Economia

Energia limpa é oportunidade de economia e sustentabilidade para as empresas

Empresas têm investido na migração para formas limpas de uso de energia para suas atividades. Além da redução de CO² na atmosfera, elas reduzem custos de produção e criam um ambiente de conscientização do uso racional de energia

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br


Com sol e vento abundantes o ano todo, o Ceará é privilegiado geograficamente para a produção de energia renovável. Enxergando a oportunidade de reduzir custos e agir sustentavelmente, empresas têm investido na migração para outras – e limpas – formas de uso de energia para suas atividades.
São inúmeros setores participando deste mercado, principalmente na indústria, que consome um terço da energia nacional. As biomassas têm ganhado espaço, mas a produção hidráulica, solar e eólica lideram a produção de energia elétrica dentre as opções renováveis.
De acordo com a WRI Brasil, há imenso potencial de redução nas emissões de dióxido de carbono (CO²) no setor industrial brasileiro através de medidas como “eficiência energética, reciclagem de materiais, ampliação do uso do gás natural (em substituição às fontes fósseis mais emissoras), maior emprego de fontes renováveis, cogeração de energia, e eliminação da biomassa proveniente de desmatamentos”. Esse conjunto poderia gerar redução de emissões em torno de 131,3 milhões de toneladas de CO² daqui a dez anos, equivalente a 39,9% das emissões.

Opções
Há também rentabilidade em migrar para opções limpas de energia elétrica: projetos financeiramente atraentes para investidores, pelo resultado rápido, incentivos do governo e boas taxas de retorno. É o que destaca o coordenador de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Joaquim Rolim. “As energias limpas estão cada vez mais presentes também pelo apelo econômico. São competitivas em relação a outras fontes e o custo de implantação tem se tornado cada vez mais atrativo. A instalação de parques solares tem crescido no Ceará mais de 100% ao ano”, celebra.
O Ceará disciplinou o Programa de Incentivos da Cadeia Produtiva Geradora de Energias Renováveis (Pier) que beneficia empresas fabricantes de equipamentos e de geração de energias renováveis. Quanto aos incentivos, na geração distribuída existe a isenção de ICMS, PIS e COFINS para a energia gerada, desde que a potência instalada seja inferior a 1MW e seja para o mesmo CNPJ.
A depender do modelo de negócio, as possibilidades são amplas para a geração de energia na indústria. Os investimentos podem ser financiados por linhas de crédito que preveem estas ações de desenvolvimento sustentável da economia regional. “A redução do custo de energia já paga o investimento. Há outro modelo, como a locação de estrutura de empresa de painéis solares, visando desconto na conta de energia, que sequer precisa de investimento”, completa.

Pardal investiu R$ 3,5 milhões em parque solar

A Pardal Sorvetes entrou em 2020 produzindo energia. Com a instalação de placas solares na fábrica, que funciona no Eusébio, a redução estimada na emissão de CO2 é de 117 toneladas por ano. A demanda da empresa é maior pela necessidade alta de refrigeração dos produtos.

O investimento para transformar a estrutura da fábrica foi de R$ 3,5 milhões, financiados pelo Banco do Nordeste, o que a Pardal afirma ser o maior projeto em energia solar do Brasil no segmento de sorvetes e picolés. A instalação tem 6 mil m² e cerca de 2.600 módulos fotovoltaicos, garantindo potência instalada de 864,27 kWp.

“Nossa redução de custos deve ser de pelo menos 75% em energia”, explica o gerente de Marketing da Pardal, Erikson Nascimento. Além da economia nos gastos, o ganho ambiental é enorme: com a redução de CO2, a empresa irá evitar a emissão de gases poluentes equivalentes ao funcionamento de 117 carros por ano, algo próximo ao impacto positivo do plantio de 613 árvores no mesmo período.

“Investir em energia limpa e renovável sempre foi um dos nossos maiores sonhos, porque reforça os nossos valores de cuidar das pessoas e do mundo em que vivemos”, completa Erikson. A marca também prepara parque solar em sítio onde é colhida parte das frutas usadas na produção, principalmente coco e limão. Até o fim de 2020, a perspectiva é de produzir 100% da energia usada na produção. Assim, a economia mensal consolidada é de aproximadamente R$ 60 mil. O investimento, então, se paga em menos de seis anos.

Ele destaca ainda iniciativas de tratamento e reuso de água para lavar pisos e regar jardins, além da coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos. A empresa também não usa gás, mas sim reaproveita a quenga dos cocos como combustível à caldeira e produção de calor para pasteurizadores, por exemplo.

Heineken é pioneira com parque eólico em Acaraú

No Ceará, a gigante das bebidas Heineken reforçou estratégia de sustentabilidade com parque eólico (o primeiro de uma cervejaria brasileira) em Acaraú, município distante 233 km de Fortaleza. Foram investidos R$ 200 milhões na estrutura, a qual tem capacidade para gerar 112 mil MWh/ano. De acordo com a companhia, o número equivale a 30% de toda a energia elétrica consumida pelas 15 cervejarias da marca no Brasil.

Com o parque, a empresa deixa de emitir 12 mil toneladas de CO2 por ano, proporcional a novas 400 mil árvores plantadas. A meta da empresa é ter 100% de energia limpa até 2023. No Brasil, além do parque eólico, o grupo mantém caldeiras de biomassa em cinco fábricas, sendo que em Ponta Grossa (PR), a caldeira já é responsável por 100% da energia térmica para o funcionamento da cervejaria.

“Como segundo maior player do mercado nacional de cerveja, a Heineken compreende sua responsabilidade com o futuro desta e das próximas gerações. Nossa estratégia abrange diferentes frentes, mas, neste primeiro momento, estamos investindo ainda mais esforços nos pilares de consumo responsável e de redução de emissões de CO2”, detalha Nelcina Tropardi, vice-presidente de Assuntos Corporativos & Sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil.

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