Economia

Empresas cearenses se fortalecem na Bolsa de Valores

Oito companhias com capital aberto comprovam a força da economia do estado, superam ano desafiador e começam 2021 com boas perspectivas de valorização de suas ações

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


Confirmando o nível de desenvolvimento conquistado nos últimos anos, a economia cearense terminou 2020 com oito companhias presentes na Bolsa de Valores – uma delas na Nasdaq, a Bolsa norte-americana. A pandemia impediu um crescimento maior, mas 2021 traz boas perspectivas para quase todos os segmentos, projetando um aumento de valor das ações. “É um fato de destaque o Ceará ter tantas empresas no mercado, principalmente para a Região Nordeste, que não é acostumada a ter companhias negociadas em bolsa. Só em 2020 tivemos dois IPOS (oferta inicial de ações) de empresas cearenses, o que pode ser o início de uma longa história de outras que serão negociadas”, observa Rafael Meyer, Head de Renda Variável e Derivativos da Verk Investimentos.
Pague Menos e Aeris Energy estrearam na Bolsa em 2020 e reforçaram a presença do Ceará no mercado financeiro, que já tinha a oferta de ações de M. Dias Branco, Hapvida, Grandene, Arco Educação (Nasdaq), Banco do Nordeste e Enel. “Os grupos cearenses vêm se estruturando e vão para o mercado com o objetivo de obter recursos para financiar as estruturas produtivas. E há uma tendência de continuidade, pois outras empresas do Nordeste estão buscando a abertura de capital”, comenta Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

Conquistas
Na avaliação da estreante Pague Menos, 2020 foi desafiador, mas cheio de conquistas. “A realização do IPO e a entrada na B3 foram marcos, nos quais a Pague Menos realizou uma de suas maiores ambições. Temos recursos necessários para realizarmos nossos planos de expansão”, afirma Luiz Novais, vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores. “O mercado reconheceu o potencial da companhia, assim como o do varejo farmacêutico”, ressalta.
Ele cita o fato de a empresa ter conseguido, mesmo com os impactos da pandemia, manter praticamente todas as unidades abertas no ano que termina. “Houve queda de tráfego em lojas, compensada por um expressivo aumento no ticket médio. Para 2021, a maior parte dos recursos será direcionada para expansão de lojas, com foco nas Regiões Norte e Nordeste. Seguiremos apostando no modelo multicanal, seja em loja ou pelo e-commerce, além da oferta de soluções de saúde, como o Clinic Farma, hoje com 806 unidades em todo o Brasil”, projeta Luiz Novais.
Presente no mercado financeiro desde 2006, a M. Dias Branco trabalhou, ao longo do ano, para garantir o abastecimento de alimentos à população, uma vez que os produtos da companhia são considerados essenciais. “Do ponto de vista de performance, no terceiro trimestre, o lucro líquido foi 97,3% maior na comparação com o mesmo período de 2019 e 90% maior no acumulado do ano, totalizando R$ 265,4 milhões. Os números favoráveis são consequência do planejamento estratégico iniciado ainda antes do início da pandemia”, avalia Fabio Cefaly, diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores.
Para 2021, a companhia está confiante no mercado de alimentos e pretende seguir o planejamento estratégico, focado no crescimento dos negócios e expansão dos mercados de atuação, inclusive na exportação. “Em adição à liderança em massas e biscoitos que temos no Norte e Nordeste, buscaremos a expansão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, antecipa Fabio Cefaly. As demais empresas cearenses no mercado financeiro foram procuradas, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS