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Murilo Pascoal, CEO do Beach Park, fala sobre as transformações e projetos do complexo turístico

CEO de um dos parques aquáticos mais famosos do mundo, Murilo Pascoal tem 25 anos de experiência no mercado, dos quais 18 são à frente do Beach Park, marca do Ceará. Natural de Sorocaba (SP), ele fala sobre sua trajetória profissional, transformações na área do turismo e lazer, e o que a empresa tem feito para continuar crescendo com inovação e sustentabilidade

Helaine Oliveira
helaineoliveira@ootimista.com.br

O Beach Park antes e depois dele. Assim é possível traduzir o trabalho que o CEO de um dos parques aquáticos mais famoso do mundo, Murilo Pascoal, vem desempenhando em terras cearenses desde que desembarcou por aqui, há 18 anos. Natural de Sorocaba, São Paulo, ele tem 25 anos de experiência no mercado de parques e atrações temáticas. É formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com especialização em operação de parques temáticos, aquáticos e atrações pela Iaapa/Cornell Institute.

Em 2021, foi eleito um dos executivos de destaque nacional na lista dos “100 mais Poderosos do Turismo Panrotas ELO 2021” – 11ª edição. Ao O Otimista, Murilo Pascoal fala sobre os desafios que a pandemia trouxe para o empreendimento, localizado no município cearense de Aquiraz, e sobre os planos para expansão dos negócios.

O Otimista – Você pode falar um pouco sobre a sua trajetória e do encontro com o Beach Park?

Murilo Pascoal – Sou de Sorocaba, interior de São Paulo, e fui fazer faculdade em São Paulo. Logo que me formei em administração de empresas, em 1993, fui trabalhar com entretenimento desse tipo. Trabalho no setor há quase 30 anos. Em 2004, fui convidado a trabalhar no Beach Park e me mudei para o Ceará, completando 18 anos em 2022. Temos duas filhas cearenses e a minha vida se juntou com a vida do Beach Park nessa história.

O Otimista – Como foi a sua visão do novo cearense, trazendo seu olhar sobre o Ceará para o destino turístico que o Beach Park é?

Murilo Pascoal – Desde que me formei, trabalho nesse setor de entretenimento e turismo. Antes de vir para cá, estava trabalhando em um parque de São Paulo, de uma bandeira americana. Eu era o responsável pelo empreendimento. Foi então que recebi o convite e vim aqui para visitar. Eu já conhecia, já tinha visto, pois já tinha vindo como turista, já tinha gostado muito da experiência do parque, da praia…  E aí, tanto pelo produto, que achei muito bom, quanto pelas condições, e o clima espetacular, achei interessante vir para cá. Lá, eu tinha uma dificuldade que era o clima. Fazíamos planos e projetos e mil ideias, e de repente entrava uma frente fria e a temperatura caia de 30 graus para 16 graus no mesmo dia, e os planos iam todos embora. Sabia que aqui isso não ia acontecer. Além disso, gostei muito dos acionistas, tivemos uma relação muito boa e isso ajudou muito na minha decisão de mudar a minha vida de São Paulo aqui para o Ceará.

O Otimista – Nesse olhar do turismo voltado para São Paulo e do turismo voltado para o Nordeste, quais foram as modificações que você trouxe?

Murilo Pascoal – Trabalhava em uma empresa que focava muito no turismo local. O Beach Park é diferente, é marca do turismo nacional e internacional. É uma das âncoras do turismo do Ceará, um estado com muita relevância e superinteressante. Vendo isso, fui aprendendo com essa nova realidade, trazendo um pouco da experiência que eu tinha acumulado até então, do conhecimento que tinha da operação, da parte de alimentos e bebidas, de ingressos, de como vender… Além disso, aqui, tive a oportunidade de aprender sobre hotelaria, e uma das coisas que mais gosto é aprender e trazer esse aprendizado para dento da empresa.

O Otimista – Lembramos do parque aquático, mas o Beach Park é muito mais. Nessas modificações de conversar com o cliente e os aprendizados que tiveram, quais são os pontos mais relevantes?

Murilo Pascoal – A qualidade do serviço e a constante inovação, sempre colocando atrações novas, sempre desenvolvendo novos meios de hospedagem e criando um formato de trabalho positivo, com qualidade de serviço, gerando sempre curiosidade, interesse do cliente em visitar o parque não só uma vez, mas outras vezes também.

O Otimista – O Beach Park recebe turistas do mundo inteiro com perfis diferenciados. Como vocês pensam esse público e como é feita a ação junto a determinados nichos?

Murilo Pascoal – Temos muitas famílias, grupos de amigos, casais. Na parte hoteleira, já é mais voltado para famílias. Na parte dos restaurantes, é mais família e grupo de amigos. Procuramos identificar isso e trabalhar com foco em cada grupo, com comunicação específica, e isso ajuda muito também no desenvolvimento do produto.

O Otimista – A linguagem do Beach Park também modificou, com o impulso das redes sociais, a forma de conversar com o turista. Como vocês avaliam isso?

Murilo Pascoal – Toda essa transformação da parte de comunicação que era baseada no offline, com alguns pilares, como celebridades, revistas e TV fechada, foi intensa com a mídia digital e as redes sociais. A forma que a gente trabalhava mudou um pouco, mas o espírito, no fim, é o mesmo. De conseguir conversar com os clientes, e as redes sociais possibilitam isso.  O nosso Instagram, por exemplo, tem mais de 400 mil seguidores, e isso possibilita ter essa relação mais próxima com o cliente.

O Otimista – Como foi a relação do parque com a pandemia de covid-19?

Murilo Pascoal – Logo no início do retorno das atividades, ainda com as restrições, tivemos que criar outros modelos de comercialização, vendendo ingresso por agendamento. Isso também nos permitiu fazer promoções mais pontuais, mais específicas. Então, foi muita mudança que a gente precisava fazer, algumas que já deveriam ter sido feitas, e a pandemia meio que acelerou tudo isso para a gente.

O Otimista – Todos os mercados modificaram seus olhares ao longo da pandemia. Com relação ao turismo, não foi diferente. Como você avalia esse momento agora, uma vez que o turista já está mais cauteloso com relação à saúde e aos protocolos de biossegurança?

Murilo Pascoal – Foi um desafio do ponto de vista operacional. Tivemos que fazer essa transformação com a operação parada, mas depois retomamos. Cada momento pedia um tipo de relação e fomos seguindo conforme o decreto do governo estadual. Tivemos que ter flexibilidade muito grande da nossa equipe, e isso foi muito bacana porque todo mundo entendeu e teve boa vontade, tanto do lado do colaborador quanto do cliente. Tivemos que operar o parque com máscaras. Imagina um parque aquático onde as pessoas andam com máscara? Para o cliente, não é a melhor coisa do mundo, mas precisávamos fazer. Alguns reclamaram, mas a maioria entendeu a situação.

O Otimista – Quais as novidades do parque?

Murilo Pascoal – Estamos com um ano muito bom. Voltamos ao volume de 2019, antes da pandemia. Mas o motivo é a inovação, que vai sendo construída tijolo a tijolo. A última novidade que lançamos foi o Tobomusik, uma parceria com o Alok, dentro da questão da inovação, o DNA da empresa. Não somente era uma atração nova, mas trouxemos elementos novos, como luz e música para dentro do toboágua. Não é super radical, ele é mais suave e qualquer pessoa pode usar. Temos caixas de som distribuídas pelo brinquedo, com efeito de luz diferente e uma playlist com músicas diferentes. Estamos bem felizes com esse resultado.

O Otimista – Além dessa, temos a Vilas do Mar, inaugurada em 2015, lugar para unir as famílias. Como vocês analisam esses produtos?

Murilo Pascoal – Vimos a necessidade de ter algo para se fazer à noite. Todo turista que vai pra uma praia do Brasil quer ir no centrinho daquela praia, passear, tomar um sorvete… E aqui não tínhamos isso. Nós tínhamos esse desejo e, em 2015, conseguimos realizar. Fizemos um restaurante e, depois, vimos que uma pizzaria seria mais interessante e fizemos essa transformação. E seguimos transformando.

O Otimista – Em termos de números, como o Beach Park se mostra hoje?

Murilo Pascoal – Antes da pandemia, tínhamos 1 milhão de visitantes no parque. Com a crise sanitária, claro que esse número caiu, mas hoje estamos retomando próximo disso.

O Otimista – Você pode falar um pouco sobre o novo empreendimento do complexo, o Ohana Beach Park Resort, lançado em junho?

Murilo Pascoal – A gente está sempre construindo essa história com mais entretenimento e mais hospitalidade. Inauguramos o Tobomusik e lançamos o Ohana, que é novo resort dentro do complexo. É um hotel, não vai ter unidades à venda. Um empreendimento para ficar pronto em três anos. Terá 218 apartamentos, sendo 198 de 42 metros quadrados e 20 de 82, 120 ou 300 metros quadrados. Estamos muito felizes com esse projeto. Ficou muito agradável. Uma expectativa de oferecer produto de alto nível para o nosso cliente.

O Otimista – O Beach Park trouxe muito desenvolvimento para a região de Aquiraz, principalmente, do Porto das Dunas. Como você enxerga isso?

Murilo Pascoal – Virou uma âncora para o desenvolvimento imobiliário da região do Porto das Dunas. Vimos o desenvolvimento que teve, que foi muito forte. Com a duplicação da CE-040, vimos uma segunda onda desse movimento, o que tem a ver com a proximidade de Fortaleza. Tudo isso ajuda esse movimento.

O Otimista – Sobre as certificações que o Beach Park recebeu ao longo dos anos, quais foram as mais importantes?

Murilo Pascoal – A ISO 14000 e a 22000. A primeira é de meio ambiente e quer dizer que tudo o que acontece dentro da empresa está de acordo com os preceitos do meio ambiente. Trabalhamos três anos para conseguir essa certificação. Fizemos todo o trabalho de consultoria para nos auditar. Gosto muito desse processo porque é de melhoria contínua. A ISO 22000 é de segurança alimentar, ou seja, certifica que todos os processos de preparo dos alimentos seguem os preceitos de segurança alimentar. Também recebemos o certificado de lixo zero. Além disso, temos uma série de ações que olham para essa parte de ESG, como limpeza da praia, plantio de árvores, com as tartarugas, uma vez que aqui é uma região de desova de tartarugas. Treinamos o nosso funcionário para saber o que fazer com elas. E na parte social também. Temos um programa de treinamento de funcionários para além da quantidade de contratações que fizemos.

O Otimista – Muito se fala sobre sustentabilidade, mas como é pensar o destino da água, do lixo, conscientizar as pessoas… Como é esse trabalho no Beach Park?

Murilo Pascoal – Isso já faz parte da nossa maneira de pensar. Temos uma estação de tratamento de esgoto que trata toda a nossa água. Reutilizamos essa água. No empreendimento é da mesma forma. Nós reciclamos o lixo. Todos os nossos empreendimentos nossos já nascem nesse contexto. É uma lógica que só funciona se for assim. Já faz parte do padrão.

O Otimista – Com relação ao social, muitas ações são feitas com crianças, grupos de pessoas assistidas. Como pensaram isso ao longo desse período?

Murilo Pascoal – Temos várias ações. Fazemos parte de um movimento do mundo inteiro que é a maior aula de natação do mundo, onde todos os parques aquáticos do mundo se envolvem. A ideia é fazer a conscientização de que é importante a natação para a segurança aquática. Já fazemos isso há dez anos. Neste ano, fizemos com mais mil crianças. Mas temos várias outras ações, como um programa para tratar de crianças que têm necessidades especiais. Temos essa preocupação e faz parte do nosso dia a dia. Lidamos com muita gente e nos deparamos com a realidade de muitas pessoas, buscamos a melhor forma de atender cada necessidade.

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