Economia

Indústria cearense consolida recuperação e produção cresce 7,5% em novembro

Pesquisa do IBGE também aponta que o Estado teve desempenho acima da média nacional na indústria geral, com 1,7% de alta entre outubro e novembro. Especialista alerta para necessidade do controle da pandemia para reabilitação do setor

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


O ritmo de recuperação da indústria cearense vem se mantendo nos últimos meses, e o resultado positivo do setor entre outubro e novembro de 2020 comprova essa tendência. Nesse intervalo, o estado teve um crescimento da produção industrial de 7,5%, de acordo com dados divulgados ontem (14) pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM-Regional) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na indústria geral, a variação de outubro para novembro no Ceará foi 1,7%, maior que a média nacional (1,2%). Na comparação com novembro de 2019, o Ceará cresceu 6% – o 6º melhor desempenho do país no período.
“A indústria cearense tem um perfil de retomada que pode ser dividido em dois: por um lado, setores tradicionais, como o têxtil, de confecção, de couro, calçados, móveis e construção civil, que estão tendo uma retomada mais acelerada, porque já possuem uma cadeia produtiva e uma rede de clientes e fornecedores”, descreve o economista Lauro Chaves Neto, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e assessor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). “Por outro lado, temos setores portadores de futuro, como a economia do mar, a economia da saúde e as energias renováveis, que têm um potencial maior, porém necessitam de mais estímulo para trazer essa aceleração do crescimento ao longo dos próximos anos”, detalha.
Além do Ceará, outras sete localidades do país pesquisadas pelo IBGE superaram – entre outubro e novembro – o patamar de fevereiro de 2020, antes do início da pandemia: Amazonas (14,9%), Santa Catarina (9,5%), Minas Gerais (6,2%), São Paulo (6%), Paraná (5,9%), Rio Grande do Sul (5,2%) e Pernambuco (1,8%).
“A produção industrial em todo o Brasil continua em ritmo de retomada, após os meses mais dificeis de isolamento social, entre maio e agosto, quando houve o lockdown e a desestruturação das cadeias de suprimentos e de distribuição. A recuperação é desigual, mas aponta para um movimento de alta, que deverá ser contínuo em 2021, e se forem feitas as reformas necessárias na economia, teremos uma aceleração a partir de 2022”, projeta Lauro Chaves Neto.
No caso da produção industrial cearense, teve destaque o segmento de couro, artigos para viagem e calçados, que registrou variação de 6,4% em novembro. “A indústria cearense tem recuperado o seu protagonismo, a partir da coordenação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Seus 40 sindicatos têm atuado na integração das cadeias produtivas, na inovação e na internacionalização. Se juntarmos esses eixos, temos uma demonstração da força da indústria cearense, liderada pelo presidente Ricardo Cavalcante”, analisa o economista Lauro Chaves Neto.

Brasil
Em termos nacionais, a produção industrial apresentou alta em 10 dos 15 locais analisados pelo IBGE. São Paulo exerceu a maior influência no resultado da indústria nacional, com alta de 1,5% em novembro, depois da retração de 0,5% em outubro. Para Bernardo Almeida, gerente da pesquisa Pesquisa Industrial Mensal, com a virada para 2021 é que se poderá avaliar como será o comportamento da produção industrial, saindo de um ano em que a pandemia atingiu bastante o setor. “O patamar em âmbito nacional ainda está muito aquém do pico que a produção pode atingir. A indústria ainda caminha um passo gradual e cautelar, justamente pelas incertezas de que toda a conjuntura ainda vai se desdobrar”, observa.

Só existe economia forte com uma saúde sustentável, defende analista

Em se tratando de projeções para 2021, não há como desvincular a saúde pública da recuperação da economia – e para a indústria essa afirmação também é verdadeira. Em outras palavras, o crescimento do país depende do controle da pandemia. “Só existe economia forte com uma saúde sustentável. E só é possível ter uma saúde de qualidade com uma economia forte. Essa falsa dicotomia, que é preciso ou salvar vidas ou salvar a economia, não existe”, garante Lauro Chaves Neto.
Na visão do assessor econômico da Fiec, todos os esforços para a recuperação da indústria cearense e brasileira são válidos, pois vão trazer reflexos para os demais segmentos da economia. “A indústria, quando obtém um crescimento, tem um grande efeito multiplicador. Nas nações com forte componente industrial, os demais setores vêm por gravidade, porque quando aumenta a produção industrial, cresce o comércio, os serviços, e toda a economia gira de forma mais rápida”, explica.
Na pesquisa do IBGE, além do Ceará, o setor industrial da Região Nordeste (2,9%), de Santa Catarina (2,8%), e do Rio de Janeiro (1,6%) mostraram avanços mais intensos do que a média nacional (1,2%). Embora não tenham superado a média nacional, Paraná (1,2%) e Minas Gerais (0,6%) também apresentaram altas entre outubro e novembro de 2020.

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