Economia

Produção industrial cearense apresenta alta de 1,3% no mês de setembro, segundo IBGE

O índice nacional no setor foi de 2,6%. Especialistas destacam aumento da retomada da cadeia produtiva na indústria

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

O Estado do Ceará registrou alta na produção industrial durante o último mês de setembro, de acordo com a mais recente Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o estudo, houve um aumento de 1,3% na produção industrial cearense em setembro. No mesmo período, 11 dos 15 locais pesquisados no país também apresentaram taxas positivas na produção industrial, colaborando para uma média nacional de 2,6%.

“A pesquisa nos traz um indicativo de que a queda na economia brasileira em 2020 será muito menor do que a prevista inicialmente. Existia a previsão de uma queda de 8% a 11% do Produto Interno Bruto, mas talvez fiquemos com uma queda de 4% a 5% – que é grande, mas bem menor do que a prevista, e bem menor do que a de outros países”, avalia Lauro Chaves Neto, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Em relação a setembro de 2019, o estado do Ceará obteve um crescimento de 8,5% na sua produção industrial, o que, de acordo com Lauro Chaves Neto, revela a força deste setor no território. “Em pleno período pós-pandemia já estamos com uma produção industrial maior. Isso mostra a reconstituição de diversos setores da cadeia produtiva, tanto de fornecedores como de clientes da indústria, com uma grande liderança do Sistema Fiec como um todo, além da atuação de outras instituições, como o Senai, o Sesi, o IEL e o Sebrae em todo esse processo”, diz o conselheiro do Cofecon.

 

Recuperação

A pesquisa mensal realizada pelo IBGE também apontou que a indústria do Ceará foi um dos destaques do país na média móvel trimestral. “No trimestre encerrado em setembro de 2020, frente ao nível do mês anterior, houve variação de 11,7%. Em setembro, o Ceará foi um dos nove estados do país que recuperaram o patamar de produção pré-pandemia, assim como Amazonas, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Pará, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul”, descreve Helder Rocha, supervisor de Disseminação de Pesquisas do IBGE no Ceará.

Na avaliação de Lauro Chaves Neto, os resultados obtidos pela indústria cearense em setembro demonstram também a capacidade de adaptação do setor às novas condições impostas pela pandemia. “Podemos identificar que a indústria cearense está tendo uma dinâmica de recuperação muito forte, pois busca incessantemente aumentar seus níveis de produtividade. Com a pandemia, abriram-se novos horizontes, no que diz respeito à transformação digital e à integração da indústria cearense com as cadeias de valor da indústria global. Esses fatores poderão trazer ganhos futuros para o aumento da competitividade da indústria do estado”, analisa o professor da Uece.

 

Resultados

Na média nacional, na comparação com igual mês do ano anterior, a produção industrial brasileira mostrou expansão de 3,4% em setembro de 2020, com 12 dos 15 locais pesquisados apontando resultados positivos nesse período. Vale citar que o mês de setembro de 2020 teve o mesmo número de dias úteis (21) que o mesmo mês do ano anterior.

O estado do Paraná (7,7%) teve a expansão mais acentuada na pesquisa, sua quinta taxa positiva consecutiva, acumulando um ganho total de 46,2% nesse período. Já as quedas apontadas pela pesquisa foram em Mato Grosso (-3,7%), no Rio de Janeiro (-3,1%), no Pará (-2,8%) e em Pernambuco (-1,3%).

Resultados projetam crescimento de outros setores da economia

Mais do que números atuais, os índices da produção industrial apontados pela pesquisa do IBGE podem ser o prenúncio de uma forte recuperação de todos os setores da economia. “Esses indicadores normalmente antecipam muito do que vai acontecer no mercado. Antes de aumentar o comércio e os serviços, é preciso toda uma base de indústrias fornecedoras”, projeta Lauro Chaves Neto. “Um exemplo são as indústrias de embalagens: quando elas aumentam a produção, é porque daqui há algumas semanas ou meses o comércio vai usar aquelas embalagens na venda no varejo”, explica o conselheiro federal do Cofecon.

De acordo com Helder Rocha, os dados de uma pesquisa como a realizada pelo IBGE também trazem a constatação de que naquela unidade territorial existe um setor industrial em plena atividade, “que transforma matéria-prima em bens de maior valor agregado. Esses bens poderão ser destinados para o consumo final ou poderão servir de insumos em outras indústrias”, descreve. “Há ainda os efeitos positivos dessa atividade: no entorno de uma indústria há toda uma cadeia de segmentos que dela depende ou a ela serve, como prestadores de serviços, transportes e trabalhadores autônomos, ou seja, são as ocupações indiretas”, completa o supervisor de Disseminação de Pesquisas do IBGE no Ceará.

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