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Joselma Oliveira: “O empreendedor nasceu para pular obstáculos”

A empresária Joselma Oliveira saiu da cozinha de sua casa, em Currais Novos (RN), para fundar a Pardal, no Ceará. Em meio à pandemia, a empresa se reinventou, criando uma plataforma online de vendas por região, de forma a aquecer a economia local e manter empregos. A ideia foi da prória Joselma, que garante: “O empreendedor nasceu para pular obstáculos”

Helaine Oliveira
helaineoliveira@ootimista.com.br

Joselma Oliveira é fundadora da Pardal (foto: Beatriz Bley)

A história da criação da Pardal pela empresária Joselma Oliveira começou com uma receita simples: frutas, leite, açúcar e um liquidificador. A então dona de casa começou a produzir picolés caseiros e vender nas ruas para contratar uma empregada doméstica para ajudá-la nos afazeres de casa. A receita fez sucesso e o picolé saiu da cidade de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e conquistou o Ceará como uma das mais conhecidas empresas do ramo de picolés e sorvetes.
Quase três décadas depois de sua criação, a empresa produz mais de 40 mil picolés e 8 mil litros de sorvete diariamente. A empresa criou receitas para sorvetes, como os de castanha, nata com goiaba, tapioca e açaí com banana, que se tornaram favoritos do público. Os produtos vão de picolés a potes de sorvete e sundaes.
Em entrevista, Joselma compartilha a história da empresa e conta os avanços e dificuldades em empreender no país.

O Otimista – Como foi empreender nos anos 1990?
Joselma Oliveira – Foi muito difícil, mas também bastante gratificante. Eu gosto muito de empreender, apesar dos obstáculos que aparecem todos os dias. Mas eu penso que o empreendedor nasceu para pular os obstáculos e cada obstáculo que ele pula tem como uma vitória. Então, eu hoje oriento muito os meus filhos a empreender também.

O Otimista – E no começo, como foi esse caminhar até chegar a esse império que é a Pardal?
Joselma – O começo foi de muito trabalho. Eu era só, comecei em casa fabricando 30 picolés. E quando eu fui fabricar os picolés era para pagar uma empregada doméstica para ficar com meus filhos. Eu fazia todo o processo sozinha, botava os picolés em copinhos e depois de gelados, ia vender na rua. O tempo foi passando, o pessoal de Currais Novos (no Rio Grande do Norte) foi gostando e as pessoas da rua onde eu morava começaram a achar interessante, foram me procurando para serem vendedores e o crescimento foi acontecendo a partir desse momento.

O Otimista – E desde então a senhora passou a empregar pessoas?
Joselma – Com certeza. Comecei contratando pessoas para vender, depois chamei gente para me ajudar a fabricar os picolés e, com pouco tempo, eu me mudei de Currais Novos para Assu, depois para Mossoró, e de lá, para Fortaleza. Toda essa mudança foi em um intervalo de apenas cinco anos. Meu sonho era chegar em uma cidade grande e ver meus filhos se formando e também não se distanciarem de mim. Eu sou de uma cidade da Paraíba, Picuí, e lá, o pessoal vai muito estudar em Campina Grande. Então, eu pensei que eu queria que meus filhos fossem estudar, mas que permanecessem perto de mim. Foi aí que decidi vir para Fortaleza. É um lugar que eu amo, deu certo o negócio e os cearenses valorizam muito o meu produto, o que me deixa muito feliz.

O Otimista – E como foi essa chegada até Fortaleza e a instalação da fábrica?
Joselma – Quando eu vim pra Fortaleza eu passei um ano vindo de Mossoró para cá trazendo os picolés. Depois foi que eu trouxe o equipamento. E o crescimento mesmo começou já no terceiro ano. Comprei meu primeiro móvel e foi quando o negócio começou a crescer. Eu tive que criar uma marca, que me regularizar no mercado. Em seguida, eu tive que construir uma fábrica no Eusébio por conta da demanda que tinha aumentado… Foi tudo muito rápido.

