Economia

Empreendedorismo pode ajudar a equilibrar as finanças municipais, dizem especialistas

Em 2021, novos prefeitos devem assumir com menos recursos em caixa. Especialistas indicam investimentos nas vocações locais e no associativismo. Programas de incentivo aos pequenos negócios também podem trazer resultados

Giuliano Villa Nova
economia@ootimista.com.br

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Investir em ações empreendedoras pode ser a grande alternativa que os municípios brasileiros terão para superar as dificuldades financeiras do próximo ano. Na projeção dos especialistas, em 2021 a economia brasileira ainda estará se recuperando da crise provocada pela pandemia, com queda nas arrecadações e aumento do desemprego.
Nos municípios menores, essas consequências devem ser ainda mais sentidas. É nessa hora que os gestores públicos precisam encontrar soluções, e incentivar as vocações econômicas locais é a ação mais recomendada. “O município tem que utilizar seu potencial, aquilo que tem de mais forte, para criar alternativas de geração de emprego e renda. Com isso, abrem-se grandes possibilidades para o agronegócio e atividades dessa natureza, que ajudem a recuperar as finanças municipais”, observa Expedito Nascimento, diretor de Relações Institucionais da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece).

Programas de incentivo
Programas de incentivo aos pequenos negócios também podem trazer resultados positivos, garante Joaquim Cartaxo, diretor superintendente do Sebrae-Ceará. “Os pequenos negócios têm um papel fundamental, pois respondem por mais de 90% das empresas formalizadas do país e dão uma forte contribuição para a economia local por meio da geração de emprego e renda, além da arrecadação de impostos, necessários para o financiamento de ações municipais”, descreve. “É estratégico para os gestores municipais estabelecer ações que possam contribuir para a criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo e à competitividade dos pequenos negócios”, indica Joaquim Cartaxo.

Vocações
O diretor superintendente do Sebrae-Ceará explica que as prefeituras podem desenvolver uma série de iniciativas para tornar o ambiente de negócios mais favorável para o empreendedorismo, como a desburocratização e a simplificação do processo de abertura de empresas. “Outra ação importante é o desenvolvimento de políticas públicas de compras que beneficiem os pequenos negócios. O ideal é que cada município conheça a sua vocação econômica e possa desenvolver ações para estimulá-la”, recomenda Joaquim Cartaxo.
Para incentivar a geração de empregos, a formação de cooperativas de artesãos ou artistas locais é uma alternativa promissora, de acordo com Expedito Nascimento. “A gente tem que trabalhar com o associativismo. É trabalhar e tentar fazer o muito com pouco, pois as receitas devem ser limitadas. Por isso é preciso trabalhar a partir de ações planejadas”, recomenda o diretor da Aprece.

Comércio e serviços
Mesmo com as incertezas do mercado, os grandes propulsores do nosso estado continuarão sendo os setores de comércio e serviços. “No geral, a economia cearense é formada em grande parte por empresas desses segmentos, que concentram cerca de 84% dos pequenos negócios do estado”, analisa Joaquim Cartaxo. “Há muitas possibilidades de atuação, e os gestores municipais podem buscar orientações técnicas de como proceder. O Sebrae é uma das instituições prontas para ajudá-los nesse processo”, comenta o diretor superintendente do Sebrae-Ceará.
Neste ano, o Sebrae lançou o Guia do Candidato Empreendedor, voltado para apoiar a formulação de propostas que podem ser adotadas nos municípios, com foco na geração de emprego e renda por meio da criação de um ambiente favorável aos empreendedores. A publicação está disponível para download no site da instituição.

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