Economia

Índice de Confiança da Construção Civil recua após seis altas seguidas, diz FGV

A queda se deu em relação à situação presente e futura. Segundo Sinduscon, alto preço dos insumos (como cimento e aço) preocupa o setor. A tendência é que a oferta desses produtos aumente e o preço normalize

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Depois de seis melhoras consecutivas, o Índice de Confiança da Construção teve queda de 1,4 ponto em janeiro e chegou a 92,5 pontos. O indicador, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) vai de zero a 200 pontos. Conforme o levantamento, o setor está cauteloso em relação ao presente e ao futuro.
O Índice da Situação Atual, que mede a satisfação do empresariado do setor com o presente, recuou 1,9 ponto e atingiu 90,5 pontos. Já o Índice de Expectativas, que mede a confiança em relação aos próximos meses, teve queda de 0,9 ponto e chegou a 94,6 pontos.

Insumos
“Acompanhamos com bastante preocupação principalmente por conta do preço dos insumos. Tijolo dobrou de preço, cimento e aço subiram até 80% e PVC está em falta no mercado. Foi onde sentimos mais. A tendência é que a oferta desses produtos aumente e o preço normalize”, torce Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE).
Conforme o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) de janeiro, inclusive, materiais e equipamentos tiveram menor inflação entre dezembro (2,08%) e janeiro (1,43%). Com o resultado de janeiro (0,93%), o INCC-M acumula inflação de 9,39% em 12 meses.
A variação mensal é atribuída aos aumentos da inflação da mão de obra, que subiu 0,61% em janeiro ante 0,06% em dezembro, e dos serviços, 0,38% em dezembro e 0,48% em janeiro.

Custos
O INCC encerrou 2020 no Ceará com variação acumulada de 10,93%. “Desde setembro, o custo dos materiais vem crescendo como fator limitativo, associado ao expressivo aumento dos preços observados a partir desse período. Essa questão deve se manter entre as principais dificuldades do setor nos próximos meses”, detalhou a pesquisadora Ana Maria Castelo, da FGV.
Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia, lembra que até o aumento do câmbio impactou os custos de produção, uma vez encareceu a importação de parte dos insumos. “Isso dificulta a recomposição dos projetos lançados, a capacidade de lucratividade e desestimula o setor. O momento incerto de recuperação da atividade econômica também impacta a confiança do empresariado e dos consumidores. Por outro lado, no ano passado, a Construção Civil teve forte recuperação pelos estímulos após a queda dos juros”, lembra.

Instabilidade
As instabilidades políticas e o avanço lento da imunização contra o coronavírus também podem refletir na avaliação dos investidores. Pelo alto risco, o receio é esperado, conforme Wilton Daher, economista, administrador e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef Ceará).
“É natural que tenha havido retração, desânimo e desconforto do empresariado. Isso também é reflexo da segunda onda de covid-19. A preocupação do segmento se dá ainda porque ele trabalha com planejamento de médio e longo prazo. A falta de previsibilidade impacta, mas o avanço da vacinação, ainda que lento, pode dar esperança”, completa Wilton.

Ceará
Ao contrário do que foi percebido nacionalmente, o aumento do custo de mão de obra não foi percebido no Ceará, desde o ano passado, conforme Patriolino, presidente do Sinduscon.
“Existe um delay para chegar aqui. Portanto, os empresários locais estão esperançosos, também porque não houve muitos lançamentos em 2020. Com a taxa básica de juros em 2% ainda, são esperados lançamentos e reaquecimento no segundo semestre”, projeta. (com agências)

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