Economia

Economistas projetam melhora na economia nacional e internacional

O índice de percepção futura subiu 25%, passando de 77,5 para 96,9 pontos. Os dados são da 38ª pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE)

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

Os especialistas cearenses estão menos pessimistas quanto à economia, neste bimestre e projetam uma melhora no quadro econômico nacional e internacional. O índice de percepção futura subiu 25%, passando de 77,5 para 96,9 pontos. Os dados são da 38ª pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE), do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio).

O levantamento, referente a julho-agosto, reflete as iniciativas para aquecimento da economia nacional, como a nova redução na taxa básica de juros – de 2,25%, para 2% ao ano, conforme definiu o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, no começo de agosto. Assim, o índice de percepção presente da IEE ficou em 66,3 pontos, 31,3% a mais que o bimestre anterior, quando somou 50,5 pontos.

Conselheiro do Corecon e analista da pesquisa, Ricardo Eleutério explica que os resultados da pesquisa mantiveram um terço das variáveis percebido com otimismo: taxa de juros (134,4 pontos), oferta de crédito (121,3 pontos) e taxa de inflação (100,8 pontos). “Selic menor estimula consumo e investimento. Então, esse patamar de juros produz a expectativa otimista. Outra variável percebida com otimismo é a oferta de crédito, pois, desde o início da pandemia, o BC reduziu juros e proveu o sistema bancário de maior liquidez”, didatiza Ricardo.

Todavia, ele lembra que a larga oferta de crédito, mesmo a juros menores, nem sempre chega às micro e pequenas empresas (MPEs). A dificuldade no acesso pode ser explicada pelo maior risco de inadimplência. Ou seja, as instituições financeiras confiam menos nos pequenos.

Variáveis mais pessimistas

Considerando a soma das variáveis, o índice de percepção geral passou de 62,5 pontos para 81,6 pontos, uma redução de 30,6% no pessimismo em relação à pesquisa anterior. Sobre o comportamento futuro das variáveis, a pesquisa também apresenta redução de 25% no pessimismo.

Mas seis variáveis ainda são percebidas com pessimismo: cenário internacional (95,9 pontos); taxa de câmbio (73 pontos); nível de emprego (67,2 pontos); evolução do PIB (67,2 pontos); gastos públicos (39,3 pontos) e salários reais (35,2 pontos).

Inflação

Com a alteração na previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira (24) mostra alta de 1,67% para 1,71%. A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,5% a 5,5%). “Baixa inflação, considerando nossos padrões. Isso move os agentes econômicos, produz otimismo no consumo e nos investimentos locais e estrangeiros. Os números também mostram que, de dois meses para cá, houve alguma melhora na atividade econômica. Essa abertura favorece as expectativas do mercado”, analisa Ricardo, lembrando que as expectativas são, a um só tempo, causa e consequência do comportamento econômico.

Hoje, são esperados anúncios de medidas econômicas pelo Governo Federal. Para o conselheiro do Corecon, manter-se-ão nas linhas de política monetária e fiscal expansionistas, com corte ou renúncia de tributos. “No mundo, os PIB vão cair vertiginosamente este ano e cairiam mais, não fossem os estímulos. Mas depois vem a ressaca dessa política. Ela se esgota no tempo, porque produz efeitos colaterais como inflação. Já os gastos públicos geram déficit na dívida pública a todos os entes da federação: governos Federal, estaduais e municipais”, alerta Ricardo.

Metodologia

A pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo. “É uma pesquisa made in Ceará sobre a macroeconomia brasileira. Foram ouvidos 89 especialistas, não só economistas, mas profissionais da indústria, agronegócio, setor público, mercado financeiro, comércio, dentre outros”, pontua Ricardo.

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