Covid-19

Falsa sensação de fim da pandemia contribuiu para aumento de casos

Especialistas ouvidas pelo O Otimista ponderam que cenário somou-se à chegada da Ômicron, fazendo com que Brasil tivesse aumento expressivo de casos, inclusive entre crianças e bebês

Lucas Braga
lucasbraga@ootimista.com.br

Permanência de medidas protetivas é o mais coerente no atual cenário epidemiológico (Foto: Edimar Soares)

A queda de casos e óbitos observada no segundo semestre do ano passado promoveu a falsa sensação de que a pandemia já tinha acabado, apontam especialistas. O cenário teve como consequência o relaxamento nos cuidados de prevenção ao novo coronavírus no fim de dezembro, o que contribuiu prioritariamente para o aumento no número de casos de influenza e covid este mês.

As aglomerações motivadas por Natal, Réveillon e férias escolares favoreceram a disseminação das doenças respiratórias e superlotam os pronto-socorros e emergências hospitalares do Brasil. O número de casos graves e óbitos por covid, porém, é inferior ao registrado nas duas primeiras ondas de covid-19.

“Como consequência, as pessoas reduziram drasticamente o uso de máscaras e o distanciamento físico. Com a chegada da variante Ômicron justo no período de festas, onde as famílias e amigos se reúnem, e o uso inadequado da máscara, houve uma explosão da transmissão do coronavírus”, explica Lígia Kerr, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) e epidemiologista, ressaltando a importância do uso correto da máscara PFF2, para a variante, que tem potencial alto de transmissibilidade.

Cenário infantil
As crianças, antes menos infectadas por terem menos receptores do vírus, tiveram grau inédito de infecção, inclusive com casos graves de covid, pela falta de imunizante, o que se somou ao aumento de outras doenças alérgicas, resfriados e influenza, pontua Jocelia Bringel, professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

A neonatologista lembra que neste período do ano o aumento das doenças do trato respiratório já é esperado, mas pondera que as viroses iniciaram um pouco mais cedo. “Esperávamos incidência maior de fevereiro a junho. Isto se potencializa com as infecções por covid e epidemia de influenza”, acrescenta.

Jocelia afirma que os casos têm acontecido em todas as faixas etárias infantis, inclusive em recém-nascidos, e que, para que bebês tenham proteção pelo aleitamento materno, a recomendação às famílias é adiar o contato dos recém-nascidos com outras pessoas, por mais que estejam vacinadas. Infecções do tipo podem ser perigosas por, fisiologicamente, causar obstrução nasal e dificultar a alimentação.

Lígia Kerr, também vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), defende que as máscaras sejam distribuídas pelo poder público às populações vulneráveis e testagem em massa, incluindo o auto-teste, para promover o isolamento dos pacientes infectados e seus contatos.

Ministro cita festas de fim de ano falando de aumento de casos
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atribuiu o recente aumento do número de casos de covid-19 no Brasil às festas de fim de ano. Após reunião na terça-feira, 11, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, Queiroga disse ter obtido garantias de que não faltará suporte para estados e municípios, se a pressão sobre o sistema hospitalar aumentar e for preciso habilitar mais leitos de terapia intensiva.

Sobre o recente aumento do número de pessoas contaminadas pela Ômicron, o ministro confirmou que as unidades básicas de saúde (UBSs) vêm recebendo número maior de pacientes. “Sabemos que os indivíduos que não têm o esquema vacinal completo têm mais chances de desenvolver formas graves da doença. Em janeiro, vamos distribuir 28 milhões de testes rápidos, sendo 13 milhões até o dia 15. Em fevereiro, temos perspectiva concreta de 7,8 milhões de testes”, acrescentou.

De acordo com Queiroga, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma consulta ao Ministério sobre autoteste. “O autoteste é uma iniciativa que pode se somar ao esforço do poder público de maneira geral. Nesta semana, com certeza, teremos uma resposta”, afirmou. (com Agências)

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