Economia

Ganho real do novo salário mínimo é anulado por aumento nos preços, dizem especialistas

Segundo especialistas, considerando que a inflação das famílias de baixa renda tem sido bem maior que a inflação média, o ganho real do salário mínimo é anulado pelo aumento nos preços. Impacto atinge ao menos 50 milhões de brasileiros

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Lidianne Andrade/MyPhoto Press/Folhapress)

A definição do salário mínimo em R$ 1.100 para este ano representa reajuste de +5,26%, acima da inflação média prevista (4,11%), segundo o Ministério da Economia. Contudo, até novembro, o registro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) já estava acumulado em 5,22%. O piso começou a valer no dia 1º de janeiro.
O novo valor diário do salário mínimo é de R$ 36,67 e a hora corresponderá a R$ 5. Para a economista vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Silvana Parente, o aumento de R$ 55 sequer compensa a inflação real na cesta básica, a qual disparou durante a pandemia. Ou seja, considerando que a inflação para as famílias de baixa renda tem sido bem maior que a inflação média, o ganho real é anulado pelo aumento nos preços. Estima-se que pelo menos 50 milhões de brasileiros tenham rendimento referenciado no salário mínimo.
“O reajuste evita a perda real, mesmo sendo um valor pequeno. Isso é importante para o País, por ser influência positiva neste momento de retração do consumo. Mas a inflação da cesta básica é bem maior do que a inflação média. O salário médio real do brasileiro tem caído e o salário mínimo é apenas um colchão de proteção para evitar que caia ainda mais”, diz Silvana.
O salário mínimo ideal para que uma família de quatro pessoas possa se sustentar deveria ser de R$ 5.289,53, de acordo com os cálculos mais recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), referentes a novembro. A estimativa considera uma família com dois adultos e duas crianças e a cesta básica mais cara dentre as capitais, que foi a de São Paulo.
“Através dessa política de rendas é que se consegue construir um país mais justo e equilibrado. Ela precisa promover redução das desigualdades sociais e territoriais, aumentar o poder de compra da população e fortalecer o mercado interno”, analisa Lauro Chaves Neto, conselheiro Federal de Economia (Cofecon), professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona.
Lauro pontua que há limites em relação ao ganho real que pode ser concedido, para que não haja efeitos colaterais sobre o desenvolvimento econômico. “Tudo isso deve acompanhar a movimentação da produtividade da economia”, completa.

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