Economia

MEIs ativos aumentam 19% no Ceará

Cenário de pandemia não impediu que busca pela formalização crescesse no Estado. Em paralelo, antigos e novos empreendedores estão procurando mais capacitação para gerir o próprio negócio e se manterem competitivos no mercado

Marta Bruno

martabruno@ootimista.com.br

A pandemia transformou não só o ritmo da economia, mas principalmente os modelos de negócios e o papel do empreendedor e do empresário frente às mudanças. Hoje, Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, a data é marcada pelo aumento de inscrições de microempreendedores individuais (MEIs) no Ceará, pela busca maior por capacitação para gerir o próprio negócio e pela acentuada modificação nas relações com o cliente e o consumidor. Neste ano, mesmo com a pandemia, o primeiro passo para ter o próprio negócio não está sendo adiado. Motivadas pelo desemprego, pelo sonho de empreender ou pelo cenário econômico, a quantidade de MEIs ativos aumentou 19% no Ceará, em relação ao ano passado. Em 2019, até agosto, havia 281.231 microempreendedores individuais ativos no Estado. Neste ano, no mesmo intervalo de tempo, são 334.824 na mesma condição.

Hoje, segundo dados da Junta Comercial do Ceará (Jucec), são 342.042 MEIs em atividade. Em geral, o indicador representa pessoas que trabalham sozinhas ou com uma pessoa. No ano passado, entre janeiro e setembro, foram realizadas 55.155 novas inscrições de MEI no Ceará, enquanto neste ano, no mesmo período, foram 55.471. Nos dois anos, os segmentos da cadeia produtiva que mais registraram novas inscrições foram os de serviço, seguido pelo comércio e pela indústria. Enquanto o líder em abertura manteve uma média de 28,5 mil novas inscrições, comércio manteve a média de 20 mil e indústria, 5,5 mil, nos dois anos.

Neste ano, embora janeiro (7.813), fevereiro (5.663) e março (6.277) tenham mantido um bom ritmo de abertura de MEIs, abril (4.110) e maio (3.572) apresentaram as quedas mais acentuadas, tanto em relação aos meses anteriores de 2020 como em função de 2019. Somente em junho, com o início da reabertura das atividades econômicas, os indicadores começaram a mudar. Enquanto junho teve 5.686 novos registros, julho teve 7.695. Junto com agosto (7.349) e setembro (7.306), esses três meses registraram mais inscrições do que os mesmos meses do ano passado – 6.828 em julho, 6.577 em agosto e 6.699 em setembro.

Para a presidente da Jucec, Carolina Monteiro, esse tem sido um ano completamente atípico. As expectativas antes da pandemia eram de crescentes inscrições, da mesma forma que 2019 superou 2018 em número de empresas abertas. “Imaginávamos que seriam três anos de aumento. Mas em março fizemos o isolamento em função da crise de saúde e esperávamos uma grande queda. O tempo foi passando, os serviços online para contabilistas e advogados se mantiveram e, para nossa surpresa, as empresas continuaram sendo abertas”, contextualiza.

Para a advogada especialista em gestão pública, vários fatores contribuíram para esse cenário. “Por um lado, há o desejo de empreender. Em casa, no trabalho remoto, muitas pessoas sentiram a necessidade de formalizar seus negócios”, diz Contudo, Carolina Monteiro não descarta a correspondência entre o desemprego e a abertura de micro e pequenas empresas. “É um processo extremamente interligado, que aumenta em todo o Brasil. O empreendedorismo vem como alternativa a essa crise. Não podemos fazer análise isolada desses números. No Ceará, o processo de legalização e formalização é acompanhado diretamente por políticas públicas específicas para mitigar os números relacionados ao desemprego”, diz.

