Economia

Mercado financeiro aumenta projeção da inflação para 3,02%

O aumento esperado para o processo inflacionário significa aumento dos preços dos produtos e redução do poder de compra. Especialistas recomendam cautela no consumo e prudência

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


O mercado financeiro prevê que a inflação oficial do Brasil termine o ano em 3,02%, (+0,03 pontos percentuais). O dado é do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do boletim Focus do Banco Central divulgado ontem (3). Para 2021, a estimativa de inflação variou ligeiramente de 3,10% para 3,11%. A previsão para 2022 e 2023 não teve alteração: 3,50% e 3,25%, respectivamente.
O aumento esperado para o processo inflacionário significa aumento dos preços dos produtos e redução do poder de compra. Apesar da lenta queda do câmbio – a previsão para a cotação do dólar é encerrar o ano em R$ 5,45 e cair R$ 0,20 ao longo de 2021 -, as altas anteriores já impactaram consideravelmente o IPCA.

Recuperação
Na avaliação do presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Ricardo Coimbra, há tendência de recuperação da atividade econômica para o ano que vem e, neste processo de recuperação, é comum haver elevação média na inflação por ajustes nas relações de demanda e oferta.
“É interessante observar que o IPCA analisa indivíduos que ganham entre 1 e 40 salários-mínimos e contempla conjunto maior de produtos. Se analisarmos setorialmente, como o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), a elevação é bem maior”, diz Ricardo.
A previsão de inflação tem aumentado progressivamente nas últimas semanas. A explicação para isso é a piora dramática das contas públicas, o choque de oferta pela desestruturação das cadeias produtivas e o choque de demanda pela injeção de recurso do auxílio emergencial.

Prudência
Como explica Lauro Chaves Neto, conselheiro Federal de Economia (Cofecon), professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, os resultados recentes do Boletim Focus são sinais para que o consumidor adote prudência. “Para quem está endividado, isso é alerta para evitar todo consumo supérfluo, buscar nova ocupação no mercado de trabalho, aumentar sua receita e ajustar seu orçamento familiar. Já para quem está com as contas equilibradas, a dica é negociar cada vez mais suas compras e tentar descontos à vista”, sugere.

Inflação acima do piso da meta na mira do Banco Central

A inflação calculada está acima do piso da meta (2,5%) que deve ser perseguida pelo Banco Central. Essa meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4%, com tolerância de 1,5%, ou seja, teto de 5,5%. As metas são baixar 0,25% cumulativamente nos próximos anos. E a principal ferramenta para chegar a esses números ambiciosos é a movimentação da taxa básica de juros, a Selic, mantida em 2% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Com taxa baixa, o crédito é acessibilizado e o consumo, estimulado.
Ontem (3), o Copom informou que, com a prescrição futura poderá não subir os juros. “O comitê refletiu que alterações de política fiscal que afetem a trajetória da dívida pública ou comprometam a âncora fiscal motivariam uma reavaliação [do compromisso de não subir juros], mesmo que o teto dos gastos ainda esteja nominalmente mantido”, disse o texto. A ata mostrou que malabarismos fiscais para elevar gastos e aumentar a dívida pública seriam suficientes para retirar o compromisso de não subir juros, mesmo com o teto mantido. Vale lembrar que a queda da economia brasileira neste ano deve ser de 4,81%. Para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) é crescer 3,34%. (Com Folhapress e Agência Brasil)

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