Economia

Inflação de outubro em Fortaleza desacelera e fecha em 0,83%

IPCA acumula taxa de 3,4% desde janeiro na capital cearense. No Brasil, inflação chegou a 2,22% neste ano. A taxa na capital cearense é inferior ao 1,22% registrado em setembro

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, teve taxa em Fortaleza de 0,83% durante o mês de outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é inferior ao 1,22% registrado em setembro. O IPCA na capital cearense acumula taxas de inflação de 3,4% desde janeiro e de 4,95% no período dos últimos 12 meses.
Nacionalmente, o IPCA ficou em 0,86% em outubro. A taxa ficou acima das registradas em setembro deste ano (0,64%) e outubro do ano passado (0,10%). De acordo com o IBGE, essa é a maior taxa do IPCA para um mês de outubro desde 2002 (1,31%). O IPCA no país acumula taxas de inflação de 2,22% no ano e de 3,92% em 12 meses.
“O índice inflacionário mais uma vez ficou acima da expectativa do mercado. Isso não é bom, porque o país vem tendo uma elevação do índice a cada período, principalmente dos produtos alimentícios, e neste momento também houve aumento do combustível em termos internacionais e elevação do câmbio, o que causa impacto principalmente nos alimentos, no combustível, no transporte e na logística como um todo”, analisa Ricardo Coimbra, Presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon Ceará).
Os preços de alimentos e bebidas tiveram aumento de 1,93% em outubro no país e foram o principal fator para a alta do IPCA. Dentro desses itens, os alimentos para consumo em domicílio foram os que mais pesaram para o resultado, por subirem 2,57%. Entre os produtos com inflação, destacam-se o arroz (13,36%), a batata-inglesa (17,01%), o óleo de soja (17,44%) e o tomate (18,69%).
Na interpretação de Ricardo Coimbra, a alta desses índices é reflexo, entre outros fatores, dos efeitos provocados pela pandemia. “Também está vinculada à elevação do câmbio e às incertezas sobre a economia brasileira e mundial. Houve ainda o crescimento de demanda, principalmente na parte de alimentos, em função do pagamento do auxílio emergencial, com mais recursos em circulação”, explica o Presidente do Corecon Ceará.
“Por outro lado, houve a elevação dos custos da produção, em função da elevação da taxa de câmbio, e, consequentemente, uma menor oferta de produtos no mercado interno, visto que parte significativa foi vendida para o exterior”, completa Ricardo Coimbra.

Expectativa é de que preços de alguns itens continuem altos

Na análise de Ricardo Coimbra, os preços de alguns itens, casos do arroz e da soja, devem continuar elevados, em razão do período de entressafra. “Da mesma forma, se a taxa de câmbio permanecer nesse patamar, deveremos ter a manutenção dos preços de custo logístico e de transporte”, projeta o Presidente do Corecon Ceará.
Os transportes também tiveram impacto na inflação de outubro, com alta de preços de 1,19%. As passagens aéreas, que subiram 39,83%, foram o item individual com maior impacto no IPCA de outubro. Outros grupos de despesas com altas importantes foram artigos de residência (1,53%), vestuário (1,11%), gasolina (0,85%), habitação (0,36%), saúde e cuidados pessoais (0,28%) e comunicação (0,21%). O único grupo de despesas com queda de preços foi educação, com taxa de -0,04% em outubro. “Em relação à meta inflacionária deste ano (entre 3% e 4%) os índices de outubro não devem causar impacto. Porém, podem gerar reflexos no processo inflacionário do ano que vem, e podem levar, no primeiro ou segundo trimestre de 2021, à uma pequena elevação da taxa Selic”, projeta Ricardo Coimbra.

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