Isso inclui, na visão da presidente, manter o processo simplificado e o “olhar atento para que micros e pequenas empresas permaneçam ativas e se tornem peças importantes no processo de desenvolvimento no Ceará, a fim de gerar emprego, renda e o crescimento esperado”. Os indicadores, para Monteiro, são uma estimativa segura para agir e planejar nesse momento ainda de segurança sanitária instável e combater o trabalho precarizado e a informalidade.

Busca por educação empreendedora aumenta 133% no Sebrae

O aumento na formalização refletiu na busca por capacitação e por soluções educacionais para sair da crise ou melhorar a competitividade no mercado. No Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a procura por cursos online de educação em empreendedorismo aumentou 133% de janeiro a agosto de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Se em 2019 o Sebrae inscreveu 29.300 pessoas nos cursos online, neste ano o número saltou para 69.000. A maior concentração (75%) se dá na faixa etária de 18 a 34 anos e 60% dos inscritos são mulheres.

“Muitas são pessoas demitidas dos setores mais impactados na pandemia, como o comércio, e que estão buscando alternativas de empreender. Os segmentos mais representativos nesse contexto estão no varejo, seja no vestuário, no setor alimentício”, explica o articulador da Unidade de Gestão do Relacionamento com o Cliente do Sebrae Ceará, Rafael Albuquerque. Nesse período de pandemia, a unidade efetivou novos canais de atendimento para atender à demanda. Embora as soluções online já fossem uma realidade no Sebrae, hoje há 140 cursos gratuitos nas plataformas da entidade privada. Além disso, a unidade se comunica com interessados de forma remota e agora, voltando gradativamente, também presencialmente.

“Orientamos o empresário ou quem quer montar o próprio negócio. Conforme o grau de complexidade, encaminhamos para consultores especialistas, que atendem por vídeo-chamada. Agora estamos começando a voltar. Mas durante a pandemia ficamos com a equipe técnica em horário ampliado, segunda a sábado, das 8 às 20 horas, de segunda a sexta-feira, e no sábado das 9 às 15”, detalha. Como informa Rafael Albuquerque, as orientações não se limitavam à educação empreendedora. “Medidas tomadas pelo governo e linhas de crédito também estavam entre as demandas, quem poderia acessar nossos canais, assegurar uma proximidade com o cliente, orientação, nível de intervenção (consultoria mais especializada) ajudando o empresário a definir estratégias.

De acordo com Albuquerque, os temas mais procurados se referem a vendas pela Internet e marketing digital. Mas o Sebrae também disponibiliza soluções referentes ao uso da maquineta de cartão de crédito e débito, às melhores alternativas de crédito no mercado e à análise e planejamento do próprio negócio. Com o aplicativo do Sebrae, o microempreendedor também tem acesso a serviços prestados pela administração pública, que dizem respeito à rotina legal do MEI, como o pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e emissão de nota fiscal. No portal ainda é possível acessar o chat, conversar com técnicos e consultores e obter informações fiscais, tributárias, de gestão, inovação, além de ter acesso gratuitamente a material publicitário e de serviço.

“O que forma a economia são os pequenos negócios. É uma forma de sobreviver, mas também de enxergar oportunidades, de entender algumas lacunas que o mercado possui. Isso passa por uma reinvenção do negócio, mesmo o tradicional. O mercado já está mudado, as pessoas estão mais conectadas, com outro nível de exigência, o cliente quer comodidade. Nosso papel é melhorar o ambiente dos pequenos negócios, transformar a vida das pessoas por meio do empreendedorismo e através de uma rede de parceiros”, analisa o articulador. Nesse contexto, sobreviver aos primeiros anos de negócio é importante, mas não garante a competitividade. “É necessário se reinventar, fazer um bom planejamento, ter uma validação (identificar um problema e gerar uma solução) para minimizar o impacto de a empresa nos primeiros meses de operação”, orienta. O portal com soluções online da entidade é www.ce.sebrae.com.br, e o número para ligações telefônicas e  Whatsapp é 0800-570-0800.

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