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O equilíbrio entre ética, ciência e humanismo na Medicina

O desenho do homem vitruviano e suas formas proporcionais registradas por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos simbolizam o ideal clássico de equilíbrio e de harmonia. A obra de arte remete também ao Humanismo, corrente que traz ao centro do debate a condição humana, a valorização da ciência e o afastamento dos dogmas. Essa busca do equilíbrio permanente entre racionalidade e humanismo persiste em 2020.

Na Medicina, o objetivo maior de servir ao homem e à sociedade norteia a prática profissional, tanto que esse é o primeiro dos 26 princípios fundamentais do Código de Ética Médica no Brasil, atualizado em 2019:  “A medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza”. Especialmente no Dia do Médico, 18 de outubro, cabe a reflexão sobre os desafios dos discípulos de Hipócrates de agir sempre com respeito e ética, garantindo qualidade e segurança no atendimento aos pacientes.

A pandemia de covid-19 impôs meses árduos para quem está na linha de frente da crise sanitária de âmbito mundial. Em meio a tudo isso, o cumprimento rigoroso do Código de Ética Médica é ainda mais essencial. Ao passo em que precisa  de constante atualização científica, o profissional médico busca que a humanização não perca espaço no relacionamento com o paciente e familiares, especialmente nos momentos mais críticos. Estar a par dos avanços tecnológicos é tão imprescindível quanto valorizar a relação médico-paciente, com uma escuta ativa, comunicação acessível e conduta ética.

Na oncologia, meu ramo de atuação, este mês também é marcado pela campanha Outubro Rosa. É um período no qual se investe em mais informações sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce em relação ao câncer de mama. O Instituto Nacional do Câncer estima que serão 66 mil novos diagnósticos desse tipo no Brasil só em 2020. Os avanços nas condutas oncológicas têm levado a tratamentos cada vez mais personalizados e à busca pelo estabelecimento de relações de fato humanizadas dos trabalhadores da saúde com quem enfrenta o câncer, ainda tão estigmatizado.

Diante da complexidade do exercício profissional médico, seus direitos e deveres, temos muito a conquistar em relação às formas da sociedade brasileira lidar com a própria saúde. Afinal, essa definição contempla “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”, segundo conceito adotado pela Organização Mundial da Saúde. Portanto, a cada médico é feito um chamamento diário: lidar com as próprias limitações e com eventuais condições adversas para reconhecer-se, além de tecnicamente preparado, extremamente humano e ético..

Aurillo Rocha é oncologista, diretor do Núcleo de Oncologia e Hematologia do Ceará, doutor em farmacologia clínica pela UFC

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