforça que, nesse contexto, a família é extremamente necessária, mas adultos e crianças precisam de outros espaços de atuação para desenvolver ferramentas para a fase adulta, para se abastecer de ferramentas emocionais positivas para ser bem-sucedido em todos os aspectos”.

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