Economia

Hapvida anuncia compra da Promed por R$ 1,5 bilhão e outras duas aquisições

Companhia investe na ampliação da rede no Sudeste e Centro-Oeste. Estratégia é ganhar mercado com expansão da infraestrutura em grandes centros urbanos. Maior aquisição é em Minas Gerais, onde foi firmado acordo de R$ 1,5 bilhão

Marta Bruno
martabruno@ootimista.com.br

Em processo de expansão nacional, o Sistema Hapvida anunciou ontem, em evento online, aquisição de empresas, de participações acionárias, de carteira de clientes e arrendamento em estados do Sudeste e Centro-Oeste. As medidas visam à verticalização da companhia, que tem como estratégias verticalização nacional, com investimentos voltados para atendimento ambulatorial e diagnóstico por imagem, a fim de melhorar serviços. A operação mais volumosa foi a de Minas Gerais, onde foi aplicado R$ 1,5 bilhão. O acordo em São Paulo está orçado em R$ 11 milhões e o de Goiás, em R$ 20 milhões. Segundo a companhia, as três operações são financiadas com recursos próprios disponíveis em caixa. A estratégia nos próximos anos continua sendo comprar carteira, hospital, integrar e ampliar infraestrutura e capacidade de atendimento.

Em Minas, através da subsidiária Ultra Som Serviços Médicos S.A, o Hapvida comprou o Grupo Promed, que compreende três operadoras de saúde (Promed Assistência Médica, Promed Brasil Assistência Médica, Saúde Sistema Assistencial Unificado de Empresas), duas unidades hospitalares (Centro Médico Progroup e Hospital Progroup) e sete clínicas de atendimento primário (Med Clínicas Serviços Médicos). Além disso, a companhia também adquiriu 96,5% da participação societária do Hospital Vera Cruz, um dos mais tradicionais do estado e revitalizado recentemente, em Belo Horizonte.

As três operadoras possuem uma carteira de 270 mil beneficiários de planos de saúde, sendo 80% localizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No estado, a companhia já atuava junto a 70 mil beneficiários em planos de saúde na região do Triângulo Mineiro, através da RN Metropolitan e do Grupo São Francisco. De acordo com o CEO do Sistema Hapvida, Jorge Pinheiro, os ativos referentes às novas operações em Minas são “espetaculares e únicos”. As operadoras atuavam de maneira independente, mas as três em Belo Horizonte, terceiro maior mercado brasileiro no setor.  “A grande notícia é que as operadoras não tinham sinergia entre elas, os usuários não são encaminhados de um hospital para outro. Agora, o enorme potencial de sinergia nos concede diferencial de competitividade”, ressalta.

Como afirma o diretor superintendente financeiro do Sistema Hapvida, Bruno Cals, a companhia desenvolveu uma metodologia para efetivar as integrações, com benefícios a curto, médio e longo prazo. Isso inclui renegociação de contratos e de médicos associados. “Assim conseguimos ter regulação e protocolos bem assistidos em um modelo único nacionalmente. À medida que adquirimos novas empresas, vamos virando a esteira”, compara. O valor da transação em Minas será deduzido em R$ 500 milhões da dívida líquida do Promed. Do total, R$ 500 milhões serão pagos em dinheiro, sendo 80% na data do fechamento e 20% após o reajuste de preço. Os outros R$ 500 milhões serão pagos em ações do Hapvida, por meio da emissão de 8,3 milhões de papéis.

Estruturalmente, a empresa começará investindo em tecnologia, ampliação da rede e integração de todos os ativos. Entre os planos de expansão orgânica para Minas Gerais está a construção de um novo hospital Uberlândia, com inauguração prevista para o segundo semestre de 2021, além de outras unidades assistenciais, como clínicas e unidades de pronto atendimento. Em resposta a investidores que assistiram à apresentação, Jorge Pinheiro garantiu que o caixa da empresa permanece preservado e que as operações futuras continuarão de forma “ágil e agressiva”.

Segundo Pinheiro, a estrutura mais complexa é a construção de hospital, que pode levar de um a dois anos. “Os hospitais a serem comprados vão atender não só a essa carteira. Há espaço para crescer, e de forma ágil e agressiva. Atendemos boa parte do varejo, das indústrias, muitos deles nos convocam para novas regiões. Isso ocorre porque temos uma garantia de qualidade assistencial que guarda os usuários, com custo mais baixo. É natural que nossa área comercial já tenha mapeado todos os clientes atendidos na região”, detalha.

O prazo estimado para revisão de novos produtos, aprovação de novas operações, implantação de sistemas e integração de ativos vai ficar “um pouco mais para a frente”, como informa Jorge Pinheiro, acrescentando que ao fim do terceiro ano esse projeto estará completo. Nesse período, a companhia buscará mais consolidação no setor, “com compromisso de atender com qualidade e de forma acessível às pessoas e às empresas”. Ele estima que, ao longo de cinco anos, o benefício fiscal seja de R$ 200 milhões.

O acordo firmado em São Paulo refere-se ao arrendamento do Hospital Materno Infantil Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto. Com mais de 40 anos de existência, a unidade é referência em gestação de alto risco e atendimento infantil de alta complexidade. O hospital vai receber investimentos de mais de R$ 11 milhões para modernizar a infraestrutura a ampliar a capacidade. O Sinhá Junqueira tem 7.400m², mais de 100 leitos, pronto atendimento, centro cirúrgico, UTI neonatal e pediátrica, unidade de prematuros e berçário e 42 apartamentos individuais e duplos, além de centro de diagnóstico por imagem, laboratório de análises clínicas e banco de sangue.

Ainda em São Paulo, estão previstas inaugurações, no primeiro semestre de 2021, de três novos hospitais em Barretos, Bauru e São Carlos. Também faz parte dos planos de expansão o Hapvida assumir, nos próximos meses, as operações da Medical, em Limeira, incorporando mais de 80 mil beneficiários, um hospital e clínicas, bem como do Grupo São José, no Vale do Paraíba paulista, com mais de 50 mil beneficiários, dois hospitais e clínicas.

Em Goiás, o protocolo para transferência integral da carteira de beneficiários da Samedh foi firmado por R$ 20 milhões. São 18 mil beneficiários de planos de saúde concentrados na região de Goiânia, com a carteira majoritariamente de planos coletivos corporativos. A transação é sinérgica, pois a companhia já possui cerca de 220 mil beneficiários nessa região sendo atendidos, atualmente, pela rede própria do Grupo América, também incorporado pelo Hapvida.

Assim, há três hospitais, um recém-inaugurado pronto atendimento, 14 clínicas e 17 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial para atender à carteira no estado goiano. Entre os planos de expansão orgânica para o Centro-Oeste estão a construção de um hospital em Dourados (Mato Grosso do Sul), um pronto atendimento, uma clínica e duas unidades de diagnóstico, todos com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2021. Todas as aquisições estão pendentes de apreciação e aprovação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Mesmo com as aquisições nas duas regiões, Fortaleza continua líder em número de beneficiários (552 mil), seguida de Recife (483 mil), Salvador (347 mil), Manaus (236 mil) e Belo Horizonte (214 mil). A capital cearense também lidera em infraestrutura, com cinco hospitais, quatro unidades de pronto atendimento, 17 clínicas médicas e 19 centros de diagnóstico.

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