Economia

Edital vai contemplar startups de hardware com R$ 400 mil em apoio técnico e mentoria

A iniciativa é do programa CriarCE, que, com a iniciativa, se transforma na primeira aceleradora pública de negócios de base tecnológica. Cada uma das 20 startups contempladas receberá em média R$ 20 mil em recursos para fomentar o negócio

Marta Bruno

martabruno@ootimista.com.br

Uma ideia, alguma percepção de como elaborar e executar um projeto, um protótipo em mente. Para empreender, esses passos iniciais podem concretizar um negócio. Mas, no caso de uma startup, é preciso mais. O suporte necessário para apoiar a trajetória de uma solução em tecnologia requer partilha, planejamento, infraestrutura, investimento e, no caso da administração pública, apoio institucional. Com base nisso, os programas de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), Corredores Digitais e CriarCE, estão fomentando o desenvolvimento de negócios de base tecnológica no Ceará, inclusive com recursos financeiros.

No último dia 2, o CriarCE lançou edital do Programa de Desenvolvimento de Hardware e se projetou como a primeira aceleradora pública de negócios em hardware do Brasil. Embora a incubadora tenha nascido com o propósito de apoiar startups de software (programas, sistemas operacionais e aplicações), agora a atenção se volta para hardwares, que são o equipamento tecnológico físico (celulares, Smart TVs, dispositivos de leitura, relógios inteligentes).

Através do edital, o programa vai selecionar pesquisadores, empresas e startups para desenvolverem equipamentos inovadores. Em dez etapas, os 20 contemplados terão acesso a uma ambiência para desenvolvimento de todas as etapas do processo, da concepção à oferta ao mercado. Cada projeto receberá aporte médio de R$ 20 mil. De acordo com o coordenador do CriarCE, Thiago Barros, sendo a primeira aceleradora pública de hardware no Norte e Nordeste, o Criar 2.0 deve atuar com startups que tenham um produto a ser melhorado ou a ser lançado no mercado.

Cada projeto será acompanhado por 7 a 8 meses, contando, além da mentoria, com infraestrutura, impressoras 3D, orientação profissional, capacitação com especialistas no negócio e recursos financeiros. “Vamos viabilizar ainda a propriedade intelectual, a patente, para que a ideia cresça, mas que seja cearense”, adianta Barros. O edital inclui ainda a produção de produto piloto e capitalização para que o negócio seja vendável.

“Não precisa dominar tecnologia. As boas ideias vêm de pessoas que não são da tecnologia. O aparelho videolaparoscópico veio de uma médica. A gente quer que as pessoas entendam que só precisa encontrar uma dor e uma solução para a dor de alguém. Não precisa ser desenvolvedor”, detalha o coordenador. No processo de seleção, o projeto passará por uma banca avaliadora que analisa a viabilidade técnica e de mercado do produto. As inscrições são de fluxo contínuo e permanecem até dezembro. A jornada de cada startup será individualizada.

“É uma troca. Não tem competitividade. No início, essas equipes chegavam do Ceará inteiro, mas raramente era um produto físico, a maioria era aplicativo”, explica. Desde 2018, as startups de softwrae e de hardware que passaram pelo CriarCe já faturaram mais de R$ 420 mil para empreendedores – a maioria jovens – de Acaraú, Sobral, Juazeiro do Norte, Quixadá, Caucaia e Fortaleza. Segundo Thiago Barros, de 15 startups que nasceram com o projeto, 11 foram formalizadas no mercado com soluções para o agronegócio, educação, finanças e serviços, como estética. Todas permanecem funcionando e atraindo interesse do mercado.

Já com foco em hardware, durante a pandemia, o CriarCe desenvolveu e doou 10.200 máscaras do tipo face shield. Além disso, há equipes que atuam no desenvolvimento de um respirador mecânico em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), de um aparelho para cirurgia de videolaparoscopia já em teste pré-clínico no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e de exames para detecção de covid-19 junto à Fundação Oswaldo Crus (Fiocruz).

Como vislumbra Thiago Barros, o objetivo final é que cada startup venda seu produto. “A maioria quebra porque não teve esse apoio, não teve a oportunidade de fazer um protótipo para o cliente. O entendimento só acontece quando o desenvolvimento sai do ambiente da universidade, de casa e o cliente compra. Quando a gente vê a primeira nota fiscal gerada para a startup, quando vê que alguém comprou, é nosso maior pagamento e incentivo”, define o coordenador.

