Colunista

Erivaldo Carvalho: Capitão Wagner e a tempestade perfeita de 2022

Eleições estão marcadas para outubro / Agência Brasil

Disciplinado, o pré-candidato ao Governo do Estado, Capitão Wagner (União Brasil), amadureceu, politicamente. Aprendeu com os erros e derrotas dos últimos pleitos – provavelmente, mais do que com as vitórias e acertos. Nessa curva de aprendizagem, absorveu bem, até aqui, pelo menos duas estratégias de seus algozes, para o que muito está ajudando a espécie de tempestade perfeita que parece estar se formando, a favor dele, neste 2022.

A primeira delas diz respeito ao timming político. Como já cantarolado, os governistas vinham ditando o calendário eleitoral no Ceará, à medida em que empurravam a definição do candidato para os momentos finais. Mais do que isso, depois do veredito, saíam unidos. Desta vez, o mais provável é que não aconteça nem um nem outro. Wagner está sabendo tirar proveito da crise do governismo.

O segundo ponto remete a algo pouco lembrado pela crônica política local: os governistas sempre atuaram para retirar o máximo de apoio político da oposição – Wagner sofreu isso de perto algumas vezes. Agora, é o pré-candidato do União Brasil que vem agindo para desidratar o grupo que orbita o Palácio da Abolição. Blefe, leilão, assédio ou qualquer outro nome que se queira dar, o fato é que há conversas entre Wagner e representantes dos hoje aliados do governismo.

É muito cedo para antever os desdobramentos concretos do contexto atual e no que isso vai impactar na campanha eleitoral, propriamente. Mas já dá para afirmar que há estranhezas acontecendo, muito próprias de resultados imprevisíveis.

Entre a Beira-Mar e a Parquelândia
O Encontro Regional do PDT aconteceu na última quarta-feira (15). Um dia antes, a assessoria de Capitão Wagner convidou profissionais da imprensa para um almoço. O bate-papo improvisado com o opositor aconteceu na sexta-feira (17). A diferença de resultados entre os dois eventos foi maior do que a distância que separa o hotel na Beira Mar, para onde foram os governistas, e a sede do União Brasil, na Parquelândia, onde Wagner recebeu setores da cobertura. A demonstração disso está nas plataformas de conteúdo. Como já detalhado e repercutido, os dias que se seguiram ao ato pedetista foram desastrosos para o governismo. Já o deputado federal surfou onda de agenda positiva: fez leituras de cenário, detalhou conversas com potenciais aliados, conjecturou os rumos de alguns personagens e até mesmo antecipou pontos de seu programa de governo.

Calcanhares
Na cotação do dia, há duas pedras no caminho de Capitão Wagner, rumo ao Palácio da Abolição: o envolvimento do ex-integrante das forças de segurança do Estado com o motim da Polícia Militar, em 2020 – alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa -, e a ligação do pré-candidato a governador com o desgastado governo Bolsonaro.

Narrativas
Pelas conversas e declarações de ambos os lados, motim e bolsonarismo serão munições do governismo contra a oposição no Ceará. Opositores dizem acreditar que o motim já está precificado na campanha de Wagner. Sobre o fato de o nome do União Brasil ser bolsonarista, adotar a linha propositiva seria o antídoto a ser usado contra os ataques de adversários.

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