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Nova cepa do coronavírus provoca restrições de circulação na Europa

Descoberta no Reino Unido, mutação é possivelmente mais contagiosa que a versão original. Países estudam suspender voos e impedir a entrada de pessoas nas fronteiras.

(Foto: Daniela Souza/Folhapress)

A descoberta de uma nova cepa do coronavírus no Reino Unido provocou reações de vários países da Europa: a Itália, a Holanda e a Bélgica suspenderam neste domingo (dia 20) as viagens oriundas da Grã-Bretanha; a Alemanha e a França estudam adotar medida semelhante. A mais recente variação do coronavírus – que também foi detectada na África do Sul – pode ser ainda mais perigosa. Além do território britânico, alguns casos da nova cepa do vírus foram notificados na Dinamarca, na Holanda e na Austrália.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou que, segundo os primeiros dados, o vírus que circula em Londres e no Sudeste da Inglaterra é até 70% mais contagioso que a cepa anterior. Como medida preventiva, o governo daquele país decidiu reconfinar as duas regiões para tentar conter o aumento de contágios. Elas estão no nível mais alto de um sistema de regras de três níveis, e agora serão colocadas em um novo nível 4.

“Temos o dever de proteger os italianos e, por essa razão, vamos assinar com o ministro da Saúde um decreto para suspender os voos com o Reino Unido”, escreveu o Luigi Di Maio, ministro das Relações Exteriores da Itália, em seu perfil no Facebook. Independentemente dessa medida, os italianos estarão sob confinamento durante o período de Natal e Ano Novo, informou o primeiro-ministro Giuseppe Conte. Lojas, restaurantes e bares não essenciais ficarão fechados.

Alemanha e França  anunciaram que avaliam impedir a entrada de pessoas que venham do Reino Unido. Além disso, o governo alemão estuda suspender os voos procedentes do Reino Unido e da África do Sul. A Holanda, assim como a Bélgica, suspendeu até 1º de janeiro todos os voos de passageiros procedentes da Inglaterra, e o mesmo pode acontecer com as viagens de trens.

Controles

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos países europeus que “fortaleçam seus controles e aumentem a capacidade de sequenciamento do vírus” antes de saber mais sobre os riscos apresentados por essa variante, que “também pode afetar a eficácia de alguns métodos diagnósticos, segundo informações preliminares”.

Os ingleses serão obrigados a ficar em casa, exceto por motivos essenciais, como trabalho. O comércio não essencial será fechado, assim como atividades de lazer e entretenimento. A reunião social será limitada a encontrar uma outra pessoa em um espaço ao ar livre. As novas restrições, que afetam mais de 18 milhões de pessoas, começaram a valer ontem.

As novas medidas foram desenhadas para separar a capital e as cidades ao redor do resto do Reino Unido. São as ações mais severas que o governo já tomou desde o lockdown nacional que vigorou em março e refletem o medo de que a nova variante possa aumentar a transmissão do vírus durante o inverno.

Outros países também temem a expansão da nova cepa do coronavírus e anunciaram medidas preventivas. A Áustria deve entrar em seu terceiro confinamento após o Natal: a partir de 26 de dezembro, lojas não essenciais serão fechadas. A Suécia recomendou o uso de máscaras faciais nos transportes públicos, mudando a orientação anterior.

O estado mais populoso da Austrália, New South Wales, anunciou novas restrições a reuniões familiares e locais de hospitalidade para a área da Grande Sidney, em uma tentativa de conter um surto crescente. Os moradores já haviam sido orientados a ficar em casa. (Com Agências)

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