Economia

Mercado plant-based atrai 90% dos brasileiros

Estudo feito pela Opinaia aponta que até 90% dos brasileiros se dispõem a ingerir alimentos derivados de plantas e vegetais. É a taxa mais alta entre os países da América do Sul

Lucas Braga 

economia@ootimista.com.br

Os alimentos mais naturais, sem ingredientes de origem animal estão em alta constante. À base de plantas (ou plant-based, do inglês), esses produtos também estão associados a práticas mais conscientes e sustentáveis na produção, envase, distribuição e venda. Os processos menos nocivos à natureza e à vida são a proposta abraçada.

Nem sempre um produto plant-based é orgânico ou vegano, mas são conceitos complementares. Há vertentes de praticantes do plant-based que consomem alimentos de origem animal (ovos, mel e laticínios) e até os que eventualmente ingerem carne, em quantidade reduzida.

Estudo feito pela Opinaia sob encomenda da Ingredion, multinacional fornecedora de ingredientes, aponta que até 90% dos brasileiros se dispõem a ingerir alimentos derivados de plantas e vegetais. É a taxa mais alta entre os países da América do Sul pesquisados (Brasil, Argentina, Chile e Peru).

A pesquisa, que abordou hábitos de consumo, qualidade de vida e sustentabilidade, revelou o reconhecimento de 37% dos entrevistados como adeptos do veganismo, vegetarianismo, flexitarianismo, ou pescetarianismo. Oitenta por cento consideram essas correntes mais saudáveis, 44% o adotam para prevenir doenças e 39% para ter opções mais variadas.

Marcelo Palma, gerente da Plataforma de Plant- Based Protein na América do Sul da Ingredion, destaca que comer bem é sinônimo de saúde. “Há um consenso geral sobre a importância da alimentação na qualidade de vida. Por isso, no consumo de alimentos e bebidas, busca-se saudabilidade, indulgência e acessibilidade econômica, ao mesmo tempo em que há grande interesse em saber a origem dos ingredientes consumidos diariamente”, pontua.

A predisposição para o consumo de alimentos derivados de vegetais é alta, contabilizando 89,5% dos entrevistados, conforme o levantamento. O principal motivo apontado para a compra desses alimentos é o cuidado com a saúde (56%); porque são mais nutritivos (28%) e para experimentar novos sabores (26%). Já o principal motivo da não compra de alimentos plant-based está relacionado ao preço (59%).

As categorias mais aceitas são massas (74%), iogurtes (73%), biscoitos (69%) e sorvetes (69%). E a indústria está atenta a isso, desde a popularização de produtos zero lactose, como lembra André Siqueira, presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação e Rações Balanceadas no Estado do Ceará (Sindialimentos). “A produção desses alimentos é um mercado em expansão, hoje sendo mais comum em empresas familiares ou cooperativas”, pondera, acrescentando que a inovação nos insumos tem se estendido.

“A sustentabilidade é levada em conta. Visando otimizar os recursos naturais, as cooperativas apostam no reuso da água e adubos orgânicos. Já em indústrias, é comum adotar a utilização de energia solar e aproveitamento do alimento por inteiro. Um exemplo são as indústrias de polpas de frutas que aproveitam as cascas das frutas para adubo orgânico”, detalha André.

Pelo menos 67% dos entrevistados da pesquisa Opinaia/Ingredion consideram a sustentabilidade das marcas muito importante. No Brasil, mais de 70% dos 1.545 entrevistados exigem uma postura responsável da marca sobre o tema, enquanto 73% consideram importante saber a origem dos alimentos. A margem de erro do levantamento é de 1,3 ponto percentual, para mais ou para menos.

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