Economia

Inadimplência cai 2,53% entre agosto e setembro, aponta SPC

Números mensais são melhores que os do Nordeste e do Brasil. Bancos concentram mais da metade das dívidas em atraso no Estado, segundo pesquisa do SPC/CDLs

Lucas Braga

economia@ootimista.com.br

O número de inadimplentes no Nordeste caiu 0,33%, entre agosto e setembro, e nacionalmente ficou praticamente estável, com variação de -0,16%. Contudo, no Ceará caiu mais: 2,53%. Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito das Câmaras de Dirigentes Lojistas (SPC/CDLs).

Em um ano, o movimento foi inverso. Na comparação de setembro de 2020 com setembro de 2019, a inadimplência cresceu 5,13% no Estado e diminuiu na região Nordeste (‐2,21%) e no País (‐1,14%). Superintendente da CDL de Fortaleza, Cristian Pinheiro explica que essa comparação anual pode ser explicada pela mudança de cenário na economia.

Os mais inadimplentes são aqueles entre 30 e 39 anos, representando 25,8% do total com dívidas em atraso no Ceará. E o setor com participação mais expressiva dentre essas em setembro foi o de bancos, com 52% do total, seguido de longe pelo comércio (16,97%) e contas de consumo, como água e luz (14,51%).

“O recuo do indicador no mês revela que mais pessoas estão conseguindo quitar débitos em atraso, que foram adquiridos, principalmente, com cartões de crédito, carnês, empréstimos pessoais e prestações de financiamentos de veículos e de imóveis. O cenário reflete leve melhora em relação à renda das famílias, já que muitas atividades econômicas retornaram nos últimos meses”, pontua Cristian.

Incertezas para 2021

O auxílio emergencial do Governo Federal, os programas de socorro às pequenas e microempresas e a queda da taxa básica de juros estiveram ainda entre as razões de melhoria na inadimplência, uma vez facilitou a renegociação de dívidas por parte dos bancos. Nos primeiros meses da pandemia, as instituições financeiras permitiram o adiamento dos pagamentos por 60 dias.

Ainda assim, com a crise, cresceu o número de pessoas físicas e micro e pequenas empresas que precisaram de crédito. O aumento do endividamento pode elevar a inadimplência, se não houver recuperação econômica rápida, conforme alerta Lauro Chaves Neto, conselheiro Federal de Economia (Cofecon) e PhD em Desenvolvimento Regional pela Universidade De Barcelona.

“O número de inadimplentes poderia ser muito maior sem o auxílio emergencial, que ajudou aproximadamente um terço da população nacional, nos meses mais críticos, com R$ 600 e agora R$ 300”, concorda Lauro, que também é professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Mas com o fim do auxílio, previsto para dezembro, a grande questão é saber como essa inadimplência vai se dar. O desemprego, que já era muito grande antes da pandemia e aumentou, tende a mostrar sua face mais cruel”, completa

Se o auxílio for descontinuado sem alternativas ou substitutivos, sem aquecimento significativo nos setores que mais empregam, o consumo pode cair bruscamente, com crescimento da inadimplência. Cláudia Brilhante, diretora Institucional da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), acrescenta que os dependentes do benefício devem ter prudência nas compras de fim de ano.

“Muitos ficaram mais conscientes e cautelosos, evitando gastos excessivos e priorizando o pagamento de dívidas nos últimos meses. Além disso, com a pandemia, muita gente deixou de sair, reduzindo custos com alimentação fora de casa, lazer, combustíveis, transporte e serviços, enquanto outros se empolgaram com as compras online”, analisa.

Ela recomenda que o consumidor quite as dívidas, principalmente com bancos, financeiras e cartões de crédito, neste fim de ano. E, inclusive os adimplentes, devem optar pelas compras à vista, além de não gastar todo o 13º salário, haja vista a instabilidade no cenário econômico nacional, os impostos e as comuns despesas escolares no início do ano. “O comércio já está preparando promoções para pagamento à vista nesta Black Friday, Natal e Réveillon”, completa Cláudia.

Em um ano, 42% dos brasileiros percebem menos dinheiro no bolso

No ano mais atípico dos últimos tempos, onde negócios promissores viram seus clientes sumirem, enquanto outros atingiram picos de demanda, a Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado e consumo fez uma pesquisa para saber como anda a situação financeira das pessoas e seus comportamentos de compras.

Pelo menos 25% dos brasileiros afirmam ter se endividado este ano, enquanto 72% disseram ter mantido o controle de consumo e não fizeram dívidas. Dentre os endividados, 56% não procurou empréstimo, 22% buscou empréstimo bancário; 14% buscou com amigos e familiares; 6%, em financeiras; e 2% buscaram crédito abrindo uma conta em outro banco.

Os números são de pesquisa divulgada ontem (19) pela empresa de monitoramento de mercado e consumo Hibou. Foram entrevistadas mais de 3.600 pessoas do Brasil todo, à distância, sendo 57% mulheres e 43% homens, das classes sociais A, B e C.

De acordo com o levantamento, em outubro de 2020, 42% dos brasileiros estão com menos dinheiro, em comparação a outubro de 2019. Enquanto 29% dos entrevistados afirmam não ter tido mudança em um ano, outros 29% afirmam ter mais dinheiro no bolso.

Contudo, o pessimismo é menor: 35% dos brasileiros não têm ideia do que vai acontecer, enquanto 31% acredita que tudo estará melhor em 2021, em suas vidas financeiras; 27% acha que será mais preocupante do que hoje; e 7% disse que estará tudo igual ao que está atualmente. No geral, 63% dos brasileiros estão esperançosos; 54% preocupados; 49% focados; 42% otimistas; 41% animados; 37% indignados; 28% medrosos; 24% indiferentes e 19% pessimistas.

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