Economia

Prévia da inflação de janeiro em Fortaleza é a terceira maior do Brasil, aponta IBGE

Apesar da queda em relação a dezembro, IPCA-15 deste mês foi de 0,97% na capital cearense, atrás apenas de Recife e Porto Alegre. Itens como vestuário e habitação puxaram o índice, que segue com tendência de instabilidade

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


A Região Metropolitana de Fortaleza teve o terceiro maior Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, considerando uma prévia da inflação) de todo o Brasil, em janeiro, conforme divulgado ontem (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta de preços na capital cearense foi de 0,97% – menos que a marca de 1,24% registrada em dezembro de 2020, mas acima da média nacional (0,78%) e atrás apenas de Recife (1,45%) e Porto Alegre (1,11%). No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 corresponde a 5,91% na capital cearense.
Para o professor Ismael de Oliveira Brasileiro Filho, coordenador dos cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira da Uniateneu, a leve queda da inflação em relação ao mês anterior em Fortaleza se deve a fatores como o fim do auxílio emergencial. “Com a ausência do benefício, é comum que haja uma redução do consumo, principalmente nas classes C e D. Por outro lado, as empresas, para alavancar as receitas, estão tentando não aumentar os preços ou conseguir alguma redução, com pacotes promocionais”, analisa.
Na visão do economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), a mudança da bandeira tarifária na cobrança de energia elétrica também contribuiu para a redução do índice. “A adoção da bandeira amarela, no lugar da vermelha, trouxe uma queda, ainda que pequena, para o índice inflacionário, no item habitação. Mas será importante observar como vão se comportar os índices inflacionários neste primeiro trimestre”, aponta.
De acordo com o levantamento do IBGE, os grupos que mais impulsionaram a inflação em Fortaleza foram vestuário (1,91%) e habitação (1,90%).
O grupo alimentação e bebidas também teve destaque, com a terceira maior variação (1,04%). Esses mesmos grupos tiveram grande influência sobre a inflação do ano passado. “Ainda estamos tendo um pouco do reflexo da inflação de 2020, que foi, em Fortaleza uma das maiores do Brasil. Por conta da alta do dólar, houve grande volume de exportações em 2020, e o nosso mercado, como é muito local, acabou sendo bastante impactado”, observa Ismael de Oliveira Brasileiro Filho.
Entre os itens que contribuíram para a alta inflacionária na capital cearense estão hortaliças e verduras (7,79%), carnes (2,03%) e enlatados e conservas (1,80%). “O isolamento social, uma certa escassez de produtos no mercado, a baixa produção local, a relativa baixa movimentação no mercado de trabalho, além da questão cambial, acabam impactando diretamente no preço desses produtos finais que chegam para o consumidor”, detalha o economista Wandemberg Almeida.

Alta geral
A taxa nacional de 0,78% do IPCA-15 em janeiro é inferior à observada em dezembro de 2020 (1,06%), mas superior a de janeiro do ano passado (0,71%). Essa é a maior taxa para um mês de janeiro desde 2016 (0,92%). Todas as regiões pesquisadas pelo IBGE em janeiro tiveram alta do índice. O maior crescimento ocorreu em Recife (1,45%), seguido por Porto Alegre (1,1%).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre os dias 12 de dezembro de 2020 e 14 de janeiro de 2021 (referência) e comparados com os vigentes de 13 de novembro a 11 de dezembro de 2020 (base). O indicador refere-se às famílias com renda de 1 até 40 salários mínimos, nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.

Analistas projetam instabilidade em 2021

Com o resultado de janeiro, o IPCA-15 no Brasil acumula taxa de inflação de 4,3% em 12 meses, acima dos 4,23% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Comportamento
De acordo com os analistas, o comportamento dos preços demonstra a tendência de instabilidade da inflação em 2021. “O aumento da oferta, por conta do início das chuvas, e a redução do consumo, em razão do fim do auxílio emergencial, podem contribuir para acomodar um pouco a inflação nesse começo de ano. No entanto, isso não é uma certeza. 2021 deve ser de variações e incertezas no mercado. Vamos precisar muito da calculadora e das planilhas para o controle, principalmente das pequenas e médias empresas e do orçamento familiar”, afirma o professor Ismael de Oliveira Brasileiro Filho.

Potencial
Apesar dos desafios, Wandemberg Almeida acredita que o mercado tem potencial para alcançar um desempenho melhor que o de 2020. “Algumas reformas, a serem adotadas ao longo do ano, podem diminuir a tributação sobre o setor produtivo e fortalecer a atividade econômica. Com isso, as indústrias poderão atender melhor o mercado”, projeta. Ele destaca ainda que “é importante observar o câmbio e equilibrar algumas incertezas, tanto políticas quanto econômicas, porque o país precisa transmitir mais confiança para o empresário e para os consumidores”, avalia o economista.

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