Corredores Digitais

Pioneiro no setor público, o programa Corredores Digitais atua na pré-aceleração de startups locais. Iniciado em 2015 com seis equipes, hoje o projeto fomenta 100 grupos que desenvolvem soluções em tecnologia nas áreas de agricultura, educação, saúde, segurança pública, meio ambiente e economia. Através desses projetos, os empreendedores atendem a companhias não apenas locais, mas de outras regiões e mesmo países. Embora a principal demanda por criação de negócios esteja na capital, o interior também está movimentando esse mercado, com demanda oriunda de escolas profissionalizantes, cursos técnicos e universidades.

Como informa o secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado, Inácio Arruda,  “o interior está repleto de jovens que querem empreender”. Para atender a essa necessidade, o programa Corredores Digitais foi criado para fomentar a mentoria, apoio, capacitação e networking das iniciativas. A partir da segunda chamada pública, em 2016, sugiram parcerias, a exemplo do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).

“Com a abertura para 100 equipes, mobilizamos o estado inteiro. Depois partimos para 200 grupos. O resultado disso é que temos mentorias com empresas de Santa Catarina, São Paulo Minas Gerais, ligadas a companhias nacionais e estrangeiras”, destaca Arruda, lembrando que, na apresentação dos projetos, houve iniciativas que foram compradas na ocasião. De acordo com o secretário, em 2018 o Ceará captou mais de R$ 500 milhões para projetos pelo programa da Lei de Informática, fora outras fontes com universidades da capital e do interior – os dados de 2019 ainda não foram compilados. “Criamos um ecossistema integrado. O Corredores Digitais deu essa liga”, ressalta.

Segundo Inácio Arruda, um viés do projeto é mobilizar empresas tradicionais a investirem cada vez mais em tecnologia. “Muitas buscam solução em outras regiões ou mesmo no exterior. Precisamos fazer esse movimento crescer dentro do estado. Já existem empresas que têm fundo de pesquisa. De outro lado, temos uma turma de jovens, inovadores, pesquisadores com as soluções. Precisamos unir esses polos”, diz.

O Corredores Digitais transforma ideias, pesquisas, invenções ou negócios em estágio pré-operacional em modelos de negócios inovadores, competitivos, lucrativos e socialmente responsáveis. O programa já realizou mais de 60 eventos na capital e interior. A ideia é levar conhecimentos sobre empreendedorismo, inovação e a visão de que é possível transformar ideias ou problemas do cotidiano em oportunidades de negócios. Em cinco anos, mais de 6,000 pessoas foram atingidas pela iniciativa.

 

IEL lança Hub de Empreendedorismo e Inovação

Um espaço voltado para a conexão entre ideias inovadoras e empresas deve impulsionar a criação de soluções tecnológicas para a indústria cearense. Trata-se do Hub de Empreendedorismo e Inovação do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) Ceará, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em parceria com o Sebrae. Na apresentação do espaço, foi lançado o primeiro edital de fomento ao desenvolvimento de negócios no setor, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza.

A ideia é que outros editais sejam lançados, com outros parceiros, como o Sebrae. Para a superintendente do IEL, Dana Nunes, explica o hub fará um link entre ideias e indústrias. “Além de ser um ambiente para criar soluções, ideias mais maduras serão mapeadas e trabalhadas para que possam efetivamente ajudar as indústrias a superarem seus desafios”, diz.

Na prática, o espaço poderá ser usado para empreendedores criarem negócios e produtos transformadores. Através  de mentorias, metodologias ágeis e abordagens de gamificação, startups poderão ser geridas com focos específicos. “Buscamos nos aproximar cada vez mais do mercado, das empresas. Sentimos a necessidade de ir além, já que o IEL Ceará passou a coordenar todo o programa de inovação do Sistema Fiec. Não basta ter ideias inovadoras, precisamos ter uma ambiência em sinergia com o ecossistema de inovação para tirar as boas ideias do papel e fortalecer a indústria cearense”, pontua Dana Nunes. Sindicatos associados à Fiec também serão envolvidos.

A primeira ação do hub é o lançamento de edital, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, que irá selecionar ideias para pré-incubação, voltadas ao setor industrial. Serão selecionadas 30 ideias que poderão crescer de forma acelerada e ganhar escala, contando com a infraestrutura do hub, o que inclui capacitação, uma rede de mentores, networking e possibilidade de acesso a financiamento. No processo, o IEL contará com parceria do Sesi, Senai, Sebrae, além da Fiec.

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