Economia

Emprendedorismo incentiva longevidade das empresas no Ceará, segundo IBGE

Levantamento do IBGE mostra que em 2018 o Estado teve uma taxa de sobrevivência das unidades locais ativas de 83,6%, acima de toda a Região Nordeste. Pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (22)

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br


Vocação cearense, o empreendedorismo fez a economia do Ceará alcançar novo destaque em pesquisa nacional. O levantamento “Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2018”, divulgado ontem (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o Estado teve em 2018 uma taxa de sobrevivência das unidades locais (UL) ativas de 83,6% – o que representa 103,6 mil empresas que permaneceram ativas entre 2017 e 2018.
O índice é superior à média registrada em todo o Nordeste (83%) e o 3º melhor desempenho da Região naquele ano, atrás apenas da Paraíba (84,3%) e da Bahia (83,7%).
“Alguns fatores são pontos importantes que contribuem para a longevidade das empresas, dentre eles podemos citar: experiência anterior do empresário no mesmo ramo, aperfeiçoamento sistemático de produtos e serviços às necessidades dos clientes e acompanhamento rigoroso da evolução das receitas e das despesas ao longo do tempo”, observa Alice Mesquita, assessora executiva do Sebrae-CE. “Em contraponto à sobrevivência há uma combinação de aspectos, como problemas financeiros, inadimplência e dificuldades na gestão”.
O estudo do IBGE mostra que o Ceará teve a maior participação relativa das empresas de alto crescimento em relação às empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas, com 9% – à frente do Distrito Federal (8,4%) e do Mato Grosso (8,2%), que também figuram com destaque no ranking nacional.
As empresas de alto crescimento são aquelas que têm pelo menos 10 empregados assalariados, que aumentaram seu pessoal acima de 20% ao ano, por três anos seguidos. De acordo com os analistas do IBGE, esse crescimento no Ceará está associado ao empreendedorismo.
Em 2018, 20,3 mil unidades cearenses entraram no mercado, enquanto 25,1 mil encerraram suas atividades. Com isso, o saldo de empresas ativas foi negativo (-4,9 mil).

Sobrevivência
Por outro lado, observou-se que das 17,1 mil empresas nascidas em 2008 no Ceará, a taxa de sobrevivência após 10 anos era de 22,7%. Nesse quesito, o Estado segue próximo da média do Nordeste (22,9%), acima dos Estados da Bahia (21,7%), de Pernambuco (21,8%) e do Maranhão (19,5%), e à frente de toda a Região Norte (19,9%).
No Brasil, o saldo em 2018 entre empresas criadas e encerradas foi negativo: enquanto 697,1 mil começaram o negócio, 762,9 mil companhias encerraram suas atividades naquele ano, gerando saldo de -65,9 mil empresas.
Do total de empresas ativas, 3,7 milhões já estavam em atividade antes de 2018, o que representa uma taxa de sobrevivência de 84,1% – 0,7% a menos que no ano anterior.
De 2013 a 2018, o Brasil teve uma redução de 382,2 mil empresas e de 2,8 milhões de ocupados assalariados. Além disso, desde 2014 o saldo de empresas no país está negativo. “O comportamento de saída e entrada de empresas tem relação direta com a atividade econômica brasileira. Só em 2014, 218 mil fecharam as portas. Nos anos seguintes, esse movimento continuou, mas em um patamar menor, refletindo a atividade econômica do período, que vem sendo fraca desde então”, analisa o gerente do estudo, Thiego Gonçalves Ferreira.
O levantamento em âmbito nacional do IBGE foi realizado com dados entre os anos de 2008 e 2018, e considera as entidades empresariais – excluindo órgãos da administração pública, entidades sem fins lucrativos e organizações internacionais – constantes no Cadastro Central de Empresas (Cempre).

Atividades imobiliárias aquecem economia

No Ceará, os setores de administração pública, defesa e seguridade social (28,6%) e atividades imobiliárias (25%) foram os segmentos que mais registraram a entrada de empresas no mercado em 2018, de acordo com o levantamento “Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2018”, do IBGE.

Comércio
Outros setores em alta foram os de comércio, reparação de veículos automotivos e bicicletas, que concentravam quase metade das empresas locais ativas: 48,7%. Por outro lado, em 2018 a área de construção registrou a maior taxa de saída, com 25,1%.
De acordo com o IBGE, a alta entrada de empresas na atividade administração pública “tem relação com a terceirização, no movimento de empresas e órgãos que transferiram as atividades para empresas terceirizadas.
As variações de setores acompanham a dinâmica de atividades econômicas do Estado”, detalha o setor de Supervisão de Disseminação de pesquisas do IBGE no Ceará.

Alto crescimento
O número de empresas de alto crescimento voltou a subir em 2018, registrando 2.027 unidades, após quedas desde 2013. A maior parte dessas empresas era de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, com 707 unidades. A setor com maior pessoal ocupado em unidades locais de alto crescimento foi o de indústrias de transformação, com mais de 20 mil pessoas.

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