Economia

EBITDA da Companhia Docas do Ceará bate recorde com R$ 11,8 milhões

Concessões, modernização e novos investimentos são destacados pela empresa como planos para 2021

Lucas Braga
economia@ootimista.com.br

A Companhia Docas do Ceará (CDC) informou EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 11,8 milhões em 2020, variando positivamente 254,3%. Comparadas a 2019, as receitas subiram 13,5% (de R$ 56 milhões para R$ 64 milhões) e a movimentação de cargas, 12%, aumentando de 4,4 para 4,9 milhões de toneladas.
O diretor de Administração e Finanças da CDC, Humberto Castelo Branco, analisa que ações como reestruturação organizacional, programa de redução de despesas e incremento das receitas permitiram os bons resultados financeiros. “Estamos preparados, técnica e financeiramente, para os desafios de 2021, ano em que os reflexos das ações implantadas até o momento e aquelas a serem efetivadas robustecem nossa expectativa que será, também, um ano de sucesso para nossa companhia.”

Consumo
O aumento da movimentação de cargas granéis sólidas cereais ajudou no resultado final. Com a mudança de hábitos da população durante a pandemia, o consumo de massas e biscoitos subiu, como pode ser explicado pela importação de trigo 10% maior, se comparado ao ano de 2019, totalizando 1,2 milhão de toneladas por meio de 53 navios.
Moinhos M. Dias Branco, Grande Moinho Cearense e J. Macêdo importaram o cereal, principalmente, da Argentina, Estados Unidos e Canadá, cujo montante deve ser novamente ultrapassado em 2021, segundo a administração do Terminais de Grãos de Fortaleza Ltda. (Tergran), arrendatário no Porto de Fortaleza.

Colaboração
Ao avaliar o desempenho, a diretora-presidente da Companhia Docas do Ceará, Mayhara Chaves, agradeceu a colaboração dos trabalhadores portuários durante os momentos mais críticos da pandemia. Foram estabelecidos protocolos sanitários rígidos para evitar contaminação por coronavírus. Ela reforçou que a administração vem trabalhando para consolidar a movimentação dos granéis sólidos e líquidos (combustível).
Mesmo com número reduzido de colaboradores, o aumento da carga movimentada foi atribuído ao planejamento e à competitividade do Porto de Fortaleza. “A alta do dólar e a especialização dos operadores portuários na carga de granéis sólidos cereais gerou esse crescimento. Para 2021, a gente trabalha na atualização do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto, para otimizar a distribuição de cargas no pátio”, frisou.
As atracações no Porto de Fortaleza apresentaram crescimento de 9,5%, em relação ao ano anterior. Os granéis sólidos (cereais e não cereais) responderam por 46,6% de toda a movimentação, seguido pelos granéis líquidos (petróleo e derivados) com 45,3%. Em relação aos granéis sólidos não cereais, a maior movimentação foi de clínquer, produtos siderúrgicos, produtos químicos, manganês, minério de ferro, sucata, carvão mineral e gesso. Entre os destinos dessas cargas: Estados Unidos, Espanha, China e Manaus.

Frutas
Outro tipo de carga embarcada pelo porto foram as frutas, tendo entre os destinos portos espanhóis, britânicos, franceses e holandeses: principalmente, foram melão, banana, uva, abacaxi, limão, manga, maçã e melancia por meio de contêineres refrigerados.
Além disso, em 2021 são esperadas modernização, automação de processos, monitoramento ambiental e o fomento da parceria com a iniciativa privada para atrair novos investimentos para as áreas não operacionais do porto.
Sobre a concessão do Terminal Marítimo de Passageiros, a presidente destacou que foi avaliada como a melhor opção de investimento em portos, em estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O arrendamento foi suspenso temporariamente devido à pandemia e depende da retomada do turismo e dos cruzeiros. “A gente está conversando com o Ministério da Infraestrutura e precisa ter cautela, para depois executar a concessão de forma segura”.

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