O Otimista – Quais foram as principais dificuldades para mostrar o produto ao mercado cearense?
Joselma – Foi muito difícil. Eu comecei ali pelo Beco da Poeira. As pessoas, no início, achavam estranho um picolé cônico, foram resistentes. Aí, eu falava para os vendedores: “Dê para o cliente experimentar que depois ele vai se tornar fiel”, porque eu sabia da qualidade do produto que eu fazia. Graças a Deus foi isso o que aconteceu. O crescimento se deu pelo boca a boca.

O Otimista – Quais foram os primeiros sabores?
Joselma – Os primeiros foram coco, morango e chocolate. Aqui no Ceará foi que me pediram para fazer um picolé de castanha. Eu fiz e até hoje é um sucesso. Eu costumo dizer que a Pardal sem o picolé de castanha não existe.

O Otimista -A partir daí vieram as inovações de sabores e marca?
Joselma – Isso. O meu filho, Flávio, que trabalha comigo, começou a me ajudar nas inovações. Começamos com a mudança da marca por uma equipe muito competente. Ele também teve a ideia de tirar o pote de sorvete de 1 litro e passar a vender o de 1 litro e meio e eu confesso que fiquei preocupada como o cliente iria reagir. Então, eu tive uma ideia de fazermos um sorvete de castanha. Os técnicos diziam que era difícil, mas eu insisti e, graças a Deus, deu certo. E hoje o sorvete de castanha significa 30% de vendas, somando todos os sabores.

O Otimista – A senhora também se preocupou em fazer uma linha mais saudável de picolés…
Joselma – Ah, eu amo fruta! Sou filha de agricultores e sempre fui criada comendo fruta, tenho uma saúde de ferro e valorizo muito isso. Aqui em Fortaleza tem até uma história boa que eu soube de um pediatra que aconselhava muito as mães que procuravam com queixa de que os filhos não aceitavam comer fruta. E ele dizia: “pois dê picolé da Pardal pra ele!” (risos).

O Otimista – Como foi para a senhora passar por esse período de pandemia?
Joselma – A pandemia foi um choque. Eu passei uma semana perdendo sono, pensando em soluções. Porque eu tenho muito distribuidor aqui na cidade que depende de mim. Mas, graças a Deus, a gente já estava em andamento com a venda online, eu já vinha testando os aplicativos de entrega de comida e, de repente, eu falei: “Vamos colocar a venda online pra todo mundo”. Eu pensei que, como todo mundo estava direto em casa, eles iriam comprar o meu produto e, graças a Deus, deu certo. Lançamos um aplicativo próprio para a venda dos picolés e sorvetes que funciona por região, de forma que aquele cliente que mora em uma localidade é atendido pelos distribuidores que estão nessa mesma localidade. O que continuou gerando renda para quem estava nos bairros distribuindo Pardal e tivemos um aumento considerável nas vendas.

O Otimista – A senhora gosta sempre de inovar nos produtos. Como foi a criação do sabor São Geraldo e a parceria com a Paramount Pictures para o lançamento do filme Sonic?
Joselma – A parceria com a São Geraldo foi uma ação limitada, mas estamos em negociação para ver se conseguimos ter mais uma temporada produzindo. Na época do lançamento foi maravilhoso, tivemos uma boa aceitação por parte dos cearenses. Eu fiquei muito feliz. Acho que foi bom tanto para a gente como pra São Geraldo. Com relação à parceria com a Paramount, eu gostei bastante, mexeu muito com o consumidor, pois lançamos a embalagem para o sabor “pedacinho do céu” com o tema Sonic no mesmo período que o filme teve sua estreia nos cinemas. Os clientes amaram e eu acredito que novas parcerias virão.

O Otimista – E a expansão da Pardal, já tem algo previsto?
Joselma – Nós estamos ainda deixando a marca forte aqui no Ceará. A parceria com a São Geraldo foi muito positiva porque aumentou nosso alcance na região do Cariri, onde a São Geraldo atua mais fortemente, mas ainda falta fortalecer esse mercado por lá. Estou com distribuidor na Paraíba, mas acredito que iremos em breve expandir nossa atuação.

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