Economia

Previsão de inflação sobe pela 17ª vez, mas ainda está dentro da meta, diz Banco Central

Mercado financeiro ajusta o IPCA em 4,21%, acima dos 3,54% projetados na semana passada. Taxa Selic deve ficar em 2% ao ano para o final de 2020. Os seguidos ajustes na previsão ocorreram pelo comportamento atípico do mercado

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A previsão da inflação brasileira para este ano subiu, mas ainda está dentro da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN). A projeção anterior para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice oficial da inflação no país – era de 3,54%, mas foi ajustada para 4,21%, de acordo com o Boletim Focus, divulgado ontem (7) pelo Banco Central.
Apesar de ser a 17ª alta seguida da estimativa, a inflação ainda é considerada dentro da meta, se ficar entre 2,5% e 5,5% – uma variação de 1,5% para mais ou para menos, dentro do centro da meta, de 4%.“Considerando que o ano de 2020 está sendo atípico para a saúde, para a economia, para a vida do país e do planeta, é um índice aceitável. Não é o fim do mundo, como tentam pintar”, avalia Lauro Chaves Neto, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e assessor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
O economista explica que os seguidos ajustes na previsão ocorreram pelo comportamento atípico do mercado, ainda em razão da pandemia. “Houve um choque de preços, em alguns setores por choque de oferta, em outros, pela desestruturação das cadeias produtivas e da cadeia de logística”, observa Lauro Chaves. “Além disso, o aumento da tarifa de energia, entre outros preços administrados, são fatores relevantes para esse ajuste na expectativa de mercado para a inflação”, completa.

Projeções
O Boletim Focus também atualizou a projeção da inflação para o ano que vem – com queda de 3,47% para 3,34%, em relação ao último levantamento, na semana passada. Para 2022 e 2023, a previsão manteve-se com taxas de 3,5% e 3,25%, respectivamente. “As previsões de inflação estão impactadas pela expectativa de que as diversas vacinas em desenvolvimento funcionem e sejam produzidas em escala suficiente para a sua universalização”, ressalta Lauro Chaves Neto. “A retomada da economia brasileira e mundial como um todo depende muito da estabilização da pandemia”, afirma. A previsão para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 2% ao ano para o final de 2020. Segundo a estimativa, a taxa deve ser de 3% ao ano, ao final de 2021. Até amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom), deve definir oficialmente a Selic para este ano. “A taxa Selic está no menor nível da nossa história, poderá ser reduzida um pouco mais, mas não muito, porque poderíamos entrar na armadilha da liquidez, quando existe um nível muito pequeno de taxa de juros e a política monetária passa a ser ineficaz. Portanto, pode ser que a taxa de juros ainda tenha uma pequena redução, mas sendo mantida no patamar atual e a inflação sob controle, são duas variáveis importantes para a retomada da economia em 2021”, avalia Lauro Chaves Neto.
Ainda de acordo com o boletim Focus, a cotação do dólar para o final deste ano está em R$ 5,22 – valor menor que o registrado há uma semana, quando estava em R$ 5,36. Para 2021, o mercado financeiro baixou a cotação do dólar para R$ 5,10. “A previsão de câmbio impacta na economia de diversas formas. Precisamos chegar num câmbio de equilíbrio, pois as exportações são favorecidas quando o dólar sobe, mas há também a importação de máquinas, equipamentos e matérias-primas, além do fluxo de investimento estrangeiro direto, que é impactado tanto pela cotação do câmbio como pela taxa de juros”, analisa.

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