Economia

Mercado imobiliário cearense quer retomar ritmo de alta pré-pandemia

Com os baixos juros e a demanda reprimida, os consumidores puderam ampliar o acesso a imóveis durante o segundo semestre de 2020. A expectativa do setor de construção civil é de que as vendas possam ser ainda maiores este ano

 

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


O segundo semestre de 2020 foi otimista para o mercado imobiliário e de construção civil. Após os meses mais agudos do isolamento social, o setor sustentou números positivos. As baixas taxas de juros associadas à demanda reprimida por crises econômicas anteriores e as novas necessidades de consumo geradas na pandemia impulsionaram os negócios.
Apesar do maior rigor na concessão de financiamentos imobiliários, as linhas de crédito foram dinamizadas e favoreceram a compra da casa própria. A taxa básica de juros Selic, definida pelo Banco Central, chegou aos 2% ao ano, o menor patamar da história.
Os baixos juros impulsionaram as compras e ampliaram o acesso a imóveis melhores – com a mesma renda, passou a ser possível comprar um apartamento ou casa mais caros. O custo menor também dá mais confiança ao futuro comprador e investidor, já que caiu a rentabilidade das aplicações em renda fixa ou variável, motivando a migração a outros ativos.
“É o que faz com que mesmo os pequenos investidores migrem para a aquisição de um novo imóvel. Então, para 2021, nosso otimismo é o melhor possível”, analisa Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE).
Este ano, o mercado mira na retomada do ritmo de crescimento, aproximando-se do número de lançamentos registrados no período pré-pandemia, uma vez que o estoque tem reduzido na Grande Fortaleza. De acordo com Patriolino, podem faltar alguns tipos de imóveis residenciais já nos próximos 12 meses.
Outra preocupação do setor está relacionada aos insumos. As pequenas reformas do consumidor pessoa física durante a pandemia fizeram disparar a procura por materiais de construção e, consequentemente, os preços. “A grande preocupação é se o custo desses insumos vai se manter alto, principalmente tijolos, cimento e aço. Talvez com o fim do auxílio emergencial, a busca diminua, a oferta aumente e o preço normalize”, conjectura.
O ano de 2020 não parou o avanço de parte das empresas e o cenário macroeconômico aponta ainda maior ritmo de crescimento. A Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) fez levantamento com as 38 maiores empresas do ramo e indica que 97% do empresariado pretendem lançar novos projetos em 12 meses, enquanto 92% deles comprarão terrenos no período.
Responsável pelo Hard Rock Hotel na praia de Lagoinha, a incorporadora VCI experimentou salto considerável na comercialização: em meio à pandemia, lançou a startup 2Share, uma plataforma com modelo inédito de vendas online e franquias para empreendedores imobiliários. A aposta na migração de investimentos para o ramo de real estate e multipropriedade pelo consumidor de alto padrão se mostrou acertada com salto de 90% nas vendas online da bandeira Hard Rock no Brasil.
A empresa investiu para sustentar a rentabilidade e confiança do modelo de negócio, valorizando os projetos. Em março, com o lockdown, a companhia investiu R$ 18 milhões na recompra de cotas de clientes inadimplentes, distratando os acordos. As frações se valorizaram pelo menos 44%. “Sabíamos que os distratos aconteceriam, porém, a alta valorização das cotas e a capacidade financeira da VCI conseguir honrar com seus clientes trouxeram aumento de credibilidade, além de ganho financeiro para a empresa”, contabiliza Fábio Neri, sócio e vice-presidente do Conselho da VCI S/A.
A expectativa da companhia para este ano é “muito boa”, com investimentos em omnichannel e na startup 2share, que é responsável pelo canal de vendas online e franquias, com 60% das vendas. “Além disso, devemos ainda lançar pelo menos mais dois projetos ao longo do ano, o que nos faz projetar um faturamento que pode superar os 10 dígitos”, completa.

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