Economia

Participação na economia mostra a valorização das micro e pequenas empresas

Índices reafirmam capacidade do segmento de se adaptar às oscilações do mercado, mas qualificação ainda é entrave

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


Um segmento responsável por 33% do Produto Interno Bruto do país, fonte de recursos para 1,7 milhão de famílias brasileiras e que somente no Ceará cresceu 14% (de janeiro a setembro deste ano) em número de integrantes, em relação a 2019. Os dados resumem a participação na economia das micro e pequenas empresas, que apesar de não estarem imunes às oscilações do mercado, apresentam boa capacidade de recuperação.
Afinal, de acordo com levantamento do Sebrae Nacional, depois de terem encerrado 1 milhão de postos de trabalho entre março e junho, voltaram a gerar 443 mil empregos nos meses de julho, agosto e setembro.
No mesmo período, as companhias maiores criaram 245 mil vagas. “O cenário do empreendedorismo nacional e estadual possui paradigmas mais curtos, em virtude das novas tendências e tecnologias. O surgimento do Microempreendedor Individual (MEI), em 2009, vem contribuindo de forma significativa para o crescimento do número de novos negócios, elevando a participação desses empreendimentos na geração de riquezas do Estado e do país”, analisa Alice Mesquita, assessora executiva do Sebrae-Ceará.
De acordo com os analistas, a recuperação das micro e pequenas empresas mostra a força desse segmento, com alta capacidade de adaptação às mudanças da economia, inclusive em nosso estado. “A economia cearense conta mais de 90% de micro e pequenas empresas atuantes, com extraordinária contribuição para o contexto socioeconômico local”, analisa o consultor de empresas Wilson Linz, professor de empreendedorismo na Universidade de Fortaleza. “Em todos os municípios cearenses estão presentes inúmeros tipos de negócios, desde o tradicional varejo de itens e serviços até a manufatura. São agentes de fortalecimento do cenário regional, que também ajudam a fixar os habitantes em seu solo natal”, observa o consultor.

Facilidades
Quem abre uma micro ou pequena empresa hoje no Brasil tem à disposição uma série de facilidades em relação à legislação. A Lei da Micro e Pequena Empresa, que entrou em vigor em 2006, passou a conceder facilidades fiscais e trouxe menos burocracia para o início das atividades. Com isso, houve a unificação de impostos, no chamado Simples Nacional, a criação de linhas especiais de crédito e benefícios na participação em licitações públicas.

Falta de capacitação
Por outro lado, um dos entraves para as empresas de menor porte ainda é a capacitação. Entrar no mercado sem a devida qualificação não é um bom negócio. “O mercado atual, visto sob a ótica de oportunidades, não aceita mais uma postura amadora. O pequeno empreendedor necessita de orientações sobre custos, precificação, canais de comercialização, formas de comunicação, entre outras. Uma empresa deve ser tocada dentro de sistemas de gerenciamento com planejamento e controle devidamente adaptados ao seu porte e à filosofia de atuação”, recomenda o consultor Wilson Linz.

Gestão profissional
Alice Mesquita reforça a necessidade de uma gestão profissional para as micro e pequenas empresas. Ela informa que uma pesquisa realizada este ano pelo Sebrae identificou alguns fatores importantes para a longevidade dos empreendimentos. “Foram apontados a experiência anterior do empresário no mesmo ramo, o aperfeiçoamento sistemático de produtos e serviços às necessidades dos clientes e o acompanhamento rigoroso da evolução das receitas e das despesas ao longo do tempo”, enumera a assessora executiva do Sebrae-Ceará.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS