Economia

Indústrias de polpas de frutas investem para crescer e atender mercado regional

Com os investimentos das empresas cearenses, a projeção é conquistar ainda mais mercados e expandir os negócios

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Seguindo a tendência de crescimento da indústria alimentícia durante a pandemia, o segmento de polpas de frutas cearense tem sido destaque no Nordeste e projeta expansão para alcançar outros mercados no País. Atualmente, o Ceará tem 148 empresas do ramo de conservas, fabricação de sucos concentrados e de polpa de frutas, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
O presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação e Rações Balanceadas no Estado do Ceará (Sindialimentos), André Siqueira, associa o crescimento do segmento de polpas à relevância das frutas cearenses no consumo doméstico e internacional. De acordo com ele, a expansão para outras regiões do País é uma tendência, considerando a evolução dos últimos anos.
“Temos potencial para evoluir também na exportação de polpas e há empresas associadas ao Sindialimentos que atuam nessa área. As indústrias cearenses de polpas têm levado seus produtos cada vez mais longe, para países da América, Europa e Oceania”, pontua André.
Atualmente, mais da metade da produção cearense é distribuída aos outros estados do Nordeste. E uma dessas empresas de destaque na região é a Nossa Fruta, que registrou aumento no volume de frutas processadas desde o início da pandemia. Foram 9 mil toneladas em 2019 e 10,3 mil toneladas em 2020, aproximadamente.

Mudança de hábitos
João Lima, diretor da empresa, atribui o aumento do consumo das polpas à mudança de hábitos da população, como o home office, o incremento no uso culinário e ainda a busca por alternativas mais saudáveis à alimentação, afinal o suco é substituto ao refrigerante e outras bebidas artificiais. “Isso porque os nossos produtos não contêm aditivos, corantes e conservantes e se adequam às exigências do consumidor. As polpas são versáteis e práticas, podem ser consumidas em todas as refeições, também em molhos e sobremesas. Dessa forma, como todo o mercado de alimentos, notamos o pico do consumo no início da pandemia, em março do ano passado”, compartilha João.
A empresa investiu ao longo da pandemia em reformulação de processos e ainda maior rigor nos protocolos para garantir segurança alimentar ao consumidor. O diretor destaca ainda que a marca investiu na implantação de certificação de qualidade e na expansão das câmaras frias de armazenagem: a nova estrutura permite armazenar de 5 a 7 vezes mais. Este ano, o objetivo é investir em logística, aumentando a frota em um terço, dado o crescimento da marca.

Frutas da estação
Para acessibilizar ainda mais o produto, as indústrias locais têm nas frutas da estação estratégia de diminuir os preços ao consumidor, “o que também pode facilitar as oportunidades de exportação dos produtos”, lembra André Siqueira.
Com cajá, caju, acerola, goiaba e manga em alta, outra vantagem é o rendimento maior, já que a fruta é cultivada em condições ideais. A Pomar, empresa que atua há 25 anos no Estado, tem produção e fabricação de polpas de frutas em unidades no Ceará, Bahia e Paraíba.
“Nós comprávamos, por exemplo, cajá da Bahia, mas quando recebíamos a mercadoria, percebíamos que não tinha uma qualidade muito boa. Então decidimos investir na produção própria”, exemplifica Veruska Ribeiro, diretora da Pomar.

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