Economia

O salto da indústria 4.0 em 2020

Usando conceitos do mundo digital, a Quarta Revolução Industrial aumenta a competitividade das empresas. Digitalização tem a capacidade de ampliar os lucros e a quantidade de postos de trabalho

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


Internet das coisas, robótica, automação, sensores inteligentes. Termos como esses só eram conhecidos, até alguns anos atrás, em filmes de ficção. Porém, na atualidade, são conceitos presentes no dia a dia das indústrias brasileiras, pois representam alta produtividade, qualidade e eficácia.
A chamada Indústria 4.0, que também integra produtos e serviços de empresas cearenses, é considerada por especialistas um caminho sem volta: todos terão que se adaptar, para não perder competitividade. “A Indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, trabalha no mundo digital, com tudo aquilo que transforma em mais produtividade, agilidade e raciocínio. É a tecnologia em benefício da qualidade, da produtividade e do bem-estar humano”, define Lauro Chaves Neto, consultor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Digitalização
Enquanto principal instituição do setor industrial no Ceará, a Fiec tem implantado a digitalização em todas as suas atividades, disseminando os conceitos da Indústria 4.0 para as coligadas – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN) e Observatório da Indústria. “Também trabalhamos esse tema com os 40 sindicatos que fazem parte da Fiec, englobando todos os setores da indústria cearense. Esse movimento rumo à transformação digital está inserido na Plataforma para o Desenvolvimento Industrial Cearense, publicação que contém as diretrizes para o futuro da nossa indústria”, explica Lauro Chaves Neto.

Produtividade
A adoção das tecnologias da Indústria 4.0 é capaz até de amenizar os prejuízos da pandemia sobre as empresas, constatou uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Conforme o estudo, 54% das indústrias que adotaram de uma a três tecnologias digitais no ano passado, tiveram lucro igual ou maior que no período pré-pandemia. Esse resultado é 7% superior ao da indústria tradicional.
Esse conjunto de inovações também amplia os resultados do setor de confecções. “Novas ferramentas tecnológicas podem trazer inúmeros ganhos, como tecidos que se ajustem ao corpo ou clientes que vivenciem a experiência de como uma peça vai vestir, antes mesmo que ela seja produzida. Já temos máquinas com capacidade produtiva infinitamente maior e com funções que antes só eram realizadas por várias máquinas ou grupos de pessoas”, comenta Elano Martins Guilherme, presidente do Sindicato de Confecções de Roupas e Chapéus de Senhoras no Estado do Ceará (Sindconfecções-CE).

Mão de obra qualificada
Outro mito que cai por terra é o de que a Indústria 4.0 provoca desemprego. A pesquisa da CNI aponta que 30% das indústrias que adotaram até três tecnologias digitais tinham ampliado os quadros de funcionários em relação ao período pré-pandemia. “No entanto, cabe destacar que trata-se de uma mão de obra mais qualificada, capaz de operar os sofisticados softwares e hardwares da robotização”, destaca o consultor e empresário Alexandre Pierro, especialista em sistemas de gestão.
“O setor industrial deve agregar competitividade e eficiência aos processos, tendo as empresas de energia, manutenção e automação como provedoras, com aplicações tecnológicas, em sua maioria. Com isso, é possível promover maiores investimentos na qualificação de mão de obra, maior valor agregado para aquisição e manipulação de equipamentos ainda mais complexos”, observa Maurício Milhomen Gonçalves, membro da diretoria do Sindicato das Indústria de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE).

 

Mercado de inovação cearense tem grande espaço para crescer

Boa parte da indústria cearense se movimenta para adequar-se aos conceitos da Indústria 4.0. No entanto, o ciclo está apenas no início. “Começamos a ver algumas ações. Em relação à quantidade de empresas que iniciaram as jornadas de transformação, estimamos em cerca de 1%”, diz Gleison Ribeiro Cruz, consultor de Serviços Técnicos e Tecnológicos III, do Instituto Senai de Tecnologia em Eletrometalmecânica.
Nos últimos três anos, o Senai-CE tem trabalhado em conjunto com médias e pequenas empresas. “Desenvolvendo projetos com a IoT, a computação em nuvem, o sensoriamento, a conectividade e a análise de dados em tempo real. Executamos projetos de Inteligência Artificial para reconhecimento de padrões e gerenciamento de serviços. Na área de realidade aumentada, estamos desenvolvendo soluções em parceria com o Senai-RJ”, descreve Gleison. Representantes do setor industrial afirmam que o conceito 4.0 será obrigatório para quem quiser se manter no mercado. “Os ganhos de competitividade, com redução de custos e maior eficiência, são inerentes à Indústria 4.0, além da visão integrada entre os processos, o que traz uma vantagem potencial aos que se lançarem nessa jornada”, observa Maurício Milhomen Gonçalves, membro da diretoria do Sindienergia-CE.
“A implantação de novas tecnologias deve ser constante, buscando trazer diferentes resultados, como o aprimoramento dos produtos e o aumento da produtividade. O futuro, para quem estiver no setor da moda, sem esses avanços tecnológicos, será muito desafiador”, projeta Elano Martins Guilherme, presidente do Sindiconfecções-CE.

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