Economia

Mercado de trabalho responde bem ao home office após a retomada da economia

Tendência durante a pandemia, sistema de trabalho em casa é aprovado por profissionais e empresas, de acordo com pesquisa da Workana. 76,1% dos trabalhadores disseram que atuaram bem remotamente durante o isolamento social

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


A rotina de acordar pela manhã, se arrumar e sair para trabalhar já não faz mais parte do dia a dia de milhões de pessoas. Desde o início do ano muitos profissionais foram obrigados ou optaram por transformar o ambiente doméstico em local de trabalho em razão da pandemia.
O sistema home office trouxe profundas mudanças no mercado, mas está sendo bem assimilado por empregados e empregadores. É o que revela o novo Relatório Anual da Workana sobre Home Office, pesquisa que entrevistou 2.810 pessoas na América Latina.
Entre as constatações do relatório, 76,1% dos trabalhadores disseram que atuaram bem remotamente durante a pandemia; 45,7% dos líderes afirmaram que a produtividade das equipes é a mesma; 91,8% dos funcionários acreditam que as empresas conseguiram organizar bem as equipes; e 88,8% dos freelancers dizem que esta modalidade os permite desenvolver a carreira da maneira que quiserem.
“As empresas quebraram barreiras em relação ao home office e perceberam os ganhos deste modelo, que vão desde o aumento de produtividade à redução de custos com infraestrutura. Há uma tendência de manter a prática, mesmo que de forma alternada ou híbrida, com parte dos dias da semana ocorrendo de forma presencial”, contextualiza a psicóloga e especialista em home office Adriana Bezerra, sócia-fundadora da Flow Desenvolvimento Integral.
Essa quebra de barreiras impactou muitos profissionais. Foi o caso do jornalista Raimundo Machado Neto, proprietário de uma webradio em Fortaleza e que se viu obrigado a resolver todas as questões do trabalho dentro de casa.
Pelo fato de seus pais terem mais de 60 anos, Raimundo passou a trabalhar em home office. Felizmente, a tecnologia trouxe facilidades. “Ficou melhor quando os apps de videoconferência começaram a ser utilizados em massa. Eu já usava alguns meios eletrônicos, mas essas ferramentas são uma tendência”, opina o jornalista.
Para ajudar os profissionais, 28,5% das empresas da pesquisa da Workana ofereceram notebooks aos colaboradores para o trabalho remoto; outras 22,5% disponibilizaram ferramentas digitais.
As facilidades da informática também foram experimentadas pela administradora Clarissa Porto Gondim, sócia de uma empresa de importação e exportação de alimentos de Fortaleza. Segundo ela, lidar com os órgãos públicos ficou menos burocrático. “Antes da Covid-19, muitos processos necessitavam da presença física. Após a pandemia, diversos órgãos foram obrigados a se tornar mais digitais, o que deixou o trabalho mais rápido”, conta.

Profissionais enxergam vantagens

Com processos mais ágeis graças à tecnologia, a gestão do tempo melhorou durante a pandemia. É o que afirmaram 17,1% dos entrevistados pelo novo Relatório Anual da Workana, que apontam ser este o maior benefício de poder trabalhar em casa. Outros pontos positivos do home office listados na pesquisa foram: atuar em um ambiente confortável (46,2%), trabalhar sem deixar de estar perto dos filhos (15,2%), maior produtividade (15,4%) e maior capacidade de concentração (6,1%).

Futuro
Reforçando essa tendência, 35,2% dos funcionários afirmam que no futuro o trabalho será mais flexível, com o sucesso medido pelos resultados, não pelas horas trabalhadas.
Entretanto, Clarisse Gondim pondera que a possibilidade de adequar a vida profissional ao ambiente de trabalho não pode ser um fator de acomodação. “Não devemos pensar que as coisas podem ficar para depois. O verdadeiro home office é puxado e precisa de dedicação”, alerta a administradora.
Raimundo Machado Neto afirma que depois de várias adaptações está conseguindo gerenciar bem sua agenda de atividades. “Eu prefiro o trabalho presencial, mas meu tipo de negócio se adequa bem a qualquer tendência ou sistema”, defende Raimundo Neto.

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