Economia

Inteligência artificial será o foco de projetos em Centro de Referência

Equipamento da UFC vai ampliar projetos realizados entre universidade, setor público e cadeia produtiva. A ideia é fortalecer o CE como polo de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

O Centro irá funcionar no Condomínio de Empreendedorismo e Inovação, já inaugurado

O Ceará caminha para ser um polo em desenvolvimento de projetos de tecnologia. Com o Centro de Referência em Inteligência Artificial da Universidade Federal do Ceará (UFC), que está em fase de estruturação, a unidade impulsionará ações entre o ambiente acadêmico, o setor público e a cadeia produtiva local, de outros estados e países. Parcerias com o Ministério da Justiça e com universidade chinesa já estão em andamento. Com a ampliação dos projetos, a universidade ganhará em pesquisa, desenvolvimento e financiamento, e o Estado, em crescimento tecnológico e ciência de dados, especialmente machine learning, big data.

Para isso, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) está mapeando os projetos em andamento na universidade e que podem ser desenvolvidos no centro, junto a seis grupos ou laboratórios que vão realizar as primeiras atividades. Os primeiros contempladas são Grupo de Redes de Computadores, Engenharia de Software e Sistemas (Great), Lógica e Inteligência Artificial (Logia), Grupo de Pesquisa em Telecomunicações sem Fio (GTel), Laboratório de Ciência de Dados (Insight Lab), Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (Lesc) e Centro de Referência em Automação e Robótica (Centauro).

Com os diversos projetos, tanto da capital quanto do interior, funcionando em um mesmo local, a estratégia é unir esforços e desenhar uma pós-graduação stricto sensu no tema Inteligência Artificial (IA) e Ciência de Dados. Contudo, o centro não ficará restrito a esses laboratórios, o que permitirá que pesquisadores de outras unidades que já trabalham com essas áreas participem da experiência. Essa atração resultará em benefícios para os pesquisadores, como a presença de uma equipe técnica para suporte nas questões administrativas dos projetos, como inscrição em editais nacionais e internacionais. Além disso, o centro contará com estrutura física e tecnológica que permitirá o processamento de grandes volumes de dados, condição essencial para o trabalho em IA.

Segundo o professor Augusto Albuquerque, pró-reitor de Relações Internacionais e Desenvolvimento Institucional da UFC, a ideia é congregar todas as iniciativas já existentes em um único espaço. “Vamos induzir novos projetos nessa área estratégica, gerar novas demandas para a universidade e ampliar o que já estamos fazendo. Há uma articulação central para otimizar o desenvolvimento, porque cada vez mais vão surgir demandas do setor público e da indústria”, afirma, utilizando como exemplo projetos em desenvolvimento com o Ministério da Justiça e já efetivados com o Governo do Estado. Neste caso, o professor se refere ao projeto Chefe Cientista, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Ceará (Secitece) que coloca pesquisadores nas secretarias, desenvolvendo projetos aplicados na iniciativa pública e, consequentemente, com benefício direto e indireto para a população.

Albuquerque informa ainda que há uma parceria em andamento com a Universidade de Nankai, na China. Neste mês, haverá uma reunião virtual entre professores da UFC e de Nankai, para apresentar projetos realizados nas duas universidades. A partir daí, a proposta é encontrar pontos e áreas de interesse comum e criar projetos de pesquisa em parceria para concorrer a bolsas e financiamentos em agências de fomento braisleiras e chinesas.

“A UFC tem um quadro muito preparado nas área de computação. Esses professores, através das várias prestações de serviço, detectaram que big data e inteligência artificial têm todas as condições para potencialiazar o desenvolvimento local nessa área”, diz, acrescentando que há muito tempo a UFC realiza projetos com empresas como a Ericsson, LG, Lenovo e Dell, por exemplo. Só na área de tecnologia da informação são mais de 200 alunos na graduação, com cursos em Fortaleza, Sobral, Quixadá e Crateús. “São muitos pesquisadores que são recrutados. O centro vai funcionar como um catalizador de demandas para impulsionar essas conexões”, diz.

Para o professor, a universidade e a sociedade estão entendendo que o desenvolvimento vai surgir das parcerias entre a administração pública e a privada. “O momento é muito bom, há uma oportunidade de melhorar essa aproximação. Os professores estão captando recursos que geram oportunidades para estudantes e para a universidade como um todo”, frisa.

Sinergia entre os grupos no Condomínio de Inovação

Outro ponto importante é poder aglutinar várias equipes de expertises diferentes em um mesmo local, no Condomínio de Empreendedorismo e Inovação, aumentando a sinergia entre os grupos. O condomínio, um prédio de cinco andares no Campus do Pici, reunirá ainda o escritório de projetos, coworking e o ecossistema de startups nascidas na UFC, bem como representantes do setor produtivo. Segundo o professor Rodrigo Porto, pró-reitor-adjunto da PRPPG e um dos coordenadores do Centro,  a estrutura terá parcerias com empresas públicas, privadas e governos, e que deverá mapear demandas com impactos sociais relevantes. Um exemplo ocorre na área da saúde, em que há projetos já em andamento com a iniciativa privada. “Teremos uma busca ativa em torno de demandas da sociedade, buscando resolver problemas socioeconômicos”, antecipa.

A longo prazo, o centro abre novas perspectivas para o Estado. “O Ceará é um estado pobre por conta da seca e da ausência de recursos naturais”, destaca o professor Maurício Benevides, diretor da Faculdade de Direito e um dos coordenadores do centro. O professor cita países como Israel, Coreia do Sul e Japão, que enfrentam a mesma carência de recursos naturais, mas entraram reverteram a situação através de investimento em conhecimento e inovação.

“Nossa grande riqueza são nossos alunos, muitos dos quais lotam as salas do IME e do ITA (Instituto Militar de Engenharia e Instituto Tecnológico da Aeronáutica) ou migram para o sul e para fora do país. Se o Centro de Referência for um polo de retenção de talentos e atração de inteligência, poderá transformar nossa realidade”, vislumbra. Benevides ressalta que a inteligência artificial é apontada como a última revolução industrial. “Perdemos todas as outras, mas agora há uma grande possibilidade de aproveitarmos o momento no desenvolvimento de aplicativos e soluções”, sugere.

O Centro de Referência já começou a ser equipado e conta com servidor com GPU de 20 núcleos com 256 GB e armazenamento com capacidade de 50 TB e três servidores com 4 processadores, 20 núcleos, 768 GB de memória e 800 GB de armazenamento SSD. Os equipamentos representam o que há de mais moderno para o treinamento de algoritmos de inteligência artificial e foram adquiridos com recursos do projeto Sinesp Big Data e Inteligência Artificial, que está sendo desenvolvido pelo Laboratório Insight para o Ministério da Justiça.

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