Economia

Mercado de trabalho no Ceará gera 100 mil vagas em setembro

Pesquisa PNAD Covid19, do IBGE, aponta aumento dos trabalhadores ocupados, em relação ao mês de agosto. Dados confirmam a retomada das atividades econômicas.

Giuliano Villa Nova

economia@ootimista.com.br

Em setembro, o mercado de trabalho no Ceará registrou aumento de 100 mil pessoas em relação ao mês anterior, elevando o percentual de trabalhadores ocupados para 3 milhões de indivíduos. Entre maio e setembro, a força de trabalho (que corresponde à soma da população ocupada e a desocupada) no Estado passou de 3,3 milhões para 3,5 milhões – um acréscimo de 4,3%. De acordo com os analistas, os dados demonstram a consolidação da retomada das atividades econômicas no Ceará, com mais pessoas mês a mês deixando de estar fora da força de trabalho. As informações são da pesquisa mensal PNAD Covid19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem (dia 23).

“Observa-se uma sintonia entre a dinâmica das atividades que gradualmente vêm retomando o seu normal e a evolução na variação do número de pessoas da força de trabalho, da sua taxa de participação e da taxa de desocupação. A consolidação deverá acontecer, uma vez que ainda existem limitações para o funcionamento de alguns setores”, analisa Helder Rocha, Supervisor de Disseminação de pesquisas do IBGE no Ceará.

No Estado, o nível da ocupação – percentual de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade de trabalhar –, também registrou aumento entre agosto e setembro, passando de 39,9% para 40,3%, configurando uma trajetória de recuperação das vagas de emprego.

Já a quantidade de pessoas fora da força de trabalho caiu de 4 milhões para 3,9 milhões entre agosto e setembro, o que corresponde a uma redução de 3,6% em relação ao mês de maio, quando o levantamento mensal do IBGE começou a ser feito. “Está aumentando a participação daqueles que estão efetivamente no mercado de trabalho, quer na condição de ocupados, quer na de desempregados”, resume Erle Mesquita, analista do Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT).

Trabalho

Por outro lado, a população desocupada no Ceará aumentou, passando de 289 mil pessoas, em maio (no começo da pesquisa do IBGE), para 443 mil em agosto e, em setembro, para 530 mil pessoas – o que representa uma alta de 83,5% desde o início da pesquisa, acumulando aumentos no período. “As pessoas que estavam cumprindo o isolamento social não estavam em busca de emprego, ora porque as atividades estavam sob decreto do isolamento, ora porque não havia oportunidades nas proximidades de sua residência, ou ainda, por serem trabalhadores por conta própria impedidos de desempenhar suas funções, decorrente da suspensão das atividades. A partir do momento que houve o retorno, as pessoas que estavam fora da força de trabalho voltaram a buscar uma ocupação”, explica Helder Rocha, do IBGE.

Para reverter esse quadro, Erle Mesquita acredita que ações conjuntas entre os vários setores da sociedade serão necessários. “Historicamente os últimos meses do ano são mais favoráveis, com a maior geração de postos de trabalho, mas essa dinâmica pode não ser suficiente para absorver o contingente de trabalhadores que já estavam desempregados antes mesmo da pandemia. Para isso, será necessário um pacto e uma série de ações entre representantes dos governos, empresários e trabalhadores”, analisa Erle Mesquita, do IDT.

O levantamento mensal do IBGE estima que o Ceará tinha, no mês de setembro, 9,2 milhões de habitantes, dos quais 7,3 milhões de 14 anos ou mais de idade – o que corresponde à faixa etária da população em idade de trabalhar.

 

Apesar da crise, rendimentos salariais se mantêm

Muitos setores econômicos sentiram a crise provocada pela pandemia, com a consequente perda salarial para trabalhadores em diversas funções. No entanto, a pesquisa PNAD Covid19  relativa ao mês de setembro mostrou que essa redução de rendimentos não afetou tanto os trabalhadores no Ceará. De acordo com a pesquisa do IBGE, em setembro somente 23,9% dos trabalhadores cearenses receberam menos do que normalmente ganham. Para 72,4% não houve alteração nos rendimentos. Apenas 3,5% relataram terem recebido aumento salarial.

Os índices registrados no Estado estão próximos da média nacional, que indica uma remuneração menor para 24,2% dos trabalhadores, maior para 3,5% e manutenção dos ganhos mensais para 72,3%, dentro do mesmo período.

Em setembro, 4% dos cearenses tiveram mais horas de trabalho, 19,6% cumpriram uma jornada de trabalho menor e 76,4% não tiveram alteração no horário de trabalho.

A pesquisa PNAD Covid19 também apontou que o rendimento habitual dos trabalhos ficou, em média, em R$ 1.723 para o Estado do Ceará, e o efetivo em R$ 1.610.

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