Economia

Open banking deve trazer vantagens para clientes e instituições financeiras

Nova tecnologia vai promover o compartilhamento de dados dos clientes – desde que eles autorizem – e aumentar a concorrência e a oferta de produtos entre os bancos

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

Maior concorrência entre os bancos, oferta de produtos e serviços mais vantajosos para os clientes e valorização do histórico dos correntistas, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Essas são algumas das consequências esperadas da implantação do open banking, que entrou na primeira fase ontem (1º). Coordenado pelo Banco Central, essa tecnologia vai permitir o compartilhamento dos dados dos clientes – desde que eles autorizem – pelas instituições financeiras, através da integração dos sistemas.
“Na prática, o cliente terá um maior poder de escolha, porque poderá buscar o melhor pacote de serviços, com um preço mais acessível”, observa o economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).
Como exemplo, um cliente que possua conta corrente em um banco A, inicialmente tem todo o seu histórico e dados pessoais presos àquela instituição. Com o open banking, ele tem uma liberdade de escolha maior. “Com essa abertura das informações pessoais para outras instituições financeiras, elas também vão tomar conhecimento do histórico daquele cliente, do seu perfil de consumo e poder ofertar produtos que sejam favoráveis para ele”, explica Almeida. “Porém, é importante ressaltar que esse compartilhamento só vai acontecer com a autorização do correntista”, destaca.
De acordo com o economista, o open banking também será vantajoso para as instituições financeiras. “Elas poderão ter acesso maior a essas informações e aumentar suas carteiras, melhorar seus produtos e serviços, para atender um maior número de clientes”, observa. “Essa concorrência, que tende a ser mais agressiva, também será benéfica para os bancos, pois teremos novos produtos no mercado e uma atenção maior por parte desses bancos, a fim de reterem seus clientes e atraírem futuros clientes”, detalha o economista.
O compartilhamento de dados pessoais é seguro, pois o sistema está sob coordenação do Banco Central. “Um importante objetivo do Banco Central é tornar o sistema financeiro nacional mais eficiente, moderno e promover a democratização dos serviços através da tecnologia”, disse Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

Instituições autorizadas

Só poderão participar do sistema instituições reguladas, autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central, sujeitas às punições administrativas por quebras de sigilo bancário.

É obrigatória a inclusão dos grandes bancos (classificados como S1, com porte igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto, ou que exerçam atividade internacional) e do segmento S2 (porte inferior a 10% e igual ou superior a 1% do PIB). Para as demais instituições, a participação é facultativa.

Fases

O cronograma do open banking tem quatro etapas. A segunda fase será em julho, a terceira, em agosto. A quarta e última fase foi transferida para 15 de dezembro, quando as instituições financeiras poderão trocar informações entre si para oferecer produtos personalizados.

“Estamos entrando em uma nova fase do sistema bancário brasileiro. Utilizando o meio digital, já temos diversos bancos e serviços, além de milhões de pagamentos diários. O open banking veio para trazer mais modernidade e transparência, com mais qualidade, confiança e segurança para o consumidor”, projeta o economista Wandemberg Almeida.

As informações sobre as instituições participantes e as especificações técnicas estão no portal do Open Banking: https://openbankingbrasil.org.br/

Moderno, sistema já é adotado em outros países

O sistema open banking, que começou a ser implantado no Brasil ontem, foi elaborado com base em experiências internacionais e, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netos, continuará a evoluir com o desenvolvimento do próprio mercado, para criar, a partir de uma série de ações, o “sistema financeiro do futuro”. Essa agenda do Banco Central inclui o aperfeiçoamento do sistema de pagamentos instantâneo (Pix) – que entrou em funcionamento em novembro de 2020 – e a modernização da legislação cambial.

No Reino Unido, o sistema open banking foi implantado em 2018. Para criar consenso entre o setor financeiro, o governo e os clientes, foi criado um órgão regulador, o Open Banking Implementation Entity (OBIE). No entanto, mesmo com avanços, o modelo britânico de open banking se limita às contas-correntes e à concessão de crédito.

De qualquer forma, o modelo de maior compartilhamento de dados se espalhou para outras localidades. Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Hong Kong, Japão e União Europeia estão em estudos para a implantar o conceito, com funcionamento semelhante.

“É importante a implantação de um sistema como esse, porque começamos a perceber o quanto estamos evoluindo diante de um cenário tecnológico internacional”, avalia o economista Wandemberg Almeida.

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