Economia

Geração de empregos deve ganhar força no Ceará no segundo semestre

A retomada mais forte das atividades econômicas no Estado e o aumento da confiança dos empresários anima o mercado de trabalho, que deve abrir mais vagas e ter melhores resultados no segundo semestre deste ano, em relação ao primeiro

Setor de serviços é um dos que apresentam maior recuperação na abertura de novas vagas de emprego formal no Estado (Foto: Edimar Soares)

Crisley Cavalcante
economia@ootimista.com.br

A proximidade do segundo semestre traz mais otimismo aos setores da economia no Ceará quanto à geração de emprego e renda, tanto pela chegada da alta estação, beneficiando segmentos como comércio e serviços, como por conta do período de setembro a dezembro, conhecido como B-R-O-Bró, importante para o comércio. A retomada cada vez mais forte das atividades econômicas no Estado, com a realização de grandes eventos, e o aumento da confiança dos empresários também animam o mercado de trabalho.

De janeiro a abril deste ano, por exemplo, o Ceará gerou 12.733 vagas de emprego formal, segundo os dados mais recentes do do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Só em abril, foram criadas 5.304 novas oportunidades, fazendo o Estado se destacar na região Nordeste, atrás apenas da Bahia.

Captação de vagas

O Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), por exemplo, captou, de janeiro a maio de 2022, mais de 27 mil vagas de trabalho formais e informais, o que resultou em mais de 18 mil trabalhadores efetivados.

“O Ceará tem dado passos importantes na geração de emprego e esperamos que esse movimento continue até o fim do ano. O aumento da cobertura vacinal contra a covid-19 e a manutenção de investimentos públicos têm criado uma ambiência em que as empresas se mostram mais confiantes para investir e gerar emprego”, afirma o presidente IDT, Vladyson Viana.

Ritmo menor

Mas, segundo o secretário de Desenvolvimento do Trabalho do Ceará (Sedet), Maia Júnior, as projeções indicam que o Ceará não terá o mesmo desempenho na geração de emprego do ano passado, quando foram criadas 81,4 mil vagas formais. Mesmo assim, a expectativa é que 2022 seja mais um ano positivo para o mercado de trabalho local.
“Estamos trabalhando para isso, mas penso que não vamos conseguir repetir o mesmo resultado, apesar do maior otimismo para o segundo semestre. O crescimento da economia cearense, neste ano, deve ser menor que em 2021”, diz.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cearense cresceu 6,63%. Para 2022, a estimativa é que a economia local avance 1,25%, segundo a última projeção do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Divulgação do PIB

O secretário lembra que o Ipece deverá divulgar nesta semana o resultado do PIB do Ceará, referente ao terceiro trimestre deste ano.

“O mundo está em crise e, no Brasil, não é diferente. Ainda temos a guerra no Leste Europeu, entre Rússia e Ucrânia, problema que tem desorganizado a cadeia de suprimentos, afetado a inflação, os juros, e tudo isso reflete no mercado de trabalho”, acrescenta.

A presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Silvana Parente destaca que a recuperação do nível de emprego no Ceará está diretamente ligada à normalidade das atividades econômicas, após o período mais crítico da pandemia.

“Em relação ao mercado de trabalho, o maior desafio do Brasil é gerar mais empregos formais do que informais”, reforça.

Crise global prejudica recuperação de empregos

O cenário de lenta recuperação na geração de emprego no Brasil e no mundo, que teve início na segunda metade de 2021, após o período mais crítico da pandemia de covid-19, volta a sentir os efeitos de problemas como a inflação.
E isso ocorre tanto em razão de fatores externos, como a crise global por conta da guerra no Leste Europeu, quanto por questões internas, considerando as especificidades de cada país.

Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), no relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências 2022, revelam que as múltiplas crises globais estão causando uma deterioração acentuada na recuperação do mercado de trabalho global, com desigualdades crescentes dentro e entre países.

Com base nas últimas previsões, a OIT estima que o total global de horas trabalhadas em 2022 se mantenha quase 2% abaixo do nível anterior à pandemia, correspondendo ao déficit de 52 milhões de empregos. O desemprego global deve ficar neste ano em 207 milhões, cerca de 21 milhões a mais do que em 2021 (186 milhões).

Além disso, a estimativa é que o desemprego global permaneça acima dos níveis anteriores à pandemia até, no mínimo, 2023.

No Brasil, a taxa de desemprego ficou em 11,1% no primeiro trimestre de 2022, mostrando estabilidade na comparação com o quarto trimestre de 2021.

Em relação a igual período de 2021, houve queda de 3,8 pontos percentuais no índice de desemprego do País (14,9%), segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, o Brasil ainda tem 11,9 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho.

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