Economia

Falta de peças impede crescimento do setor automobilístico, afirma Sincopeças

De acordo com o sindicato, escassez de matéria-prima tem causado desabastecimento das indústrias, que ainda não conseguiram superar perdas sofridas durante a pandemia. Expectativas são otimistas para 2021

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

 (Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem/Folhapress)

A indústria automobilística brasileira recuperou parte do nível produtivo, em novembro. De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), naquele mês saíram das fábricas 238,2 mil autoveículos.
Foi o melhor desempenho do ano, mas insuficiente para recuperar as perdas sofridas durante a pandemia. No acumulado de 2020, a produção é 35% menor que a do ano passado. Para Ranieri Palmeira Leitão, Presidente do Sindicato do Comércio de Peças e Serviços para Veículos do Estado do Ceará (Sincopeças-CE), a falta de autopeças foi um dos fatores que impediu um crescimento maior do setor automobilístico. “Poderíamos estar bem melhores. Essa falta de autopeças comprometeu o desempenho. Estão faltando insumos, como o aço e o plástico, deixando as fábricas com um nível de produção insuficiente para suprir o mercado, o que gera desabastecimento no setor”, avalia.
De acordo com o dirigente, a escassez de autopeças se deve pela baixa oferta de matérias-primas. “Falta papelão para produzir embalagens. E que indústria pode vender, se não tem caixa para despachar os produtos?”, exemplifica Ranieri Leitão. “Também está havendo falta de pneus, de peças que levam aço em sua fabricação e de plástico poliuretano”, descreve.
O problema se intensificou nos últimos três meses, quando houve a retomada mais consistente da economia, e as indústrias de autopeças não conseguiram acompanhar a demanda, pela falta de insumos. “Tivemos uma boa recuperação no segundo semestre. Só não vendemos mais, desde agosto, porque o mercado estava desabastecido”, observa Ranieri Leitão.
De acordo com o Presidente do Sincopeças-CE, o segmento foi um dos menos afetados pela pandemia. “Conseguimos, junto ao Governo do Estado do Ceará, que o setor fosse considerado essencial, e por isso as perdas foram menores. Ficamos poucos dias de portas fechadas. Se não fossem as oficinas, de que forma as ambulâncias e as viaturas policiais poderiam rodar, durante a pandemia?”, observa.
Mesmo com as adversidades, o setor de autopeças no Ceará registra alta no faturamento. Ranieri Leitão estima que o setor trabalhou com apenas 40% da sua capacidade, nos meses de março e abril. “Em maio e junho, conseguimos atingir 60%, e de junho em diante, temos crescido gradativamente”, avalia o presidente do Sincopeças.
“De setembro a novembro, superamos em torno de 12% o faturamento do mesmo período de 2019. Mesmo assim, deveremos fechar 2020 abaixo do que conseguimos no ano passado”, informa o dirigente, otimista com as perspectivas para o ano que vem. “Acredito que até março o abastecimento se normalize, tanto interna como externamente, por causa das importações. Com isso, o mercado deve continuar crescendo”, projeta.
Para debater os desafios do setor, será realizado hoje (10) o 8.º Seminário Automotivo do Nordeste, que será de forma presencial e online, das 14h30 às 21h30, e traz oportunidades para os empresários do segmento melhorarem a gestão dos negócios. “Teremos palestras, indicadores e informações que vão ajudar o empreendedor a enxergar melhor o futuro”, diz Ranieri. O Seminário terá palestras de Alexandre Garcia, Allan Costa, Cláudio Araújo e Luciano Pires. Realizado pelo Sistema Sincopeças, Assopeças e Assomotos (SSA-CE), com apoio do Sebrae-CE, o evento tem inscrições abertas, pelo site www.ssa-ce.com.br/saut.

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