Economia

Nova gestão terá como desafio fortalecer a economia local, projetam especialistas

Entre as prioridades anunciadas pelo prefeito eleito, José Sarto (PDT), está a recuperação econômica. Para especialistas, ações voltadas para a redução das desigualdades, além de fortalecimento da economia criativa, são algumas estratégias

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Alavancar a economia é um dos principais desafios da próxima gestão municipal, como reconhece o prefeito eleito José Sarto (PDT). Com as dificuldades trazidas pela crise iniciada na pandemia, o fomento ao empreendedorismo e apoio ao empresariado estão entre as prioridades do quadriênio de mandato na Capital cearense.
“Nós temos três pilares fundamentais como prioridades de governo. O primeiro é a recuperação econômica, com geração de emprego e renda, por conta da crise batendo na nossa porta. Depois, a questão sanitária e a vacinação. E outro grande desafio é o retorno às atividades escolares e recuperação do calendário escolar”, pontuou Sarto em discurso após vitória confirmada na noite do domingo (29).
Empresas fechadas, postos de emprego descontinuados e redução da renda familiar de autônomos são algumas das dificuldades percebidas nas grandes cidades do País. Em Fortaleza, não tem sido diferente. E com o iminente fim do auxílio emergencial, que tem reaquecido setores como varejo e serviços, economistas analisam que a crise pode ser agravada já no início de 2021. “Os desafios econômicos da próxima gestão da Prefeitura estão totalmente ligados à redução das desigualdades sociais e territoriais existentes na cidade. Fortaleza tem territórios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito baixos e outros com IDH muito elevado”, destaca Lauro Chaves Neto, conselheiro Federal de Economia, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona.
Segundo Lauro, estão entre as saídas a geração de oportunidades de crescimento equilibradas, estímulo à cadeia turística da cidade (cultura, hotelaria, gastronomia, dentre outros), e fomentar as pequenas indústrias locais, além da integração e modernização do comércio. “Isto precisa ser feito por articulação com o setor privado e com a sociedade civil para potencializar esse crescimento da economia de Fortaleza e reduzir a exclusão social”, completa.
Raul dos Santos Neto, economista e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef Ceará), lembra que alguns dos desafios na Cidade são antigos e integrados com outras áreas. Ele exemplifica obras de infraestrutura que poderiam gerar dinâmica econômica, como construção e reforma de escolas e unidades de saúde; replanejamento habitacional e construção de moradias; e grandes obras de mobilidade urbana iniciadas ou aceleradas.
“Acredito que deve haver cuidado com os planos de obras e localizações, porque isso foi motivo de queixa na gestão do prefeito Roberto Cláudio. Claro que tem a questão da mobilidade, mas o comércio em grandes avenidas foi prejudicado”, frisa, referindo-se aos prejuízos com obras em corredores varejistas como Dom Luís, Sargento Hermínio, Monsenhor Tabosa, Aguanambi e Bezerra de Menezes.

Economia criativa
O fortalecimento da Economia Criativa e a aproximação a agências e bancos de fomento também são oportunidades, segundo os especialistas. O apoio ao empreendedorismo local também pode ser estruturado na revisão da tributação municipal, eliminando burocracias e flexibilizando a abertura de novos negócios. “A gestão pode pensar ainda em programas para injetar dinheiro na economia, mas de forma inteligente e não assistencialista. Alguns projetos engavetados poderiam ser retomados, como um porto digital, os atrativos culturais, a revitalização da Praia de Iracema e a infraestrutura turística, favorecendo a vocação turística da cidade”, acrescenta Raul.

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