Economia

Pandemia eleva inflação de 2020 em Fortaleza; a 3ª maior do país

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou o ano em 5,74% - acima da média nacional, que foi de 4,52%. Em dezembro, inflação voltou a acelerar, em comparação com novembro

Giuliano Villa Nova
economial@ootimista.com.br


A Região Metropolitana de Fortaleza terminou 2020 com uma inflação de 5,74%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação na capital cearense foi acima da média nacional, que alcançou 4,52%. Com esse resultado, Fortaleza ficou em 3º lugar no ranking da alta de preços do ano que passou, atrás de Campo Grande (6,85%) e Rio Branco (6,12%). Todas as 16 localidades pesquisadas pelo IBGE tiveram alta de preços em 2020.
“Quem comanda o preço é a renda. Em Fortaleza, houve uma injeção considerável de recursos do auxílio emergencial, o que gerou renda extra, direcionada para o consumo dos itens de alimentação, que apresentaram a maior alta. Além disso, o fato de as pessoas terem que ficar em casa cooperou para a disfuncionalidade da economia: alguns setores não produziram e outros tiveram comportamento de venda. Por outro lado, estruturalmente, Fortaleza produz muito pouco dos itens verificados pela inflação. Com isso, temos um custo de logística pesando sobre esses produtos”, explica o economista Paulo Roberto Kuhn.
“Houve o aumento de alguns produtos da cesta básica, como o arroz, o feijão e o tomate, o que impactou principalmente a parcela mais necessitada da população”, acrescenta o economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE).
De fato, nos 12 meses do ano passado, o que mais pesou para a elevação do índice de inflação em Fortaleza foi a alta de 16,14% nos preços de alimentos e bebidas, seguida do aumento de 6,45% nos preços da habitação. “A cultura tem reflexo no consumo. Somos um povo muito festeiro e receptivo, e considerando todo mundo preso em casa, resultou no consumo maior de alimentos. Basta verificar que nunca se pediu tanta comida e bebida em domicílio quanto em 2020. E quanto mais se procura um produto ou serviço, a tendência é que ele aumente de preço”, analisa. “Isso também se refletiu nos índices ligados à habitação, porque muitas pessoas fizeram reformas e pequenas obras, aproveitando o momento de estarem em casa”, explicou Ismael de Oliveira Brasileiro Filho, professor e coordenador dos cursos de Ciências Contábeis e Gestão Financeira da Uniateneu.
No mês de dezembro, a inflação voltou a acelerar, em comparação com os 30 dias anteriores. O último mês do ano teve variação de 1,46%, contra 0,8% de novembro.
“2020 foi um período atípico, e neste final de ano houve um aumento das pessoas circulando. Com mais pessoas nas ruas, consumindo, além de ser uma época de festas, o resultado foi a aceleração da inflação. Outro fator é que muitas empresas precisaram oferecer produtos e serviços com margem de lucro maior para tentar diminuir os prejuízos”, ponderou Ismael de Oliveira.

Capital também tem alta no INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) terminou 2020 também em alta em Fortaleza, na marca de 6,32%. O índice supera 2019, quando chegou a 4,96%. O INPC, que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, é utilizado para medir reajustes salariais e inflação.
O economista Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, do IBGE, observa que o INPC ficou acima do IPCA no acumulado do ano. “Isso é explicado, em grande medida, pelo peso de alimentação e bebidas na cesta de produtos e serviços das famílias, que é maior no INPC do que no IPCA”, detalha.

Desafios
Para Ismael de Oliveira, o ano de 2021 vai trazer novos desafios para a economia nacional. “Ainda estamos em um período de incertezas em relação ao controle da pandemia. O fim do auxílio emergencial também pode trazer dificuldade de consumo para boa parcela da população. E há outros fatores macro, como as oscilações do câmbio e a necessidade das reformas tributária e administrativa. Por isso, se torna cada vez mais importante a questão das finanças pessoais e para pequenas e médias empresas, de modo a ter ferramentas para tomar boas decisões”, projeta.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS