Economia

Modelo de startup cresce com custos mais baixos e simplificação de processos

Estratégia surgiu durante a pandemia, com a finalidade de democratizar o acesso à tecnologia de ponta desenvolvida no Ceará. Com a ampliação do foco, Chatbot Maker cresceu mais de 500% no trimestre

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

Fundada em 2017, a Chatbot  Maker nasceu com o propósito de fazer o primeiro atendimento 100% automatizado, utilizando inteligência artificial. Com o salto do e-commerce, o Chatbot não só se firmou no mercado como solução para cliente e empresa se comunicarem com mais agilidade e eficiência, como cresceu mais de 500% no último trimestre. A startup faz parte do Hub de Inovação Ninna, criado no Ceará pela iniciativa privada e que visa reunir investidores e empreendedores com interesses e propósitos comuns, dividir conhecimento e encontrar soluções tecnológicas para o mercado de forma partilhada e colaborativa.

Segundo um dos fundadores da Chatbot, Thiago Amaranto, antes dessa startup ele havia empreendido em outras três que, na sua visão, lhe deram ferramentas para crescer com o negócio atual. Para isso, é utilizada a inteligência artificial Suri, também desenvolvida pela equipe. “Cada startup foi muito importante no processo de aprendizado. Não basta simplesmente do aspecto técnico. É preciso muita dedicação. A gente empreendia de forma remota e sempre no terceiro turno, à noite, de madrugada. Acreditar faz toda a diferença”, frisa. As outras startups em que Amaranto empreendeu eram voltadas para interagir digitalmente usuários que estavam em um mesmo local, posts geolocalizados sobre a cidade e serviços públicos e uma terceira para bate-papo que envolvessem serviços e localização dos usuários.

Durante a pandemia, com o crescimento dos serviços digitais, Thiago Amaranto e o sócio, Marlos Távora, entenderam que era o momento de se voltar para o atendimento virtual. “As empresas precisavam de ferramentas para fazer a gestão de atendimento, permitir que mais de uma pessoa administrasse. Com a plataforma, é possível usar quantos operadores forem necessários, não só um. Nosso serviço é mais completo porque, além de dar a plataforma da gestão, desafoga os agentes”, justifica. Com o crescimento de 500% nos últimos três meses, foi necessário aumentar o time para suprir a demanda. No período, mais de 1 bilhão de mensagens foram trocadas na plataforma.

Para o empreendedor, agregar a startup ao Ninna amplia as possibilidades, uma vez que o ambiente de colaboração motiva a realização de parcerias e novas soluções em tecnologia. “A startup por si só é um grupo de pessoas resolvendo um problema de forma escalada. Teve muita startup que fechou, mas outras se adaptaram de forma rápida, trazendo crescimento nesse momento de oportunidades no ecossistema digital. Isso permitiu que muitas outras empresas pudessem passar pela pandemia de uma forma melhor. Não se trata de se aproveitar da situação, mas de entender que as necessidades de pequenas e médias empresas são tão importantes quanto as de grandes companhias”, entende. Para ele, a automatização dos processos é um caminho sem volta. “A pandemia só fez acelerar esse processo. A tendência é que esse movimento aconteça de forma mais rápida ainda”, completa.

Atendendo a companhias como Pague Menos, Grupo Edson Queiroz e Unimed, a pandemia fez a Chatbot  Maker ampliar a visão de negócio. Para Thiago Amaranto, pequenas empresas precisam do mesmo tipo de solução. Para adequar as dimensões de atendimento, ele explica que é preciso simplificar soluções e trabalhar modelos mais baratos. O tíquete inicial que antes era de R$ 2.000, agora é em média R$ 400. “A pandemia mostrou muito isso para a gente, que era preciso se adaptar, baratear o custo e repassar isso na ponta. Quando a gente fala de inteligência artificial acha que é só para as grandes, mas não. É preciso democratizar a tecnologia. Isso já era parte do nosso lema”.

Fortalecer o setor com ecossistema colaborativo

Entre as 77 comunidades de startups catalogadas no país pela Associação Brasileira de Startups (ABStartus), quatro estão no Ceará. Uma delas é a Rapadura Valley, que ano passado foi considerada a comunidade revelação na principal premiação do setor. Realizando eventos, reunindo ideias e partilhando soluções, o grupo se insere em um modelo de trabalho que se fortalece não apenas com a captação de recursos, mas através de parcerias e colaboração.

Segundo Marlos Távora, membro da comunidade e diretor de operações da startup Chatbot Maker, a Rapadura Valley agrega pessoas que têm um propósito comum: ampliar e aperfeiçoar o ecossistema de empreendedorismo de Fortaleza. Além de empreendedores, fazem parte da comunidade empresas privadas e órgãos públicos. “O objetivo é fortalecer essa rede e fomentar o ecossistema como um todo”, diz. Para isso, são realizados eventos de network, negócios, educação e compartilhados cases que servem de inspiração para quem atua na área. “Somos formados por uma série de players, cada um fazendo a sua parte faz com que o ecossistema evolua”, define.

Entre as atuações da comunidade estão a ajuda mútua entre atores dos negócios, apoio e conhecimento para projetar iniciativas que estão dando os primeiros passos no mercado. “Com isso você vai conhecendo pessoas, compartilhando ideias e aprendendo com empreendedores que estão à frente. O compartilhamento de aprendizado é muito forte. À medida que vai validando a startup, começa a buscar alguns aceleradores, que ajudam a estruturar ainda mais o negócio. Se precisa de recursos, há investidores anjos aqui no Estado. E assim vamos nos retroalimentando”, conceitua, acrescentando que, desse modo, geram-se apoio, mentorias e negócios.

Hub de Inovação Ninna faz pontes para gerar negócios

Criado há nove meses, o Hub de Inovação Ninna está cada vez mais próximo das iniciativas de fomento e desenvolvimento de startups em Fortaleza. Com assento no Condomínio do Empreendedorismo e Inovação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e instalado em ambiência que reúne hoje seis startups, ainda neste ano o hub lançará edital para abrigar mais 14 empresas emergentes de tecnologia.

Entre as seis startups em funcionamento no prédio da antiga Bolsa de Valores Regional do Ceará, na avenida Dom Manuel, há iniciativas voltadas para soluções em saúde, finanças, tecnologia da informação e varejo. A Bright, por exemplo, desenvolveu solução para tratamento da dor, a partir da aplicação de feixes de luz com led. Na mesma área de atuação, uma outra trabalha com prontuário eletrônico, agendamento de consultas e relacionamento entre pacientes, hospitais e clínicas, concentrando todas as informações médicas do usuário em uma única plataforma.

Já na área de finanças, a Monkey é uma plataforma que facilita o processo de antecipação de duplicatas recebíveis de pequenas e médias empresas contra grandes companhias. A Chatbot Maker, por sua vez, faz atendimento automatizado entre clientes e empresas, agilizando a comunicação e realização de vendas e serviços. Há ainda startups que facilitam a tradução ou conversão de um sistema ou aplicativo de diferentes configurações e outra voltada para restaurantes, bares e que permite que o cliente interaja com o ambiente, inclusive escolhendo a música a ser tocada no local, e com serviços oferecidos pelo setor, a exemplo do delivery.

Como informa o conselheiro do Ninna, Delano Macêdo, o espaço disponibilizado pelo hub deveria abrigar 20 startups. Um edital estava previso para ser lançado no primeiro semestre deste ano, mas a pandemia adiou o processo para o fim de ano. Por tanto, até dezembro deve ser publicada a chamada pública para mais 14 startups. A ideia é completar o hall com iniciativas viáveis no mercado e com soluções práticas para necessidades dos usuários.

Seja com a cadeia produtiva ou pela aproximação com a pesquisa acadêmica, Macêdo acredita que o modo de construção partilhada permite a adaptação às esferas pública e privada. Hoje o hub possui cinco grandes mantenedores. “O caminho está sendo trilhado. São iniciativas em profusão sendo colocadas em prática. Essa união e organização entre diversos agentes e fontes é o passo principal. O Ninna não quer ser só a estrutura”, antecipa. No condomínio da UFC, o hub terá espaço físico e acesso ao conhecimento desenvolvido na universidade. “Vamos colaborar e pensar não apenas Fortaleza, mas o interior, a indústria, comércio, serviços, soluções para as cidades”, diz. Para isso, Delano Macêdo afirma que “a matéria-prima já existe e há empresas sedentas por inovação”.

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