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Governo do Estado afirma que 109 mil pessoas serão vacinadas até o fim desta semana

Projeção da Sesa tem como base o recebimento inicial de 218 mil doses da Coronavac, ocorrido ontem. Caucaia, Sobral, Tianguá, Icó e Iguatu são algumas das 22 cidades cearenses contempladas com a carga enviada pelo Ministério da Saúde

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Chegada das doses foi acompanhada por Governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza (Foto: Brian Dutervil)

O sol se pôs diferente para os cearenses ao fim do dia desta segunda-feira (18). Junto aos últimos raios de luz da tarde, 218 mil doses da CoronaVac chegaram ao Ceará.

Ainda durante a noite, as primeiras doses foram distribuídas as 22 Áreas Descentralizadas de Saúde (ADS) do Estado para dar o pontapé inicial na vacinação marcada para começar oficialmente hoje (19). Presente no ato de chegada dos imunizantes, o secretário da Saúde, Dr. Cabeto, estimou que 109 mil cearenses devem ser vacinados até o final desta semana. Ainda durante o ato, o governador Camilo Santana destacou que o Ministério da Saúde deve receber mais doses ainda nesta semana, resultando em um possível novo lote a ser enviado.

Como a referida vacina necessita de uma segunda aplicação para garantir imunização contra a covid-19, o número de vacinados corresponde exatamente à metade do total de unidades proveniente da primeira remeça. “Ainda vamos elaborar a logística de aplicação da segunda dose que deve ser feita entre 14 e 21 dias após a primeira aplicação”, afirmou Dr. Cabeto.

O critério de distribuição aos municípios, ainda conforme o titular da Secretaria da Saúde (Sesa), é decidido a partir da quantidade de profissionais da saúde atuantes na linha de frente do combate à pandemia e do número de idosos institucionalizados. Idosos a partir de 75 anos, pessoas com deficiência acima de 18 anos institucionalizados, profissionais da saúde em geral e indígenas integram o grupo prioritário da primeira fase.

Outras cidades
Além de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Baturité, Canindé, Itapipoca, Aracati, Quixadá, Russas, Limoeiro Norte, Sobral, Acaraú, Tianguá, Tauá, Crateús, Camocim, Icó, Iguatu, Brejo Santo, Crato, Juazeiro do Norte e Cascavel foram os pontos de ancoragem para a captar as doses. De acordo com a Sesa, após chegarem às ADS, ainda ontem, lotes foram remanejados aos municípios de menor porte que ficam nas proximidades das áreas descentralizadas. Também presente para acompanhar a chegada, Camilo Santana informou que cerca de 160 equipes estão prontas para dar início à vacinação nos municípios do Interior.

“É um sentimento de esperança à população para que a gente possa superar esse momento desafiador de quase um ano convivendo com a covid-19”, definiu o governador. A vice-governadora Izolda Cela e o prefeito de Fortaleza José Sarto também estiveram presentes para acompanhar a chegada;

O Estado, conforme destacou Dr. Cabeto, está trabalhando para um possível aumento de lotes no que diz respeito à aquisição de insumos necessários à vacinação. No total, o Ceará dispõe de 5 milhões de seringas. “O Estado já tinha dois milhões e recebemos mais três milhões. Receberemos o restante nesta semana para completar os oito milhões e ainda tem licitações abertas com entregas até o final de janeiro. Devemos chegar em fevereiro com o dobro”, projetou.

Sem especificar quantidades, o chefe do Executivo estadual ressaltou que o Estado deve receber mais imunizantes nos próximos dias. “Já há um cronograma de expectativa para o Ministério da Saúde receber mais doses ainda essa semana, portanto, vamos continuar essa luta para a gente ter o mais rápido possível o maior número de vacinas necessárias para imunizar a população cearense.” Camilo Santana mencionou ainda outra movimentação que pode beneficiar o Ceará: o pedido do Instituto Butantan junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a aprovação do uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses.

Fiocruz segue no aguardo do envio de doses da índia
Entre os imunizantes capazes de beneficiar o Ceará na luta pela imunização está a vacina de Oxford e AstraZeneca, replicada no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O pedido emergencial submetido pela Fiocruz junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se refere as duas milhões de vacinas prontas que serão importadas do Instituto Serum, um dos centros capacitados pela AstraZeneca para a produção da vacina na Índia.

A logística e a execução do transporte dessas vacinas junto ao governo indiano, entretanto, fica a cargo do Governo Federal. Em nota, a Fiocruz afirma que tem se mantido em interlocução permanente junto aos órgãos do Governo Federal para a atualização de informações. A previsão do ministério era de que a entrega ocorresse no último domingo (17), data que acabou não se concretizando.

Ausência de insumos
Outra questão pode dificultar a vacinação no Brasil: a ausência de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) para a replicação dos imunizantes. Se mais insumos não chegarem, o Butantan só conseguirá produzir novas doses da CoronaVac até o dia 31 deste mês. Acordo com a Sinovac previa a chegada de mais de 11 mil litros do IFA, mas insumos foram represados pelo governo da China.

O caso da Fiocruz é semelhante, uma vez que a entrega já foi adiada duas vezes e a Fundação segue sem capacidade de produzir doses próprias. Em nota, centro de pesquisa diz estar em contato com a AstraZeneca para liberação e exportação da China, que tem protocolos específicos e aguarda informações mais precisas para confirmar a data de chegada dos insumos ao Brasil. (Danielber Noronha)

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